Alta do dólar revigora pacotes turísticos domésticos

Valorização da moeda estadunidense derruba fluxo em roteiros internacionais

Alta do dólar revigora pacotes turísticos domésticos

ESPECIAL / Nei Manique

Se no passado navegar era preciso, como soletrou Fernando Pessoa, na atualidade a inexatidão dita as rotas aéreas. A desvalorização do real provocou queda nas viagens internacionais e acabou transferindo um fluxo expressivo de brasileiros para roteiros domésticos. Sempre detonado pelos preços elevados, o nordeste virou a bola da vez.

"Como as tarifas aéreas nacionais continuam muito altas, os pacotes domésticos têm contado com o apoio do setor hoteleiro", revela a empresária Lilian Inocêncio, sócia-proprietária da agência Brisatur. "O segmento vem praticando valores flutuantes e na semana passada fechamos um promocional para o nordeste em pleno janeiro, ou seja, altíssima temporada."

O refluxo nos pacotes internacionais favorece também opções regionais e tende a beneficiar o litoral catarinense. "Antes, Gramado tinha alta e baixa temporadas mesmo para nós aqui", lembra Lilian. "Isso acabou. A procura por Gramado agora é no ano todo e a julgar pelos contatos recentes deverá repercutir nas cidades litorâneas de Santa Catarina em janeiro."

MAIS E MENOS
Enquanto o setor hoteleiro aditiva promoções internas, algumas empresas aéreas aplicam descontos para minimizar perdas no circuito internacional. "Constatamos isso em companhias que realizam voos entre o Brasil e os Estados Unidos", revela o empresário Henrique Silvestre Wessler. "Até o voo da Azul entre Criciúma - Campinas - Orlando tem oferecido promoções."

No primeiro semestre de 2015, Wessler contabilizou duas particularidades na demanda local. "Tivemos um incremento de 15% no número de passageiros, mas uma redução no ticket médio. Mais pessoas viajaram", explica ele, "mas gastaram menos. Já no que diz respeito aos pacotes domésticos, verificamos um crescimento na busca por resorts e cruzeiros."

CASAIS E FILHOS
Ao falar do turismo doméstico, a empresária Marilene Guglielmi, da agência Terra, cita um percentual tão preciso quanto o verso de Fernando Pessoa. "A procura aumentou em 70%", quantifica, "mas não é que a tarifa aérea para os Estados Unidos ficou muito cara. Nem é. O problema é que quando se chega lá, as despesas são em dólar."

O "chegar lá" é bem menos impactante quando a opção internacional remete ao Mercosul. Quem desembarca nos aeroportos de Carrasco, em Montevidéu, ou Ezeiza, em Buenos Aires, pode pagar os táxis, hotéis e restaurantes com reais. "Casais e filhos ainda fazem este tipo de opção porque o dólar interfere menos", suaviza Marilene.

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