Santa Catarina
Alesc aprova a instauração do segundo processo de impeachment contra Carlos Moisés
Governador é acusado de cometer crime de responsabilidade na compra de respiradores
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Por 36 votos a favor, duas manifestações contrárias e uma abstenção, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou nesta terça-feira, dia 20, o PDL 11/2020, que autorizou a instauração do segundo processo de impeachment contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés. A matéria acusa o chefe do Executivo catarinense de cometer crime de responsabilidade na compra de 200 respiradores no valor de R$ 33 milhões e na tentativa contratação de hospital de campanha em Itajaí, pelo valor de R$ 76 milhões. A vice-governadora, Daniela Reinehr foi excluída do processo.
A sessão foi aberta com a manifestação dos advogados de acusação e defesa. Depois, cada bancada partidária teve uma hora para colocar suas pontuações. Os primeiros a falarem foram os advogados do denunciante, Bruno de Oliveira Carreirão e Leonardo Borchardt. Eles acusaram o governador de estar ciente e de acordo com a compra dos respiradores fantasmas com pagamento antecipado e na construção do hospital de campanha.
“O povo catarinense precisa do impeachment para que possamos enfrentar o coronavírus. Quando Santa Catarina adotou medidas restritivas para achatar a curva de contágio, se dizia que as medidas eram necessárias para o sistema de saúde se preparar. O que se viu, no entanto, foi compra de respiradores fantasmas, fraude na contratação de um desnecessário hospital de campanha e o Estado tentando terceirizar sua responsabilidade aos municípios. Se a pandemia deve ser a prioridade, o seu efetivo combate só será possível quando não tiver o senhor Carlos Moisés da Silva à frente do governo”, disse Carreirão.
Já Marcos Probst, advogado de defesa de Moisés, disse que o processo de impeachment “é uma fraude”. “De modo algum o governador praticou ato ilegal seja comissivo ou omissivo. De modo algum falseou perante aos integrantes da CPI. Rogo que os deputados se valham dos princípios que muitos usaram semanas atrás rogando por princípio da ampla defesa, pela impossibilidade de pré julgarmos as autoridades públicas, acreditando no Poder Judiciário. As matérias ainda estão em investigação. Não há conclusão por parte dos órgãos investigativos”, afirmou.

Logo após os advogados, o presidente da Alesc, Júlio Garcia passou a palavra para os representantes das bancadas partidárias. Cada uma delas, da maior para a menor, teve até uma hora para se manifestar. “Desde a primeira Operação Oxigênio, há indícios de envolvimento com a desastrosa compra dos respiradores e com a tentativa sem necessidade na construção de hospital de campanha. Na CPI dos Respiradores, concluímos por indícios fortes do conhecimento do governador de todo o processo de compra dos respiradores fantasmas comprados por R$ 33 milhões com pagamento antecipado e sem garantias”, apontou o relator do segundo processo de impeachment, deputado Valdir Cobalchini (MDB). “Não julgamos o governador. Esta é uma tarefa para o Tribunal Especial a ser composto depois. O que estamos analisamos é se há indícios suficientes para o prosseguimento das investiações. A meu juízo, na condição de relator, os indícios são abundantes”, acrescentou.
A deputada Paulinha (PDT), líder do Governo na Alesc, saiu em defesa do governador. "Não há uma assinatura, uma mensagem de WhatsApp formal ou informal que seja que vincule a possível ciência do governador de qualquer ato específico de compra. Este home está sendo acusado de um fato que não existiu e que não há probidade no processo. Por mais que alguns tenham a vontade desesperada de condená-lo, não podemos inventar uma narrativa que não se confirma em nenhum ato administrativo", destacou. Findada as manifestações, iniciou-se as votações, que determinou a instauração do processo.
Valdir Cobalchini (MDB), relator do segundo processo de impeachment - Foto: Bruno Collaço/Agência AL

Próximas etapas
O projeto agora seguirá o mesmo caminho do primeiro processo de impeachment que já está tramitando e que acusa o governador e a vice, Daniela Reinehr de terem cometido crime de responsabilidade ao conceder, por meio de processo administrativo, a equiparação salarial dos procuradores do Estado com os vencimentos dos procuradores da Alesc.
Com a aprovação, o processo será levado para uma Comissão Julgadora Mista, formada por cinco deputados indicados pela Alesc e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Uma nova votação será feita e se seis membros da comissão votarem pelo afastamento o governador deixará de exercer seu cargo por 180 dias. Assume então o cargo de governador do Estado o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia. Caso ele não possa, o próximo na linha de sucessão é o presidente do TJSC.
A partir disso, a mesma comissão julgadora fará uma terceira votação. Se houver sete votos a favor do impeachment, Moisés perde efetivamente seus cargos. Se o processo for finalizado antes de 31 de dezembro, novas eleições diretas serão convocadas (voto popular). Caso contrário, as eleições serão indiretas (votam somente os deputados estaduais).
Veja como cada deputado votou:
MDB
Ada De Luca - Sim
Dirce Heiderscheidt - Sim
Jerry Comper - Sim
Luiz Fernando Vampiro - Sim
Mauro de Nadal - Sim
Moacir Sopelsa - Sim
Romildo Titon - Sim
Valdir Cobalchini - Sim
Volnei Weber - Sim
PSL
Ana Campagnolo - Sim
Coronel Mocellin - Não
Felipe Estevão - Sim
Jessé Lopes - Sim
Ricardo Alba - Sim
Sargento Lima - Sim
PSD
Ismael dos Santos - Sim
Julio Garcia - Absteve
Kennedy Nunes - Sim
Marlene Fengler - Sim
Milton Hobus - Sim
PL
Carlos Humberto Metzner Silva - Sim
Ivan Naatz - Sim
Marcius Machado - Sim
Maurício Eskudlark - Sim
PT
Fabiano da Luz - Sim
Luciane Carminatti - Sim
Neodi Saretta - Sim
Padre Pedro Baldissera - Sim
PP
Altair Silva - Sim
João Amin - Sim
José Milton Scheffer - Sim
PSB
Laércio Schuster - Sim
Nazareno Martins - Sim
PSDB
Dr. Vicente Caropreso - Não votou (justificou motivo de saúde)
Marcos Vieira - Sim
NOVO
Bruno Souza - Sim
PCdoB
Cesar Valduga - Sim
PDT
Paulinha - Não
PSC
Jair Miotto - Sim
REPUBLICANOS
Sérgio Motta - Sim



