Arquitetura e Design Contemporâneo

Dia do Arquiteto

Precisamos comemorar

Contribuições de ícones da Arquitetura no Brasil

Por João Rieth16 de dezembro de 2025 3 min de leitura
João Rieth

15 de dezembro - Dia do Arquiteto e Urbanista, precisamos comemorar!

Se nossas cidades, casas e apartamentos, ambientes comerciais e institucionais possuem novas soluções e proporcionam a melhoria da qualidade de vida de seus usuários, é porquê alguém planejou e projetou estes espaços e certamente passou pelas mãos de um Arquiteto (do grego “construtor principal”). Este profissional trabalha com diferentes níveis de complexidade, dependendo da escala de seus projetos.

No Brasil, temos o privilégio de conviver com as obras de profissionais que trouxeram grandes contribuições à arquitetura mundial como Oscar Niemeyer (Brasília) e Santiago Calatrava (Museu do Amanhã RJ). São dois nomes centrais da arquitetura dos séculos XX e XXI, frequentemente associados pela expressividade formal de suas obras, mas separados por visões conceituais profundamente distintas sobre o papel da arquitetura.

Oscar Niemeyer (1907–2012) foi um dos principais protagonistas do modernismo brasileiro. Sua arquitetura nasce do desenho livre e da intuição artística, tendo a curva como elemento fundamental. Inspirado no corpo humano, na paisagem natural e na cultura brasileira, Niemeyer via a arquitetura como um ato poético e político. Para ele, a técnica e a engenharia eram instrumentos a serviço da forma e da ideia, jamais o ponto de partida do projeto. O concreto armado, material-chave de sua obra, permitiu criar edifícios leves e escultóricos, que valorizam o espaço público e a experiência coletiva. Brasília é o exemplo máximo dessa visão: uma arquitetura monumental, simbólica e cívica, pensada como expressão de um ideal social.

Santiago Calatrava (1951–) representa uma abordagem distinta, marcada pela fusão entre arquitetura, engenharia e escultura. Com formação em engenharia estrutural, Calatrava concebe edifícios nos quais a estrutura não apenas sustenta, mas define a forma. Suas obras evocam referências biológicas e mecânicas — ossos, asas, espinhas — e frequentemente incorporam elementos móveis, reforçando a ideia de movimento. O uso de concreto branco, aço e vidro cria uma estética tecnológica e futurista, associada à arquitetura icônica da globalização. Diferentemente de Niemeyer, Calatrava projeta edifícios que muitas vezes se destacam como objetos autônomos na cidade, priorizando o impacto visual e simbólico.

Apesar das diferenças, ambos compartilham a busca por uma arquitetura expressiva e não utilitária no sentido estrito. Niemeyer alcança a expressividade pela liberdade formal e pela carga simbólica; Calatrava, pela complexidade estrutural e pela teatralidade técnica. As críticas também revelam contrastes: enquanto Niemeyer foi questionado por soluções funcionais por vezes secundárias, suas obras tendem a ser mais simples do ponto de vista construtivo e de manutenção. Calatrava, por sua vez, enfrenta críticas recorrentes relacionadas a custos elevados, prazos e manutenção de suas estruturas complexas.

Em síntese, Niemeyer representa a arquitetura como poesia e gesto social, profundamente enraizada em um contexto cultural específico. Calatrava simboliza a arquitetura como espetáculo estrutural e inovação técnica, vinculada a um cenário global. Compará-los é compreender como diferentes visões de mundo podem gerar arquiteturas igualmente marcantes, mas fundamentadas em princípios quase opostos.

O Dia do Arquiteto e Urbanista é comemorado no aniversário de nascimento de Niemeyer, desde 2011, em sua homenagem.

Compartilhar:

Notícias relacionadas