Além das lendas: folclore ajuda a preservar a identidade popular dos municípios da AMREC
Neste sábado, dia 22, é celebrado o Dia do Folclore

Por Leonardo de Souza - leonardo.minatto@engeplus.com.br
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O folclore está presente no dia a dia das pessoas, tanto dentro de casa quanto nas comunidades e em diferentes partes do mundo. Neste sábado, dia 22, é celebrado o Dia do Folclore, uma data que destaca a importância dessas práticas, histórias e tradições para o desenvolvimento da cultura popular. O Boi de Mamão e as lendas de lobisomens e bruxas são algumas das manifestações que mais marcam a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC).
Segundo o artista plástico, escultor e ex-professor de História da Unesc, Edison Paegli Balod, conhecido como Edi Balod, o folclore se manifesta por meio do povo. Para ele, é o saber das pessoas, e uma das principais expressões culturais presentes na região é o Boi de Mamão, que voltou a ganhar relevância nos últimos anos.
“A Unesc está tendo um papel importante para recuperar essa manifestação. Existem expressões açorianas e afro-açorianas, como o pau de fita. O Terno de Reis é outra manifestação muito valorizada. Ele é composto por vozes masculinas e acontece no fim do ano. A Bandeira do Divino, realizada durante os meses de junho e julho, também faz parte do folclore”, explicou.
Os chamados “causos” são outra manifestação do folclore que permeia a região. Histórias de lobisomens e bruxas também marcam presença na AMREC. Além dessas narrativas, o artesanato e a culinária também fazem parte da cultura popular. “O folclore não é só histórias de criaturas. Ele é o conhecimento do povo, é o artesanato utilitário, que é muito forte aqui na região. É a culinária, os temperos que utilizamos, como a salsa e a cebolinha, a confecção de roupas por meio de teares, os chás e a utilização recorrente de produtos da terra. Essas são coisas do dia a dia que, às vezes, as pessoas nem sabem que fazem parte do folclore”, destacou Balod.
Para o ex-professor, a imigração italiana, alemã e de outros grupos contribuiu para o fortalecimento da cultura popular na AMREC. “A questão da culinária é tão grande que ganhou uma expressão própria na região. Isso vem da cultura dos nossos ancestrais, e cada uma tem sua característica. Se realizarmos uma análise e buscarmos nas raízes, teremos também a questão indígena. Essa imigração fortaleceu os saberes e os fazeres populares”, ressaltou.
Origem do Boi de Mamão

De acordo com Balod, o Boi de Mamão chegou ao Sul de Santa Catarina por meio de negros trazidos do Nordeste para lutar na Guerra do Paraguai. Os que sobreviveram trouxeram a cultura do Bumba Meu Boi e adaptaram a manifestação, incorporando elementos condizentes com a tradição local.
“Há diversas, inúmeras histórias sobre a origem desse nome. Uma delas diz que o dono do boi era um ‘mamão’, ou seja, bebia muito, e por isso o chamavam de Boi do Mamão. Outra afirma que crianças, querendo imitar os adultos, mas sem habilidade para fazer igual, montavam o boi com galhos para os chifres e usavam a fruta mamão para representar a cabeça. Essa história é uma das maiores expressões culturais de Santa Catarina”, pontuou.
Preservação do folclore
Balod também reforçou que, apesar das mudanças bruscas que vêm ocorrendo na sociedade, o folclore encontra maneiras de permanecer e preservar sua marca na população.
“Essas histórias são fundamentais para definir as características culturais de cada região. Mesmo que haja essas alterações, o folclore permanece na memória, nas danças e na culinária. Sempre haverá essa preservação e, enquanto as pessoas fizerem sua parte, o folclore vai continuar. Ele é internacional: cada país tem suas danças, seus cantos e suas expressões populares”, finalizou.



































