Por Redação Engeplus
EmCarlinhos Nunes
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Depois de uma viagem de 14 dias pela bela Itália, estou me preparando para a segunda etapa, de Genova a Sant Paul Le Dax, na França, onde começaria o caminho a Santiago de Compostela. Tomei um trem de Peschiera com destino Milão. São 145 km e como já tinha estado em Milão, minha visita foi só de passagem, logo segui para Genova.
Na verdade, estava louco para conhecer aquela parte litorânea da Itália e da França. Estava com uma bagagem mais pesada, pois esta aventura duraria uns 30 dias no mínimo, e tive que levar ainda minha mala-bike, devido aos meus planos de retornar de Portugal para Itália de avião.
Ao chegar em Genova, me deparo com um dos maiores aquários do mundo.

Visitando o centro da cidade, fui ao elevador panorâmico bem no centro da cidade.

Ele sobe em aspiral, permitindo uma vista fantástica da cidade. Logo depois, fui descendo a costa que eles chamam de Costa Azzurra, entre montanha e mar.
Saint Tropez - Local de rica beleza,
com muitas adeptas do topless.


O mar mesmo é lindo, de uma cor verde esmeralda. Observei que todas as praias possuem uma excelente infra-estrutura de dar inveja. As pessoas muito a vontade nas praias, inclusive com a prática normal do topless, cultura européia vista em todas as praias que visitei, com mais freqüência claro, na França e Portugal.
Seguindo pela costa, tendo sempre como vizinho a ferrovia que cortava toda costa, beirando o mar, dando um charme a mais para a viagem. Meu destino seria cruzar a fronteira da Itália com a França, rumo a Sant Paul Le Dax, na França, passando por Savona, Nice, Mônaco, Monte Carlo, Cannes. Bem como dizem, o principado de Mônaco é muito bonito, gente bonita, e repleta de milionários.

Antes, fiquei em Ventimiglia, num camping também na beira do mar. Tinha até um cheirinho de maresia à noite, e para minha sorte, haveria um show pirotécnico em comemoração ao dia do padroeiro da localidade.
Amanheceu um dia fantástico. Quente e com céu de brigadeiro, é tudo o que um ciclista gosta. Fiz um lanche rápido, ainda na barraca e saí cortando estrada. No final da manhã já andava mais lento, pois parecia que minhas pernas diziam “vamos ficar por aqui, sol, praia e uma beleza harmônica sem igual entre montanhas e mar, não dá pra perder!”.
Armando a barraca no Camping em Ventimiglia.

Ao chegar em Mônaco, completei o circuito da F1 com a bike, pois no próximo final de semana seria o grande prêmio de Mônaco de Fórmula 1.
GP de Mônaco de Fórmula 1

Tinha até um outdoor com uma homenagem a Ayrton Senna, sendo tratado como o rei de Mônaco, por ter vencido seis vezes em Mônaco.
Outdoor de Ayrton Senna

Fui seguindo toda a costa Sant Tropez, Cannes, até Marseille, onde peguei um trem para Toulouse. Depois tomei um ônibus para Auch, uma pequena cidade na França. Cheguei eram 11 horas da noite, com uma chuva fina e fria, baixando uma nevoa fina, dificultando a visibilidade na trilha. Tentei buscar alguma informação num mercado, albergue ou camping. O problema na hora era que não tinha ninguém nas ruas, pensei: “E agora, oque faço?”
Em ritmo de F1, pequena parada no Pit Stop
para uma troca de pneus, ou melhor,
colocar um remendo!

Segui circulando pela pequena cidade, até que encontrei um senhor, e com o meu francês meio arrastado, perguntei se sabia onde eu poderia me hospedar. Ele disse que não sabia, e completou que sabia de um hotel na entrada da cidade. Fiz um mapa pela sua explicação e segui rumo a este hotel, minha única saída. Bem, era um hotel com uma diária de 85 euros, ficando fora de meus planos financeiros.
Voltei para a cidade e de longe avistei luzes acesas e pessoas na frente de uma casa. Fui em direção e descobri que era uma base do corpo de bombeiros da cidade. Fiz a mesma pergunta se sabiam onde poderia passar a noite e me indicaram um camping.
Fui em busca, um pouco mais fora da cidade, por um caminho muito escuro e fechado de árvores. Ao chegar no camping, por azar estava fechado e abriria somente no verão. Tive que retornar a base dos bombeiros e perguntei se eu poderia acampar no jardim. Bem atenciosos, disseram sem problemas, já que era quase uma da manhã mesmo.
Quando terminei de montar minha barraca, estava muito cansado, com fome e além de tudo, com muito frio. Estava louco por um banho. Foi então, que além de ter me ajudado na montagem da barraca, um dos bombeiros me ofereceu as dependências da brigada para tomar um banho quente e preparar alguma coisa para comer.
Nossa! Que sorte, pensei, e sem hesitar, aceitei. Apesar do frio, tive uma bela noite de sono. Ainda bem, pois no dia seguinte teria que pedalar mais 75 km até Mont-de-Marsan, uma cidade relativamente grande comparando aos vilarejos que tinha passado durante o dia.
Na cidade procurei alguma informação para comparar com o que eu tinha sobre o Caminho de Santiago, ou melhor dizendo, St. Jaques, como eles dizem na França.
Sempre em vias secundárias para bikes, segui para Sant Paul Lê Dax, onde começaria o Caminho de Santiago ou seja 93 km antes de fazer minha credencial, que seria em St. Jean Pied de Port.

Em Dax foi onde fiquei pela primeira vez em um albergue e para ter acesso as dependências, tive que pegar a chave com o padre.
Fui muito bem atendido e ainda informado por ele que se soubesse cozinhar e tivesse alguma coisa na geladeira, poderia utilizar.
Achei que estava brincando e me dirigi para o albergue. Eu estava sozinho e depois de um banho, fui checar as dependências.
Para minha surpresa, achei uma geladeira bem sortida, com os armários repletos de comida, e como me viro bem na cozinha, fiz um belo jantar. Após me satisfazer, pensei comigo “se todos os albergues forem assim, estou bem arranjado, confortável e seguro”.
Albergue em Dax

Se for analisar bem era até bem barato, pois o pagamento seria espontâneo. Dei 5 euros pela estadia, mesmo porque eu não sabia quanto as pessoas costumavam doar.
Segui então para St. Jean Pied de Port, onde iria fazer minha credencial para seguir o caminho de Santiago agora como peregrino oficial. Minha primeira prova de coragem e resistência seria os Pyrinneus. É uma montanha que faz fronteira da França com a Espanha, por isto chamam este caminho de caminho francês, pois até Santiago são 1.047 km, saindo de Dax.
No próximo domingo, Caminho de Santiago em 12 dias, com média de 90 km por dia de muita chuva, frio e vento.


































