Santa Catarina
Inovação e realismo: bombeiros do Sul preparados para resgate em deslizamentos de terra
Sul do estado é extremamente suscetível a este tipo de desastre natural, afirma Parizzotto
6 min de leitura

A missão designada a 40 homens era resgatar sete vítimas, que estavam dentro de um microônibus e foram atingidas por um deslizamento de terra. Para a sociedade, um alívio por ser apenas uma simulação. Mas, para os bombeiros se tratou de uma Operação, encarada como se fosse real. Por volta das 21 horas dessa segunda-feira, dia 17, cinco Forças-tarefas iniciaram a busca, resgate e salvamento. O treinamento foi realizado na sede da Associação do Corpo de Bombeiros de Criciúma, no bairro Jardim Maristela, e adentrou a madrugada desta terça-feira, dia 18.
De acordo com o coordenador das Forças-tarefas do Estado de Santa Catarina, Walter Parizzotto, o deslizamento é o mais mortal dos desastres brasileiros. Além disso, Santa Catarina é um estado extremamente suscetível a esse tipo de desastre.
"Não é um desastre que marca quando vai acontecer, então, temos que estar constantemente preparados. Esse tipo de atuação tem um risco muito elevado", ressaltou.
A tradição no país, conforme o coordenador é se não for possível encontrar as vítimas com vida, localizar todos os corpos. Ele deu o exemplo de Brumadinho, que há mais de 100 dias do desastre, as buscas continuam. "E isso é complicado, manter uma equipe motivada, juntando corpos. É fundamental que se resolva nos primeiros dias, muito rapidamente, com segurança, isso é mais barato para o estado, mas seguro para as equipes e as famílias não sofrem tanto", ressaltou.
As equipes que fazem parte das Forças-tarefas e participaram da simulação, que concede Certificação aos bombeiros, foram: a Força-Tarefa (FT05) de Lages, FT10 de São José, FT 12 de São Miguel do Oeste, FT13 de Balneário Camboriú e a FT14 de Xanxerê. A missão foi realizada juntamente com as equipes de Diretoria de Tecnologia da Informação e com a Auto Posto de Comando (APC) - com um veículo equipado para esse tipo de evento, estruturado com tecnologia como drones. Atuaram como observadores a Defesa Civil Estadual do Rio Grande do Sul e a Força de Resposta Rápida de Tramandaí.
"Desde 2008 nós preparamos esses grupos para enfrentamento aos desastres naturais no Estado. Nesse momento esse é o primeiro exercício que fazemos nessa nova fase, com as forças tarefas prontas. Nós levamos quase uma década para preparar esses grupos, então aqui dos 14 grupos que nós temos, trouxemos os cinco ranqueados do estado, então sãoos 40 homens mais bem preparados que a corporação possui para estar atuando nesse tipo de evento.
- Coordenador das Forças Tarefas do Estado de Santa Catarina, Walter Parizzotto
O soldado Tonet, que é natural de São Miguel do Oeste, se tornou soldado há apenas sete anos. Sua primeira experiência nesse tipo de situação foi em Brumadinho. "Graças a Deus a gente treina, treina, treina, mas são raras as ocorrências que efetivamente trabalhamos, então essa de Brumadinho foi uma experiência única para a Força- tarefa do estado inteiro", afirma. Segundo Tonet, o treinamento chega muito próximo da realidade. "A gente se sentiu muito à vontade em Brumadinho, porque não era muito além do que a gente tinha de experiência tanto no curso de formação dessa oficina, mas também nessas certificações, é muito parecido com a ocorrência real", relatou.
Um dos pontos levantados pelo capitão do Corpo de Bombeiros Militar, Renan Silvério da Rosa Fernandes, é que as Forças-tarefas trabalham de forma autônoma, ou seja, são responsáveis por seus itens, como barracas, alimentação, entre outros itens essenciais e necessários para seus integrantes até o fim do treinamento. O soldado Tonet contou que se viu em uma situação contrária em Brumadinho. "Existiam muitos voluntários querendo ajudar, mas acabavam se tornando mais um problema para o Bombeiro de Minas Gerais, porque eles tinham que se preparar com logística, onde essas pessoas iam dormir, onde iriam tomar banho, o que elas iriam comer, água, então a Força -tarefa já chega pronta, com alimentação, água, energia elétrica, equipamentos, e assim a gente pode se acampar em qualquer área e autônoma durante sete dias", afirma.
O comandante do 4º Batalhão de Bombeiros de Criciúma tenente coronel, Gustavo Eustáquio, parabenizou a atuação das Forças-tarefas, durante o ato de encerramento, nesta manhã de terça-feira, dia 18, por volta das 9 horas. “Tenho certeza que essa doutrina se consolida a cada exercício realizado", afirmou
O major Henrique Piovesan disse que a situação apresentada para os bombeiros foi bastante complexa. "Primeiramente agradeço a todos que participaram. Sei que vieram de bem longe para atuar e atuaram pesado aqui. Tentamos fazer a simulação o mais próxima do real . Acredito que o objetivo do exercício foi atingido, que era a mobilização, a conferência de material, o trabalho em equipe, o trabalho entre as Forças-tarefas", afirmou. O major ainda ressaltou que um feedback mais detalhado da atuação de cada bombeiro também será realizada.
Pioneira na tecnologia, Corpo de Bombeiros de Santa Catarina avalia desempenho de bombeiros
No ano passado o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina de forma pionera, foi o primeiro no Brasil a possuir um equipamento para avaliar e monitorar o desempenho em campo dos bombeiros segundo o major Luiz Gustavo dos Anjos, que é chefe da Divisão de Educação Física do Corpo de Bombeiros. O mesmo equipamento é utilizado por grandes grupos para avaliar o desempenho dos atletas.
"Esse equipamento através do monitoramento da variação da frequência cardíaca, possibilita em tempo real avaliar o condicionamento do bombeiro, do desempenho que ele está exercendo, quanto que é de componente cardiovascular, quanto que é de componente de força explosão muscular, componente anaeróbio. Conseguimos avaliar com certa precisão o quanto ele está exaurido ou cansado, e também o prazo que ele teria para se recuperar e ser empregado novamente na operação. São dados muito importante para nós, porque as vezes uma operação leva vários dias para ser concluída, e o bombeiro é submetido a uma carga de trabalho muito intensa, então a gente precisa ter esses dados, para saber quando temos que empregá-lo, quando ele tem que descansar, se ele já se recuperou ou não para ser empregado novamente na ocorrência. Esse trabalho gera não só um melhor desempenho, como uma maior segurança para o próprio bombeiro, para que ele não seja onerado demais e daqui a pouco tenha um problema de saúde", concluiu.
Eestiveram presentes durante a Operação o comandante geral do Corpo de Bombeiros, Charles Alexandre Vieira, o subcomandante geral do Corpo de Bombeiros, Ricardo Steil, o comandante da 1ª região, coronel César de Assumpção Nunes, e o comandante do 4º Batalhão de Bombeiros de Criciúma, tenente coronel, Gustavo Eustáquio de Macedo.
Força Tarefa
A Força-tarefa é uma equipe especializada. Cada batalhão responsável por uma região possui uma. Ela é composta por oito integrantes que irão atuar em casos de extrema necessidade como em desastres naturais, catástrofes, casos que fogem da normalidade.
Leia também:



