Segurança
Eles estiveram juntos em Brumadinho e agora fazem parte de uma Força-tarefa
Soldado e cão participaram de simulação do Corpo de Bombeiros em Criciúma
Por adm
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O soldado Josclei, natural de Xanxerê/SC, é cirotécnico. Ele e seu companheiro, o cão Iron, ficaram conhecidos nacionalmente por participarem da Operação do Corpo de Bombeiros em Brumadinho, após o rompimento da barragem, na região Metropolitana de Belo Horizonte. Iron chegou a machucar uma das patas durante a busca por vítimas soterradas. Juntos eles formam um binômio (condutor e cão).
Na noite dessa segunda-feira, dia 18, e madrugada de terça-feira, dia 19, ambos estiveram em Criciúma para participar de um exercício de certificação para atuar em uma Força-tarefa (FT14) em Xanxerê. Na oportunidade, eles passaram por uma simulação de deslizamento de terra, onde tinham que resgatar sete vítimas que estavam dentro de um microônibus.

(Foto: Iron, após se machucar em Brumadinho)
Iron é da raça labrador. Ele tem três anos e meio. Conquistou o primeiro certificado com um ano e meio e já foi aprovado em três provas durante esse tempo, a nível estadual, nacional e internacional. Hoje Iron é o cão mais jovem certificado em Santa Catarina, o que faz dele um animal preparado para atuar em áreas de desastres naturais como o caso de Brumadinho. Mas antes de ser capacitado para atuar em zonas de risco, os cães passam por muito treinamento.
"A gente pega eles desde filhotes e fica com eles até morrer. A partir de um ano e meio nós (condutor e cão) passamos pela prova de certificação, que vai avaliar tanto ele quanto eu. Desde filhotes, eles passam por treinamentos direcionados, em busca da vítima soterrada ou escondida", explica o soldado Josclei.
A dupla esteve em Brumadinho duas vezes em um total de 10 dias. "Foi diferente de tudo o que já havíamos feito. 100% das ocorrências em que fui com o Iron era de busca por pessoas perdidas na mata", conta o soldado. Para ele, esta foi uma ocorrência única. "Tanto pela dimensão, pela tragédia, quanto o nosso psicológico. Fomos colocados à prova em vários quesitos", conta Josclei, fazendo referência a todos os bombeiros que trabalharam e continuam trabalhando nas buscas em Brumadinho.

Iron em ação
Durante o exercício desempenhado pelas Forças-tarefas, Iron teve uma participação importante. Antes de iniciar o soldado explicou o que Iron iria fazer. "Ele fará varredura da área e vai indicar o local exato, próximo onde as vítimas estão, para termos um direcionamento. A exemplo de Brumadinho, sem o auxílio do cão não teríamos muito o que fazer. Nos primeiros dias até encontravam algumas vítimas superficialmente, mas depois disso, tudo estava soterrado. O ser humano ainda não inventou um equipamento que substitui o cão. Ele serve como direcionador. Podem procurar aqui que aqui vai estar", comenta.
Processo de formação do cão, a maneira lúdica
Até a prova, realizada quando o cão completa um ano e meio, o soldado explica que o ensinamento é feito de forma lúdica. "O cão trabalha de uma certa forma esperando uma recompensa, e essa recompensa é brincar. A gente trabalha para ganhar o salário e o cão trabalha para ganhar carinho, para brincar", ressalta.
O soldado também explica que Iron é preparado para dois tipos de situações: encontrar pessoas vivas ou corpos. "Primeiro ele aprende a encontrar pessoas vidas. Após isso, começamos a ensiná-lo a procurar por corpos", explica. Novamente o soldado cita o exemplo de Brumadinho, dizendo que não adiantaria levar o cão sem ter o treinamento específico. "Ele procura por uma coisa diferente, são cheiros diferentes", conta.



