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Décadas de

Décadas de papo para driblar a concorrência

Por Redação Engeplus

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Atrás do balcão da loja especializada em malas, bolsas e sacolas na rua Henrique Lage está um comerciante que conta e ouve histórias de viagens enquanto oferece seu produto. O sotaque ainda entrega a origem estrangeira confirmada pelo nome e sobrenome: Abdo Hamad. Nascido na Palestina, desembarcou no Brasil com 19 anos acompanhado por um único amigo, fugindo da guerra entre Israel e seu país e sem medo da nova realidade numa terra distante.

"Na aldeia em que eu morava não tinha mais estudo, mas ir pra Jerusalém não dava, a guerra destruía tudo, entravam nas casas, matavam gente. Lá, não dava para ir", conta. Ele lembra que aprendeu a dirigir com os militares, e chegou a pensar em integrar o exército, idéia não aprovada pela mãe. "Pra guerra meu filho não vai, ela dizia".

Depois de uma breve passagem por Londres, decidiu vir para o Brasil e recorda o começo difícil no país escolhido para uma estadia de dois anos, e que já dura mais de 40. "Na Palestina eu era filho de papai, só estudava. Aqui trabalhei desde o começo, trabalho duro", acentua.

Do início na profissão de mascate, Abdo relembra sem demonstrar tristeza de passar até 48 horas sem comer e carregar muita mala em meio às plantações para vender seus artigos. O primeiro negócio próprio foi montado em São Paulo, uma loja de roupas feitas. Em Criciúma, é lojista desde 1962. Já foi empreendedor no ramo de tecidos e calçados, e explica por que optou pela troca de mercadoria. "Não gosto de concorrência", revela. "Quando tinha loja de calçado aqui, existiam só mais duas ou três. Hoje, olha quantas são. E olha quantas lojas de malas têm hoje ", comemora.

Mesmo com lábia para vender qualquer produto, o comerciante tem suas preferências. "Bolsa não gosto de vender. Quando o cliente quer bolsa, chamo a vendedora. Eu e minha esposa gostamos de vender malas".

Abdo acredita que o pequeno número de concorrentes ajuda a manter o negócio rentável, mas o diferencial dele está mesmo é no atendimento. “É o meu ponto forte”, define. E basta acompanhar uma venda para comprovar isto. Além de escolher a mala mais adequada ao perfil do cliente, o comerciante dá dicas de viagem, troca informações sobre outros países e, claro, dispara alguns elogios para "ganhar" o comprador.

Satisfeito por ter escolhido o Brasil? A resposta está na ponta da língua: "Não tem nada igual ao Brasil. O mundo inteiro gosta e quer vir pra cá".

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