Crônica do Didé: Maior queda em noite mal dormida

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Por Didé Fontana

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Crônica do Didé: Maior queda em noite mal dormida
Foto: Celso da Luz/CEC

Quarta-feira, 21 de abril, dia frio e chuvoso, noite mal dormida para muitos, e bem dormida para poucos – e com o pior rebaixamento da história na conta do Criciúma Esporte Clube.

Anselmo Freitas, Wilsão, Lalo, Rampinelli, dentre outros que, de longa data, estão envolvidos de alguma forma com o clube, passaram o dia de certa forma, tensos, nervosos, pois tinham a difícil missão de salvar o clube do maior vexame da história.

Emerson Crippa, Fabrício Júnior e Mateus Mastella, Ronald Cipriani, assim como demais membros da imprensa local, vivenciaram a maior tragédia na história do clube a qual sempre se entregaram através da comunicação – o trio citado até fez brincadeiras, imitando os cavaleiros Jedis de Star Wars pela manhã nas redes sociais, para aliviar a tensão.

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Seu João, de 87 anos, que viveu na pele o clube desde a fundação como Comerciário Esporte Clube, passou o feriado com o radinho e remédios, pois estava apreensivo com o maior desastre da história de seu clube; Pedro, de 36 anos, não sabia o que fazer para esperar o tempo passar até o jogo a noite, por isso, ficou assistindo vídeos dos Criciúma dos anos 90, lembrando dos tempos de quando criança ia ao estádio ver o lendário time dos anos 90.

Aqueles que representavam a camisa e o símbolo de toda uma cidade e região acordaram, tomaram café, mexeram no celular, dormiram ou ficaram de resenha durante a tarde, e de noite, tinham uma missão a cumprir – a julgar pelo desempenho, trataram apenas como tabela a cumprir. Falo deles, dos jogadores.

Cada um por si, cada um com seus projetos profissionais, saíram do ônibus e se dirigiram ao vestiário, que estava silencioso, descontraído ou com gritaria típica de vestiário de futebol, pouco se sabe o ambiente, mas vai do imaginário de cada leitor.

A equipe do Tabelando, assim como demais equipes setoristas, confiantes estavam pelo Tigre, acreditando que forças maiores levassem a crer a permanência do clube, pois vivem de transmitir emoções, pois o sentimento, a fé e a entrega pelo clube, são maiores que tudo aquilo inserido aos homens de chuteiras que nada fizeram.

Os torcedores, de suas casas, confinados, rezando, fazendo seus típicos rituais, escutando no rádio ou assistindo na transmissão televisiva, estavam com uma mistura de descrença no time e esperança no símbolo.

Anselmo Freitas, que assumiu o clube que sempre esteve ligado deste os tempos de gandula em sua juventude, estava mais nervoso que qualquer um, afinal, ninguém quer estar a frente da maior queda da história do clube, mas o presidente não tem culpa e não merece toda essa crise histórica.

Wilsão, ídolo como jogador e sempre à disposição do clube fora das quatro linhas, também deve ter passado um dos dias mais difíceis de sua vida como profissional no futebol, e deve ter sentido na pele o que foi a noite desta quarta-feira.

Aos homens de chuteiras, que chegaram a pouco tempo e nada fizeram, foi mais uma noite de trabalho, e malfeito.

No início da semana, receberam uma bronca da presidência. Alguns aceitaram, outros não, e assim foram a campo. Reação foi pouco notada, principalmente no começo, mas nada que engrandecesse o futebol que não foi visto.

Vários chutes fracos a gol, pouca ousadia, trapalhadas defensivas e quase gol contra, erros de passe, Wilsão gritando a cada crime com a bola, nenhuma entrega de sangue, zero criatividade, escanteio esquisito com dois a três homens atrás da bandeirinha, auto impedimento... cada coisa nesse jogo que caracteriza terem dormido o feriado inteiro e acordaram na hora do jogo.

Após o gol de pênalti, que não foi contestado pela imprensa e torcida, uma reação sem direção foi percebida. Jogadores iam para a área sem saber o que fazer, mas um milagre não acontece com aqueles que não lutam o tempo todo....

Acabou a partida, acabou a noite de trabalho, cada um saiu tranquilamente, afinal, estava frio e tarde, pouco importa o time que trabalham e foi rebaixado.

Luzes do estádio foram se apagando, Rampinelli renunciando como diretor de futebol, presidente, abalado, colocando seu cargo à disposição do conselho e jogadores, sem o peso da consciência pela falta de entrega o estadual inteiro.

A noite foi mal dormida por todos que vivenciam direta ou indiretamente o Criciúma Esporte Clube – desde o torcedor, seja idoso, adulto ou criança; seja o setorista da imprensa que cobre e sofre todo dia o clube; seja a nova diretoria que assumiu com a missão de levar o clube de volta ao lugar que merece estar; seja o presidente que está sofrendo com tudo isso; seja com o Wilsão que foi ídolo como jogador e prestativo sempre que o clube precisou; seja com qualquer pessoa que trabalha no clube, desde porteiro, secretária, segurança, assessoria de imprensa, qualquer pessoa.

Dormiu bem quem veio de paraquedas e se considera nada a ver com tudo isso; dormiu bem quem sabe que o contrato logo acaba e que recebendo em dia, está tudo certo; dormiu bem quem não sente o tamanho da responsabilidade dormiu bem os jogadores, ou parte deles.

Crônica do Tabelando – Didé Fontana - Jornalista

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