
Por Mateus Mastella
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Em março de 2020, diante de 4261 pessoas presentes no estádio, Criciúma se classifica após empate sem gols diante do Figueirense no Estadual. Ninguém esperava que fosse este o último jogo com público. O futebol parou no Brasil e no mundo, devido a pandemia. Quatro meses depois, o futebol vai voltando aos poucos e o Criciúma vai a campo contra o Marcílio Dias pelas quartas do Estadual; é um jogo estranho, sem público no estádio; o Criciúma joga ao som da torcida reproduzido em gravação no alto-falante do estádio. O torcedor só pode acompanhar o Tigre pelo rádio ou televisão/streaming.
Sem público, estádio vazio, convidados, imprensa e membros da diretoria são figuras carimbadas entre os únicos presentes no Majestoso durante um ano e meio. Em estádio vazio, muita coisa aconteceu em torno do Criciúma, coisas boas e ruins, assim como mudanças no clube.
Foi sem público
Foi sem público que o Tigre reestreou na Série C e foi do céu ao inferno, brigando pelo acesso e, no final, brigando para não cair a Quarta Divisão Nacional.
Foi sem público que aconteceu a última transição na presidência do Criciúma, saindo Jaime Dal Farra e entrando Anselmo Freitas.
Foi sem público que o Criciúma começou uma nova era, da pior maneira, caindo para a Segunda Divisão do Catarinense.
Foi sem público que o Criciúma chegou até às oitavas da Copa do Brasil de forma heroica, vencendo duas partidas nas penalidades.
Foi sem público que o Criciúma se tornou invicto jogando dentro de casa na Série C, vencendo todas e empatando apenas uma.
Foi sem público que o ídolo como jogador, agora técnico, Paulo Baier, estreou no Criciúma e fez um trabalho que deixa o Tigre entre os 4 classificados para a próxima fase da Série C;
Foi sem público que muitas mudanças aconteceram no Heriberto Hülse. E agora será com público de volta que o Tigre vai, finalmente, ressurgir, coisa que já vem acontecendo aos poucos.
Saudade de casa
Quarta a noite, espetinho em frente ao estádio, batuques das bandas carvoeiras, concentração de torcedores, e principalmente, todos com as cores amarelo, preto e branco, fazendo mais uma festa daquelas. Tudo isso vai voltar, aos poucos, com regras sanitárias, mas já é mais do que o suficiente para matar a saudade do torcedor de ir ao estádio.
O contato com o time em dias de jogos, que antes se limitava aos portões do estádio em ocasiões comemorativas, agora volta a ser, de forma limitada, da forma que o torcedor gosta: dentro do estádio.
Mudança de eras
O torcedor viu o Tigre em campo pela última vez em uma era passada; recém-rebaixado, recém-eliminado na primeira fase da Copa do Brasil, de forma desastrosa, tomando 4 gols do Santo André.
O torcedor vai voltar a ver presencialmente o Tigre em campo em uma nova era; alcançou as oitavas da Copa do Brasil de forma milagrosa, meses depois de ser rebaixado no Estadual e estando entre os 4 primeiros do grupo na Série C, que classifica para a briga definitiva ao acesso a Segunda Divisão.
Do “fique em casa” ao vá para o estádio
Em dias de jogos do Criciúma, torcedores, estejam eles no trabalho, estudando ou no bar, esperava ansioso para o horário de ir ao estádio ver o Tigre jogar. A pandemia veio e trancou os portões dos estádios para aqueles que consideram o local como “segunda casa” em dias de jogos. É em casa, bares e outros locais que o torcedor dava um jeito de acompanhar o Tigre, não da forma que queria, mas era o que tinha para hoje.
Agora, aos poucos, tudo está voltando ao normal e a ansiedade em retornar ao estádio vem do tamanho da grandeza deste time, que de alegrias e tristezas em um ano e meio, convoca o torcedor para o retorno ao Majestoso, afinal, é hora de voltar para casa!!!
@Didefontana é jornalista e colabora para o Tabelando e Engeplus
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