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Opinião

Desabafo de

Desabafo de uma atleta

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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" Todo mundo fala que os deficientes são exemplos de superação, principalmente quando se trata de esportes. Todos falam que somos modelos de determinação e força de vontade. Porém, essa “admiração” fica só em palavras. No momento em que ocorre uma competição, como um Pan ou uma Olimpíada, os “heróis” são esquecidos e deixados para segundo plano.

Um grande exemplo foi o Pan e Parapan de 2007. Enquanto o país convencional gritava “o Brasil é bronze”, com a conquista de 161 medalhas, o Brasil dos “manquinhos”, “surdinhos” e “ceguinhos”, ficava em silêncio mesmo com a conquista de 228 medalhas. Os brasileiros demonstraram todo orgulho com o terceiro lugar, porém, ninguém percebeu que um mês depois, o Brasil foi ouro, o destaque das Américas. Logo depois do termino do Pan de 2007, as pessoas voltaram para a sua rotina, simplesmente esperando e aguardando o próximo Pan e, assim, deixaram passar batido um show que conquistou 83 medalhas de ouro, 65 de prata e 77 medalhas de bronze.

Infelizmente, a história está se repetindo com o Pan e Parapan, realizado este ano no México. Contagem regressiva, preparação, ansiedade e expectativa, tudo relacionado com o mundo convencional. A Record, rede de televisão que cobriu os jogos, criou o quadro “Minuto do Pan”, em que traz rápidas notícias sobre a competição. E o Parapan? Alguém fala, cita ou mesmo lembra que também está ocorrendo os jogos adaptados?

Pois é, falamos em igualdade, inclusão e todo aquele papo de herói e de exemplo. Entretanto, não queremos ser super-homens e nem supermulheres, queremos ser vistos, lembrados pela nossa marca, tempo ou gols. Não queremos ser etiquetados com isso ou aquilo, queremos mais que palavras bonitas, queremos espaços, dignos pelas nossas próprias conquistas.
Medalhas, pódio, recordes, tudo faz parte do mundo do atleta, assim como do para-atleta. E se conseguimos ter força para treinar diariamente, quebrar nossas próprias dificuldades, reeducar nosso corpo para a prática esportiva, passar por cima do preconceito, superar a baixa estima, recomeçar do zero e conhecer uma nova perspectiva de mundo por meio do esporte, estamos mais que aptos para sermos tratados iguais a qualquer atleta.
Não somos melhores e nem piores que os atletas normais. Assim como qualquer esportista, queremos ser reconhecidos, pois damos tudo o que temos para representar nossa pátria querida.

Toda força mental, física e espiritual. Toda garra, energia e entusiasmo. Tudo, muitas vezes, tudo o que temos. Nos entregamos de corpo e alma, pois somos viciados pela adrenalina que as competições proporcionam, além disso, somos viciados pela sensação em olhar para o próximo e não ver diferença nenhuma. Portanto, apenas o que reivindicamos é igualdade, mas dessa vez de verdade, não apenas da boca para fora" .

Maryele Cardoso - atleta na modalidade de atletismo (lançamento de disco) e praticante do handebol sobre cadeiras na Satc

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