Automobilista
Ford Maverick Hybrid 2026: a primeira híbrida entre as pick-ups intermediárias
Ótimo acabamento, tecnologia e economia de combustível
Por Tiago Sasso
4 min de leitura

Visitando a Agroponte há algumas semanas, chamou-me a atenção uma pick-up de uma categoria até então inexplorada pela Ford. Atraído pela estética do carro, questionei o Luiz, da Ford, sobre o veículo e a resposta veio em forma de convite para um test-drive.

No mesmo dia, disponibilizaram-me não uma, mas duas Maverick para teste: uma na versão Hybrid -tema desta coluna- e outra na configuração Tremor. As diferenças vão muito além da grafia e são tantas que, provavelmente, renderão outro texto dedicado exclusivamente a ela.

Em 2015, a Renault lançou a Duster Oroch, uma pick-up derivada de um SUV da marca, maior que as compactas e menor que as médias. Nascia ali o segmento das intermediárias, uma categoria que encontrou espaço em um mercado que gosta tanto de SUVs quanto de camionetes, muitas vezes sem necessariamente precisar delas. A fórmula prosperou e hoje reúne diversos modelos, faixa em que a Ford passou a disputar espaço com a Maverick.

O motor é um 2.5 a gasolina de ciclo Atkinson, conceito amplamente utilizado em sistemas híbridos por privilegiar a eficiência. Trabalhando em conjunto com o propulsor elétrico, entrega potência máxima combinada de 194 cv e torque de 21,4 kgfm. A força chega às quatro rodas por meio de uma transmissão automática eCVT e do sistema de tração integral AWD inteligente.

A Maverick se mostrou muito ágil tanto no uso urbano quanto no rodoviário. Andando pela Avenida Centenário, tive a impressão de que, na maior parte do tempo, era o motor elétrico que movimentava o carro. Apenas um pequeno zunido denunciava seu funcionamento. Os consumos divulgados pelo Inmetro são de 15,7 km/l na cidade e 13,6 km/l na rodovia, uma inversão de consumo já conhecida nos veículos híbridos.

A Maverick possui um interior extremamente bem elaborado. O espaço para os ocupantes da frente é confortável, e a posição de dirigir entrega exatamente o que se espera de um veículo Ford. Atrás, os bancos mantêm características típicas de uma pick-up, mas a distância entre o assento e o teto é muito boa. É um carro adequado para viagens longas, desde que, quem ocupe a segunda fileira não seja muito alto(a).
Ao conduzir a Maverick, fica evidente o quanto os sistemas de assistência evoluíram. O conjunto ADAS reúne piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego e farol alto automático. Ver o carro corrigindo a trajetória pelo volante e, ao mesmo tempo, alertando para manter as mãos nele transmite uma curiosa sensação de futuro.

Há bastante capricho também no que diz respeito à conectividade e ao entretenimento. A central multimídia SYNC 4 possui tela de 13,2”, enquanto o painel de instrumentos digital tem 8”. O sistema de som premium Bang & Olufsen conta com oito alto-falantes; inclusive com unidades traseiras instaladas nas colunas, e não nas portas. Apple CarPlay e Android Auto sem fio, por sua vez, já se tornaram praticamente obrigatórios nos veículos mais recentes.

É difícil tecer comentários críticos sobre a Maverick, além da questão do espaço e da posição no banco traseiro, característica comum às pick-ups que conheço. A câmera 360º, por exemplo, não entrega a melhor definição de imagem disponível no mercado. Ainda assim, isso não chega a ser um demérito da Ford, mas mérito de alguns modelos de fabricantes chineses -inclusive já abordados nesta coluna- que elevaram bastante o nível nesse aspecto.

A Ford oferece garantia geral de três anos, sem limite de quilometragem, além de oito anos ou 160 mil quilômetros de cobertura para a bateria de alta tensão e os componentes do sistema híbrido, prevalecendo o que ocorrer primeiro.

Quando se trata de híbridos, uma das principais motivações para a escolha é a economia de combustível. Em um país de pick-ups, estender essa possibilidade aos veículos com caçamba, e não apenas aos automóveis de passeio, abre um novo espaço a ser explorado pela Ford e oferece mais uma boa alternativa aos consumidores.

Além de ser um bom veículo, produzido por uma montadora tradicional, a Ford Maverick é, de certa forma, um símbolo do que o mercado está se tornando. Uma pick-up com caçamba, dinâmica próxima à de um sedã, propulsão híbrida e inúmeros auxílios à condução que tornam a experiência cada vez mais automatizada. Uma proposta completamente diferente daquela do Maverick que rodava pelas estradas brasileiras na década de 1970. Diante de dois conceitos tão distintos carregando o mesmo nome, fica a pergunta: proporcionalmente às suas épocas, qual Maverick será mais bem aceito pelo mercado brasileiro?
Ficha técnica do veículo: https://www.ford.com.br/hibridos/maverick-hybrid/hybrid/
Youtube: https://youtu.be/ur_-u3Zyi98
Instagram: https://www.instagram.com/automobilista_ti/



