Cidade dos
Cidade dos Transportes: a serviço do descongestionamento
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre (*)
Em tempos de revisão do plano diretor urbano, um dos problemas que mais traz preocupação ao poder público de Criciúma é, sem dúvida, o congestionamento rodoviário, sobretudo causado pelos veículos pesados que trafegam no eixão da Avenida Centenário. O problema tende a agravar-se com o crescimento da população e das unidades econômicas que tendem a localizar-se no centro urbano e periferia próxima.
O Sistema Integrado de Transporte, além de modernizar/disciplinar o transporte coletivo, prestou um grande serviço em favor do descongestionamento rodoviário, ao tirar da área central cerca de 70 ônibus urbanos que ligavam o centro aos bairros. A expansão da linha troncal, projetada para a área sul, com um novo terminal fechado na Primeira Linha, combinada com um novo terminal rodoviário interurbano (estação rodoviária) previsto para o mesmo bairro, por certo afastará do centro mais algumas dezenas de ônibus interurbanos. As vias de contorno viário, quando entregues ao tráfego, por certo também desviarão da zona central grande parte dos caminhões pesados procedentes de municípios vizinhos.
No entanto, o grande problema ainda à espera de solução é o tráfego dos caminhões pesados das empresas transportadores que, além de contribuirem para o congestionamento do trânsito, causam grande desgaste na infra-estrutura física da cidade, sobretudo a subterrânea, onde estão assentadas as redes de água, esgotos, telefonia e outras.
Um empreendimento que por certo contribuirá para amenizar tal problema é o projeto denominado Cidade dos Transportes ou Porto Seco, estrategicamente localizado no bairro São João/Primeira Linha, entre a sede urbana e as principais vias de acesso à BR-101. Trata-se de projeto da iniciativa privada, a cargo das empresas e entidades ligadas ao transporte rodoviário de cargas.
Iniciado há 10 anos o projeto atende, primeiramente, ao objetivo de ali centralizar todas as sedes e depósitos das empresas, retirando do centro da cidade e bairros próximos, todos os caminhões pesados que ali circulam diariamente.
O espaço destinado ao Porto Seco dispõe de 58 hectares, onde poderão alojar-se até 120 empresas, sendo que 40 delas já têm seu espaço delimitado e pago, à espera da conclusão do arruamento para edificar suas instalações.
Além dos benefícios a contabilizar-se com o projeto, resultantes do desafogo do trâfego pesado do centro, a cidade e região também poderão contar com o CAPIT-Centro Assistencial Profissional Integrado do Trabalhador em Transporte.
O CAPIT, com área total de 33.000 m2, das quais 6.000 m2 construídos, é uma conquista do SETRANSC-Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Sul de SC junto ao SEST/SENAT (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte).
O estabelecimento, já implantado, compreende ensino e treinamento profissional e áreas destinadas ao lazer e recreação, além de assistência médica, dentária e social, capaz de proporcionar 10 mil atendimnentos mensais para a comunidade ligada aos transportes e sociedade em geral. Entre obras civis e equipamentos, foram ali investidos R$ 18 milhões, tudo custeado pelo Sistema SEST/SENAT.
Quando concluída a infra-estrutura, que compreende arruamento (4 largas avenidas de pista dupla, mais 4 ruas), praça e jardins, lá instalar-se-ão, inicialmente, além das transportadoras, 8 prestadores diretos de serviços, como posto de gasolina, oficinas, recauchutagem, autopeças, hotel, restaurantes, lanchonetes e outros mais.
Futuramente, outros serviços estarão ali disponíveis, como bancos, posto policial, farmácias, despachantes, escritórios, etc., fazendo com que, de fato, o local se transforme numa “Cidade dos Transportes”, estrategicamente localizada a 7 quilômetros do centro.
Na fronteira norte da área, junto aos trilhos, a Ferrovia Tereza Cristina adquiriu uma área de 23,5 mil m2, para ali construir um Terminal Intermodal de Cargas, onde funcionará uma EADI-Estação Aduaneira do Interior, já autorizada a funcionar pelo Ministério da Fazenda, a qual fará o desembaraço das mercadorias importadas/a exportar, via marítima.
E o que falta para concretizar este grandioso empreendimento, iniciado há dez anos, cujo projeto vem sendo até copiado por outros municípios do estado e fora dele? Simplesmente asfaltar cerca de 700 metros lineares de avenidas, ao custo estimado de R$ 4 milhões, para cuja materialização o SETRANSC conta com o apoio financeiro dos poderes públicos.
Diante da realidade que se coloca, é oportuno perguntar-se: por que um empreendimento desta envergadura e significado sócio-econômico-urbanístico não mereceu, ainda, o apoio do poder público do município, do estado e da união? Fica a questão no ar.
* Economista / Msc. Desenvolvimento Regional - Email: ajfabre@gmail.com
