Por Texto/fotos: Lene De Costa - lenedecosta@engeplus.com.br
EmEsticar de Maceió, em Alagoas, a Porto de Galinhas, em Pernambuco, é uma opção para aventureiros. Por isso às 5:30 lá estávamos eu e minha mochila na porta do hotel, prontos para encarar a estrada. São 240 quilômetros percorridos em quase quatro horas, de ônibus ou vans de operadoras locais. De carro, em menos de três horas se está lá. Se lembrarmos que Criciúma está a 3.500 quilômetros fica parecendo perto, vale a pena a esticada.
E vale a pena ir a Porto de Galinhas, um dos destinos mais procurados no Brasil, roteiro preferido de meio milhão de turistas por ano. E é só colocar os pés naquela areia para, literalmente, entender por quê. São 18km de uma areia granulada, diferente da encontrada em outros paraísos nordestinos. O cenário também ajuda: repleto de belezas naturais, com água cristalina e morna, contornada por coqueiros. Até quem não é fã de banho de mar se dobra aos encantos daquelas maravilhosas praias.
Em cima do buggy
Para começar a conhecer Porto de Galinhas, nada melhor que o tradicional passeio de buggy. É assim que o turista tem uma prévia de toda a extensão. Atualmente custa em torno de R$ 30 por pessoa, e cada buggy acomoda quatro turistas. A primeira parada para as fotos fica próxima ao centro, onde muita gente aproveita o sol. O veículo segue costeando o mar até entrar pelas estradas de chão batido em meio aos coqueiros. Algumas partes do percurso passam por dentro de propriedades particulares, onde estão instalados também luxuosos resorts.
Depois de alguns quilômetros de asfalto, chega-se a Muro Alto, o primeiro sinal de que Porto de Galinhas é o paraíso. Uma pequena entrada leva a uma área onde cadeiras e guarda-sóis estão acomodados dentro da água. A areia granulada garante a sensação relaxante. Graças aos arrecifes e falésias, a água forma piscinas naturais calmas e mornas. O único consumo no local vem de uma barraca bem rústica instalada na areia.
O caminho segue alternando entre coqueiros e asfalto. Com o vento nem dá pra perceber o calor, por isso é bom usar um bloqueador poderoso desde o início. Uma passadinha pela área central, mais estrada de chão e o buggy chega ao Pontal de Maracaipe, no sul de Porto de Galinhas. Ali o turista é liberado para curtir a praia por meia hora e tem ainda a opção de fazer um passeio de jangada para avistar cavalos-marinhos preservados pelo Projeto Hippocampus.
Piscinas naturais
Encerrado o passeio de buggy, a melhor pedida de Porto de Galinhas é o passeio de jangada, que leva às piscinas naturais. Custam menos de R$ 10 e o percurso não passa de cinco minutos. A água nas piscinas naturais tem temperatura em torno de 28 graus, e ali é possível fotografar peixes coloridos, de várias espécies. Como estes passeios dependem da maré, é preciso prestar atenção nos horários em que são oferecidos.
Uma banda pela Vila
A Vila de Porto de Galinhas abriga ótimos e estruturados restaurantes, com pratos à base, principalmente, de frutos do mar. Todo estabelecimento comercial que se preze tem na frente a sua galinha caracterizada. E vale para tudo: o restaurante oriental tem uma galinha de olhos puxadinhos, o salão de beleza tem uma galinha de bobs no cabelo, e por aí vai. Entrando em qualquer uma da infinidade de lojas de souvenirs o turista também pode levar para casa tudo que imaginar com o tema. Miniaturas de galinhas em todas as situações, das mais sérias às mais caricatas. Os preços praticados pelos restaurantes são mais caros que os localizados em outras cidades do nordeste, mas a parte dos souvenirs compensa, é tudo muito barato. É nesta região também que dá para perceber como o turismo internacional é forte em Porto de Galinhas. Andando pelas principais ruas da vila se encontra mais ou menos uma casa de câmbio para cada galinha.
Infraestrutura
Porto de Galinhas fica no município de Ipojuca, a 60km de Recife. Para acomodar os turistas, conta com cerca de cem pousadas, além de hotéis e resorts. Entre bares e restaurantes são quase 50 opções, com predomínio dos frutos do mar, mas contemplando cozinhas variadas.
De onde vem o nome
Os guias locais explicam: não foram exatamente as galinhas que originaram o nome da cidade. Depois da abolição da escravatura, era proibido comercializar escravos no Brasil, mas a regra não foi cumprida. Os navios negreiros continuavam atracando na região e contrabandeando escravos. Para driblar a lei, as pessoas eram escondidas embaixo de engradados de galinhas e a frase rodava a região: “Tem galinha nova no porto”. Por isso a vila passou a ser conhecida como Porto de Galinhas.



































