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Com três meses, Penitenciária Sul busca parcerias

Por Redação Engeplus

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Passado o período de ajustes, a Penitenciária Sul completa três meses de ocupação neste sábado na busca por parcerias empresariais. São 241 presos já condenados num espaço com capacidade para abrigar 352. Todos à espera de trabalho.

A exemplo do Presídio Santa Augusta em 2005, uma padaria deve ser aberta na penitenciária no início de 2009. Todos os maquinários já foram adquiridos e a direção aguarda pela ampliação de uma área para ativar a padaria.

O complexo, porém, oferece ainda quatro salas amplas para a implantação de oficinas. Elas estão à disposição de empresas interessadas na produção carcerária. “Temos mão-de-obra e os presos querem trabalhar”, informa o diretor geral da penitenciária, Adércio Velter.

Enquanto aguardam pela implantação das oficinas, os presos dedicam a maior parte do tempo à confecção de grampos de roupas para diminuir as penas a que foram sentenciados. Três dias de trabalho garantem a diminuição de um na condenação.

O trabalho é realizado dentro das próprias celas. Fora dela, o tempo é dedicado aos estudos para a maioria dos presos. Quem demonstra interesse pela alfabetização e pelo trabalho ganha alguma “regalia”, como acesso à televisão. Rádio na cela somente para quem apresenta bom comportamento.

Os detentos demonstram também estar em sintonia com as novas regras de uma penitenciária. A maioria veio do Santa Augusta, do Regional de Araranguá e de São Pedro de Alcântara. A visita familiar neste período inicial restringe-se ao contato por interfone, separado por um vidro. Com bom comportamento, os presos poderão ter acesso à sala coletiva de visitas e mais tarde ao tão esperado encontro íntimo.

SEM MOEDA DE TROCA
Nenhum detento na Penitenciária Sul fuma. Cigarros não entram no local para evitar moeda de troca, assim como é proibido usar tênis e sapatos no complexo. “Além do cigarro, o tênis é uma importante moeda de troca e para evitar o comércio todos andam de sandálias pelas galerias”, justifica Adércio.

A pena máxima na Penitenciária Sul é cumprida por dois detentos da região do Vale do Araranguá. Condenados por estupro, atentado violento ao pudor, assalto à mão armada e latrocínio, cada um cumprirá 90 anos e três meses de reclusão.

O detento de número 001 da Penitenciária Sul caminha tranquilamente pela área destinada à administração do presídio. Mais conhecido pelo número, ele ganhou a função de faxineiro, trabalho que o agricultor de uma localidade do extremo-sul do estado não pensava em desempenhar, mas que hoje realiza com orgulho.

Com 14 filhos, aos 56 anos,ele cumpre pena de 16 anos e oito meses por estupro. Teve um relacionamento com uma filha que resultou numa criança, hoje com sete anos de idade. Na época, a filha tinha 16 anos. Arrependido, ele confirma os dois encontros íntimos realizados em um galpão localizado nos fundos da residência da família.

“Não forcei nada e não sabia que estava cometendo um crime", diz. "Hoje estou arrependido e envergonhado com tudo isso.” Com freqüência, ele recebe a visita da esposa, mas ainda sente receio em rever os filhos. “Vou pagar pelo meu erro. Os valores que eu não tinha, vou levar daqui porque quero voltar a ter dignidade.”

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