Por Texto/fotos: Nei Manique - neimanique@engeplus.com.br
EmDá para imaginar um canteiro de obra pública no centro de sua cidade com um banheiro químico à disposição dos operários? Em Porto Alegre, dá. E guardrails para proteger pedestres numa esquina recordista em acidentes de trânsito? Na capital gaúcha, eles são comuns.
Na maior metrópole do sul do país, o apreço cultural pela leitura inunda os bairros com bancas de revistas e jornais sobre as calçadas. Sim, sobre o passeio público, algo impensável em Criciúma. As curiosidades urbanas, porém, deslocam o eixo da cultura para outra obsessão nativa: as pichações.
Em todo o perímetro urbano, é praticamente impossível achar uma quadra imune à “expressão artística” dos sprays. Casarões e até monumentos históricos ganharam seus traços e rabiscos, sem falar de fachadas inteiras de prédios. Por inteira, entenda-se, até a última laje do edifício.
No bairro Santana, um lojista negociou uma trégua. Repassa 10% do salário mínimo a uma instituição de caridade a cada 30 dias em que é poupado pelos grafiteiros. Custeado pelo “imposto beneficente”, o armistício tem logrado êxito. Aos olhos de fora, Porto Alegre é decididamente uma cidade que tanto encanta quanto surpreende.


































