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Distrito de Rio Maina: novos desafios para o Governo Municipal

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre (*)
ajfabre@gmail.com

Quando eclodiu a última campanha pela emancipação de Rio Maina, cerramos fileiras com os não emancipacionistas, por enxergar naquela reivindicação um enfraquecimento inevitável do município de Criciúma, a começar pela redução de seu já diminuto território.

Entre as razões alinhadas, citamos a perda de AIHs para internações hospitalares no Hospital São José e a redução do número de passageiros do Sistema Integrado de Transportes que, com a emancipação, ficaria impedido de atuar na área do novo município. Na ocasião, destacamos a extensão da linha troncal do Sistema Integrado de Transportes até a sede do distrito, já projetada, como fator de fortalecimento do sistema, à época ameaçado pelo transporte clandestino das vans.

Com a inviabilidade legal de criar o novo município, as lideranças empresarias locais, numa demonstração de maturidade, entenderam que, no contexto atual, é mais importante integrar-se ao município-sede do que insistir na emancipação e passaram a fortalecer sua entidade representativa, o Cicrim e, mais que isso, buscaram a integração com a ACIC e CDL de Criciúma para melhor alavancar os seus negócios.

Hoje assistimos a um movimento geral para atender às reivindicações do distrito, as quais, de modo geral, coincidem com os projetos da Prefeitura, como: construção do terminal urbano (linha troncal), implantação e asfaltamento do segmento intra-distrital do anel de contorno viário (de Santa Luzia até São Simão), melhoria da infra-estrutura do distrito industrial de Cidade Mineira, criação de órgãos para aproximar a Prefeitura da população dos bairros (intendência ou similares), entre outras.

Acrescentaríamos outro projeto, na área de saúde: como o Hospital São José, único nosocômio no município que atende pelo SUS acha-se sobrecarregado, porque não pensar numa unidade hospitalar para Rio Maina. A política do governo federal, na área hospitalar, desestimula as unidades hospitalares especializadas em doenças mentais, como a existente naquele distrito. Diante do fato, porque não pensar em dividir aquela casa de saúde, deixando uma ala para doentes mentais e o restante para hospital geral, credenciado pelo SUS? Seria uma forma de atender à numerosa população distrital, desafogando um pouco o Hospital São José.

As reivindicações dos moradores do distrito são justas, oportunas e merecem ser atendidas pelo poder público municipal. O terminal urbano pleiteado, pelas razões apontadas pela comunidade e por empresários (necessidade de integração dos bairros à sede distrital), parece mais urgente que o da Primeira Linha (um projeto oportuno, mas colado ao da nova estação rodoviária).

Entretanto, que fique bem claro ao poder público municipal e aos defensores, como nós, de uma Criciúma integrada e unida: a chama dos ideais emancipacionistas das lideranças do distrito não se apagou, continua latente, em estágio de “lâmpada-piloto”, e pode ser reacendida muito em breve, se suas reivindicações não forem atendidas, pelo menos em parte, ainda no atual governo.

Com cerca de 57 mil moradores, o distrito de Rio Maina, mesmo sem ser um dos maiores do país, como apregoam suas lideranças (é o 2º distrito mais populoso entre os 447 do Estado e o 206º colocado entre os 9.848 brasileiros), continua a desafiar o poder público municipal. Pois se conseguir todas as reivindicações postuladas, torna-se mais forte para emancipar-se e, caso não for atendido nas reivindicações, pode reeditar o movimento emancipatório, alegando o não atendimento dos seus pleitos.

Mais ainda, a insatisfação popular com o governo municipal, detectada em pesquisa recente pode comprometer, dada a expressão eleitoral do distrito, o projeto de reeleição do alcaide atual ou a eleição de outro eventual candidato que seu partido indicar. Portanto, são mais dois grandes desafios para a atual administração municipal.

Finalmente, entendemos que o movimento para criação do distrito de Santa Luzia não se justifica, é totalmente descabido e viria, certamente, enfraquecer o distrito de Rio Maina. Se a divisão não é interessante para Rio Maina, muito menos o seria para Criciúma, que, com seu minúsculo território, não suporta divisão de qualquer espécie. A hora é de somar, não de dividir.

(*) Economista / MSC em Desenvolvimento Regional

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