Canal Viagens: As belezas de Portugal

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Cheguei em Vigo que é uma cidade portuária com o maior porto receptor de frutos do mar do mundo. Circulei por toda a cidade costeando o porto. Depois de quase uma hora, ainda não tinha chegado ao fim da zona portuária e voltei para o centro que ficava no alto.

Passei em uma das muitas peixarias e comprei kani e lagosta, além de muito baratos, muito gostosos. Assim, fui procurar um albergue próximo de onde estava para passar a noite. Ao anoitecer, fui circular um pouco a pé pela cidade.

Na manhã seguinte, meu destino era Porto em direção a Portugal. Tomei o trem novamente, desta vez, faria a travessia de fronteira diferente de todas as outras. Neste trem, sentei com um japonês.

Procurava ficar sempre perto de alguém, apesar de haver muitos lugares vazios, para conversar e trocar informações. Ele falava, além de sua língua, o inglês com muita dificuldade. Ele era um peregrino que também tinha feito o caminho de Santiago a pé e iria conhecer Portugal e o resto da Espanha.

Depois de algumas horas de viagem, o japonês resolveu fazer um lanche. Muito acanhado, fazia a montagem de seu sanduíche de salame e queijo quase debaixo da mesa. Acho que era para não mostrar o que tinha para comer, sei lá.

Então, para ele não ficar sem graça achando que eu não tinha nada para comer, resolvi também fazer um lanche e foi quando tirei o kani e o rabo de lagosta que tinha comprado. Nossa! Precisava ver... Os olhos dele brilharam e ele falou em voz alta KANI. E então lhe perguntei:

“Você quer?!!”

Ele imediatamente disse que sim, e assim ficamos mais amigos. Trocamos nosso lanches e fomos trocando idéias até Porto.

Ao chegar, tinha o endereço do hotel que ficaria em Portugal. Eles chamam de Pousada da Juventude, bem longe do centro, mas tinha uma vista fantástica da cidade. Era bem no alto e me dirigi à recepção para perguntar sobre a disponibilidade de quarto e dos serviços prestados pelo albergue. Achei engraçado pois a recepcionista me disse que com a diária, estaria incluso um pequeno almoço.

Fiquei supercontente. Por menor que fosse, seria muito bem-vindo. Mesmo assim perguntei se tinha também o café da manhã e ela respondeu, com um sorriso “pois pois, o pequeno almoço é o café da manhã”. Acabei rindo de mim mesmo, pois era bom demais para ser verdade.

Fiquei sozinho num quarto com quatro camas, tudo muito confortável e limpo. Deixei minhas mochilas e fui ao mercado logo em frente para comprar alguma coisa para o jantar, alguma coisa que não fosse pão, pois já estava com saudades de comer arroz ou coisa parecida. Depois de uma bela macarronada, fui descansar para correr Porto o dia todo.

Quando abriu a cafeteria, para minha surpresa, entra o Sr. Takachi, aquele senhor japonês que tinha encontrado no trem. Ele iria passar o dia em Porto também.

Porto era exatamente como sempre imaginei, uma cidade alta e outra baixa, um lugar que já me parecia familiar, as pessoas super-atenciosas. Pedir uma informação para eles era sempre um prazer e faziam questão de levar até o local.

Lugares como Ribeira do Porto com restaurantes de peixes, artesanatos, e do outro lado, as Caves, que são as cantinas de vinhos do Porto, com degustação. Um lugar ímpar! Tratando-se de um bom vinho é um ótimo lugar para tomá-lo, “perfeito”, diria aos apreciadores desta nobre bebida.

Fui então me programando para descer a Coimbra, minha próxima parada. Tomei outro trem, mais ou menos 400 km. Chegando lá, procurei um albergue e, este sim, ficava numa verdadeira colina. Mas tudo bem, já tinha percebido que Portugal se resumia em cidades altas e baixas, sendo que andei mais de 30 km aproximadamente.

Ao chegar, fui muito bem recebido. As serventes ou zeladoras do albergue eram duas senhoras muito legais, e perguntei a uma delas se tinha alguma lavanderia por perto. Ela respondeu que não tão perto e aproveitou para perguntar se eu tinha alguma roupa para lavar. Dei uma risada e respondi:

“Sim, tudo. Até a que estou vestindo, por sinal”.

Pediu-me então para colocar numa sacola e deixar na frente da lavanderia que iria lavar e secar para mim. Bom, nem acreditei muito, mas assim fiz e desci à cidade para passear.

Fui conhecer também a Universidade de Coimbra, uma bela cidade universitária. Retornando ao albergue, minha roupas estavam com um cheirinho delicioso de amaciante, e ainda quentes. Fui tomar um bom banho e colocar as roupas limpas. Fiquei lá dois dias e depois desci para ir até o Santuário de Fátima.


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Em Fátima, fiz 70 km até Leiria, depois mais 36 km até Fátima e mais uma montanha pois o Santuário fica numa colina. Um lugar com uma paz espiritual incrível que me fez sentir muito leve, com uma sensação muito boa. Assisti a uma missa na Catedral e depois outra no Santuário, onde fica a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Comprei algumas lembrancinhas, fiz bastante orações de agradecimento e fui para Torres Novas, de onde partiria no dia seguinte para mais 88 km até Lisboa.

