
Por Mateus Mastella
Em
Que o Criciúma tem história na Copa do Brasil, isto é fato. E que a torcida sonha a repetição desta história, é mais fato ainda. De lá pra cá, foram 19, contando com essa edição, sonhando a cada ano que se passa.
Tem anos em que o Criciúma decepciona, caindo em fases iniciais contra equipes de menor expressão. Tem anos que o Criciúma avança, caindo diante dos ditos “grandes” do Brasil.
Neste ano, assim como nos demais, o torcedor continua sonhando, mas com motivos de sobra. Antes de sonhar, tem um desafio difícil pela frente, diante do Fluminense, e o Criciúma, sob o comando de Paulo Baier, pode fazer história com a classificação em pleno Maracanã, e os motivos estão listados abaixo:
30 anos da Copa do Brasil
Neste ano de 2021, comemora-se os 30 anos do maior título que o Criciúma já conquistou, e um dos maiores de Santa Catarina. Tudo bem que a torcida, imprensa e diretoria do Criciúma reverenciaram por anos os ídolos de 91, vivendo apenas de passado, porém, neste ano, é preciso reverenciar e resgatar através das memórias o espírito do time que já fora campeão uma vez.
O próprio uniforme já é uma homenagem por si só, com traços daquele ano, fazendo o torcedor enxergar o time de 91 ao invés de 2021, através da camisa nostálgica.
Outro fator que os 30 anos podem proporcionar é a ação da diretoria e comissão técnica com os jogadores, sempre falando daquele ano e colocando na cabeça dos jogadores, a toda custa, a importância desta competição para o Criciúma
“Era Paulo Baier”
O ídolo como jogador e agora técnico do Criciúma, Paulo Baier, tem sido motivo de euforia entre todos em torno do clube. Desde a sua chegada, mesmo com as duas derrotas consecutivas, motivos não faltam para acreditar:
Já foi ídolo e líder como jogador quando passou pelo Criciúma, sendo respeitado por toda a torcida, levando suas credenciais para ser técnico com apoio unânime de todos;
Fez história na cidade, comandando o Próspera da Terceira Divisão do Estadual até a Primeira Divisão, com uma classificação à Série D do Brasileiro e nas quartas do Estadual;
É um treinador vibrante, que está à beira do campo comandando a equipe,praticamente louco para entrar em campo, contando até com o auxiliar Luciano Almeida para acalma-lo;
Por ser vibrante, pode utilizar do fator motivacional para reanimar os jogadores e isso ele já o fez quando chegou no Criciúma. Em maio, todo o elenco, recém-rebaixado a Segunda Divisão do Estadual, estava completamente desanimado, e Baier trouxe os atletas de volta, com heroica classificação na Copa do Brasil e uma liderança na Série C.
É conhecido no Brasil inteiro como jogador e pode ser respeitado por todos os jogadores, afinal, quem é que não queria aprender sobre futebol com Paulo Baier?
Um fenômeno no Criciúma
Não, não é o Ronaldo, e sim, o que está acontecendo com o Criciúma neste ano. Primeiro, o clube foi rebaixado no Catarinense em maio a heroicas classificações da Copa do Brasil, diante da Ponte Preta e América Mineiro, ambas nos pênaltis. Em 91, foi parecido, pois em meio a disputa da Copa do Brasil daquele ano, o Criciúma foi rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro.
Mas o termo “fenômeno” referido é a forma como o time está jogando. Nos últimos 15 anos, não se via um Criciúma que brigava por qualquer bola, comendo grama em todos os lances, jogando o “jogo da vida”. praticamente. Já teve inúmeros times melhores tecnicamente do que o atual, porém, nenhum com tanta garra como o que está sendo montado pelo técnico Paulo Baier e o auxiliar Luciano Almeida.
Merecimento
Não é a questão moral, mas uma questão de almejar o título mais que qualquer outro adversário na competição.
Os grandes clubes começam a desejar o título a partir de uma semifinal onde o “olho cresce” por causa da premiação. Os clubes ditos “grandes” focam suas energias em um Campeonato Brasileiro ou Libertadores.
Já os clubes de menor expressão buscam uma classificação ou outra para bancarem seus compromissos financeiros, pois a premiação é alta em qualquer fase.
O Criciúma, por sua vez, já está com boa saúde financeira, sobrando dinheiro para dividir entre os jogadores e comissão técnica. Juntando a saúde financeira, vem o fator mais importante: o Criciúma quer a Copa do Brasil mais do que qualquer outro clube, e, pela primeira vez em anos, os cinco pilares do clube estão em completo alinhamento: torcida, diretoria, imprensa, comissão técnica e jogadores.
Cheque em campo
Que a premiação em cada fase na Copa do Brasil é gorda, não é segredo. Agora, o Criciúma dividir a premiação entre os atletas e comissão técnica desde as fases iniciais é para poucos.
Os clubes ditos “grandes” já pagam altos salários aos seus atletas, portanto, 400, 500 mil dividindo entre todos não seria lá grande motivação, pois o salário é maior. Os clubes ditos “pequenos” precisam do dinheiro para suas despesas, o Criciúma tem condições de dividir entre todos e o dinheiro faz uma diferença enorme no bolso de cada integrante de um clube de Série C.
Ainda mais com um cheque grande no vestiário, antes do jogo decisivo, e o clube pagando antes mesmo de a CBF fazer o PIX da classificação. Isso motiva qualquer um a entrar em campo e comer grama.
Uma coisa seria épica: o presidente Anselmo Freitas entrando no gramado do Maracanã, com um cheque de 2 metros para entregar aos jogadores após uma classificação diante do Fluminense, seria histórico!!
Didé Fontana, jornalista, colaborando para o Tabelando e Engeplus. @didefontana
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