Documentário 'Central' mostra dia a dia da prisão mais violenta do Brasil

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Documentário 'Central' mostra dia a dia da prisão mais violenta do Brasil

Especial: Willian Bongiolo

Esse ano já presenciamos várias crises em diversos setores estatais, e uma delas foi a carcerária, causada principalmente pelo descaso do governo com esse setor e também pelo fraco empenho da mídia em questionar o quão defasada está nossa ideia de prisão, que vem do século 19. Acreditamos que a cadeia deve punir e servir como vingança para o prisioneiro, e não para a recuperação e regresso dele à sociedade.

Central é um documentário sobre a prisão mais violenta do Brasil, que ficou conhecida como "Masmorra do Século 21" e localiza-se no Rio Grande do Sul. Entre os entrevistados estão os familiares de detentos, funcionários e ex-funcionários da prisão, e especialistas do tema. A linguagem do documentário é bastante conservadora e não tenta inventar, ele segue uma linha de pensamento e vai transitando muito bem entre as falas e imagens. Imagens essas avassaladoras, como o esgoto a céu aberto que leva várias doenças aos detentos e também a superlotação do local, onde as celas ficam abertas e cada pavilhão acaba se tornando uma grande cela tomada por uma facção.

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Mas além da fala dessas pessoas, talvez o grande mérito de Central seja a câmera infiltrada que a diretora Tatiana Sager conseguiu colocar na mão de um detento para filmar o dia a dia lá dentro da cadeia. Isso nos traz uma realidade chocante, principalmente por eles não terem nem a higiene básica para sobreviver de forma digna. E isso também quebra esse distânciamento entre público-prisioneiro, pois antes só víamos bandidos, e agora vemos seres humanos. O que falar do pelo de rato que veio junto do suco? Ou o sonho de outro de voltar a estudar e trabalhar ao sair dali, mas obviamente percebemos o quão impossível é esse sonho.

Por fim, o documentário nos mostra o tanto de complexidade que esse tema carrega. Principalmente por estarmos em um caminho praticamente sem volta. O Estado investe pouco nos presídios e acaba recolhendo mais dinheiro dos espaços que aluga para cantinas, enquanto as próprias facções não querem que essas condições insalubres mudem, porque assim eles podem continuar controlando as cadeias e mantendo na coleira seus membros. Enquanto isso os grandes algozes do país não estão nem presos, e muitos deles são culpados por essa precariedade.

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