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Chegando em Lisboa, fui procurar um albergue, mas já era muito tarde e noite. Cheguei num lugar chamado Oriente, um bairro com uma arquitetura supermoderna, o que surpreendeu minha concepção de Lisboa. Para mim, seria como Porto, mas na verdade Lisboa tem a tal cidade alta e baixa, ou centro histórico, e uma parte moderna. Neste albergue do Oriente, estava lotado e, por azar, quando estava chegando no albergue ainda furou um pneu da bike, já morrendo de cansaço.

Implorei para que me arrumassem um lugar, mas o rapaz foi irredutível e falou “não há vagas”. Consertei o pneu da bike em frente do albergue e pedi um mapa da cidade para procurar um outro que ficava mais perto do centro histórico.

Isto tudo, já eram quase meia-noite e com o mapa em mãos, segui à procura que não foi tão difícil achar porque ao pedir informação a um casal me acompanharam de carro até o local.


Ponte Vasco da Gama,
a segunda maior ponte do mundo.

Lisboa é um lugar fantástico. Tem a ponte Vasco da Gama, com 19 km, que é a segunda maior ponte do mundo, cruzando o Rio Tejo. Fiquei dois dias em Lisboa. Corri todos os cantos possíveis.


Sintra, em Portugal

Resolvi então conhecer Sintra, uma cidade muito turística, cheia de castelos, palácios e ruínas, um lugar realmente encantador. Quis conhecer o Castelo dos Mouros, no topo de uma montanha, e lá fui eu novamente pra cima. Parecia uma perseguição, eu e as montanhas, mas sem problemas venci mais esta e cheguei ao topo, com uma vista maravilhosa de toda a cidade.


Autódromo de Estoril

Segui viagem, passando por Estoril, visitando o autódromo de F1. Passei num mercado para comprar algo para o almoço. Fui passando pela linha litorânea de Portugal, repleta de praias belíssimas. Cheguei em Oeiras. Diria que é a Mônaco de Portugal.

Quando vi o albergue de Oeiras, não acreditei. Ficava de frente para uma marina, com várias praias em torno dela, todas limpas e com uma estrutura fantástica. Pensei:

"Aqui vou relaxar bastante e recuperar alguns dos sete quilos perdidos do Caminho de Santiago”.

Fiquei lá por três dias, conheci um pessoal da Nova Zelândia e dois alemães que dividiam o quarto comigo. Eram competidores de vela, classe tornado, e estavam treinando para um campeonato de alto nível que aconteceria dentro de 20 dias. Descobri lá, uma cozinha bem montada. Peguei a bike e fui às compras, suprimentos para no mínimo três dias.

Um dia deste, estava cozinhando, conheci uma senhora e procurei assunto para tratar com ela. Já fui falando em inglês pois nada tinha de portuguesa. Ela era russa e perguntou de onde eu era. Quando eu falei que era do Brasil, ela disse:

“Então você fala Português?!”

Eu disse que sim. Ela tinha um português melhor que o meu e perguntei como aprendeu tão bem a língua. E ela:

“Aprendi com meu marido. Ele é português”.

Ela estava preparando alguma coisa com bacalhau e eu um risoto de frango. Como sou muito rápido na cozinha, terminei primeiro e ofereci um prato de risoto para eles. Ela aceitou e nesse meio tempo veio o marido, agradecendo pelo prato e dizendo que tinham adorado. Ele era escritor e moravam em Porto. Falei que tinha conhecido a cidade e que tinha gostado muito.

No dia seguinte, eles me convidaram para almoçarmos juntos. Tínhamos para o almoço bacalhau com batatas. No outro dia também, mais bacalhau, mas desta vez, com nata, e claro, acompanhado sempre de um bom vinho. Foi meu último dia em Oeiras.


Albergue em Oreias,
em frente à bela paisagem da marina.

José, o português, me convidou para ficar uma semana em sua casa no Porto e eu disse que deixaria para uma próxima vez, já que tinha passagem marcada para Milão no dia seguinte. Fiquei com pesar porque Porto foi o lugar em Portugal que mais me agradou.

Minha passagem de volta para Milão havia sido comprada pela internet, o que sempre fico com uma certa dúvida. Em se tratando de sistema, sempre pode ocorrer algum erro de informação. Depois de mais de 30 dias viajando, estaria retornando a Verona, onde tinha aquele pessoal que me dava uma retaguarda.

Acordei cedo, dei um passeio para levar aquela imagem do lugar que era belíssimo em minha mente e voltei para o albergue. Fiz o almoço mais cedo e fui para o aeroporto pegar meu vôo para Milão. Ainda tinha que desmontar a bike e eram 75 km com uma temperatura beirando os 35 ºC.

Chegando em Milão, montei novamente a bike e tomei um trem para Peschiera del Garda. Facilitaria, uma vez que da estação de trem até a casa em Peschiera, eram ainda 8 km.

Ao chegar, meus amigos ficaram muito surpresos com toda a aventura e estavam loucos para ver as fotos. Assim, fiquei quatro dias em Peschiera.

Confira no próximo domingo: Destino - Inglaterra.

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