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Ditadura Militar

Comissão quer ouvir a história ainda não contada da ditadura

Sul catarinense tem quatro das dez vítimas de SC. Criciúma receberá Audiência Pública em 5 de maio

Por Redação Engeplus

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Foto: Vanessa Amando

Para muitas pessoas, falar sobre a Ditadura Militar no Brasil é como mexer em uma ferida que ainda não está cicatrizada. No entanto, a dor trazida pela lembrança de um período ainda considerado obscuro na história nacional, tendo em vista as diversas mortes, torturas e desaparecimentos de pessoas, não deve impossibilitar a busca pelo esclarecimento de determinados fatos ocorridos durante os 20 anos de duração do regime imposto pelo militarismo no país.

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Por isso, a Comissão Nacional da Verdade, formada em 2012, realiza Audiências Públicas em todo o Brasil. Um dos principais objetivos é reunir o maior número possível de informações a respeito das vítimas mortas ou desaparecidas durante a Ditadura Militar. Inclusive, a região Sul catarinense possui pessoas nessa lista e realizará uma Audiência Pública no dia 5 de maio. O encontro será no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Criciúma, no Centro, a partir das 18 horas (confira convite na galeria de imagens).

A historiadora Derlei Catarina De Luca, membro da Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright, destaca a importância em ouvir os familiares dos mortos e desaparecidos, assim como os ex-presos políticos ou seus parentes. Também é fundamental a reunião de documentos e informações sobre o período passado.

"Mesmo após 50 anos do Golpe Militar (ocorrido no dia 31 de março de 1964), é muito importante localizar essas pessoas para construirmos a história não contada deste país. Na década de 60, Criciúma teve o segundo sindicato mais combativo do Brasil, que foi o dos mineiros. Também pela influência brizolista do Rio Grande do Sul, Criciúma foi muito atuante na época", lembra Derlei.

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Ela complementa que, por esses e outros motivos, somente a região carbonífera possui o registro de 91 presos políticos naquele período, sendo que em todo o Estado foram em torno de 600 pessoas presas. "Além disso, tivemos sete assassinatos e três desaparecimentos em Santa Catarina. Todas essas pessoas viveram e tiveram uma história, precisamos contá-las", ressalta a historiadora.

Para a Audiência Pública do próximo dia 5, Derlei pede a participação e colaboração, principalmente, dos familiares de quatro pessoas ligadas ao Sul catarinense (fotos de arquivo estão na galeria de imagens):

Arno Preis - nascido em Forquilhinha em 1934 e morto em 1972 em um confronto com policiais civis e militares;
Ruy Pfutzenreuter - nasceu em Orleans em 1942, foi preso em 1972 e morto sob tortura;
João Batista Rita - nascido em Braço do Norte em 1948, foi preso e torturado em 1970, e seu corpo nunca foi encontrado;
Divo Fernando D'Oliveira - nasceu em Tubarão em 1895 e as circunstâncias sobre sua morte, assim como a localização de seu corpo, são desconhecidas até hoje.

Todas as informações obtidas sobre as vítimas catarinenses da ditadura serão reunidas até junho deste ano e farão parte de um relatório geral que será divulgado em dezembro pela Comissão Nacional da Verdade. A partir disso, segundo Derlei, busca-se a justiça.

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