Música regional
Entre o clássico e o autêntico: a trajetória de Ernane Medeiros no rock catarinense
Artista de Lauro Müller é vocalista da banda Nuclear Plant desde 2025

Por Isabela Baldin - isabela.nascimento@engeplus.com.br
5 min de leitura

A paixão pela música muitas vezes nasce na infância e molda a identidade de uma pessoa ao longo dos anos. Para o músico Ernane Medeiros, essa relação começou cedo, por meio das coleções de discos de rock clássico do pai e de viagens em família ao som de Dire Straits, Van Halen, Beatles e Rolling Stones, ou até mesmo ABBA e Bee Gees.
No final do ensino médio, aos 16 anos, ganhou seu primeiro violão, com o qual aprendeu a tocar sozinho. Passou horas trancado no quarto, lendo revistas e procurando tutoriais em vídeos na internet até conseguir tocar a primeira música: Nothing Else Matters, em versão simplificada, do Metallica.
"Eu me interessei pelo mundo da música justamente porque ela teve um poder medicinal muito grande na minha vida. Eu tinha desenvolvido ansiedade, muita ansiedade na época, e a música praticamente salvou minha vida, porque me ajudou a criar muito mais foco em questão de tudo", relatou.

O que começou como um hobby, influenciado por referências de videogames como Guitar Hero e bandas de punk rock, logo se transformou na vontade de subir aos palcos. Aos 19 anos, Medeiros fez seus primeiros shows de violão e voz, apenas por diversão, sem expectativa de ganhar dinheiro.
"Lembro que o primeiro show que fiz foi praticamente em troca de uma Coca-Cola de 600 ml e um x-salada, basicamente. Quando descobri que dava para ganhar um dinheiro com isso, aquilo ali me deu um gás para querer viver de música, alavancar, tornar uma carreira profissional e tocar por vários lugares", afirmou.
Depois que começou a cobrar cachê, o músico chegou a fechar mais de 50 eventos em Lauro Müller, cidade onde vive até os dias atuais. Ao longo dos seus 11 anos de carreira, o catarinense enfrentou diversos obstáculos para continuar com o sonho de ser músico. Sua principal dificuldade estava na falta de um transporte próprio, o que o limitava a apresentações em eventos locais.
"Depois que comprei meu primeiro carro, em 2024, acabei viajando para outros municípios aqui de Santa Catarina, como Urussanga, São Ludgero e Criciúma. Criciúma foi um dos lugares que mais me consolidou e me ajudou na minha carreira, principalmente por conta da Gärten Pub, que divulgou muito meu trabalho. Foi um dos meus principais pontos de virada e mais marcantes, onde acabei conhecendo muitas bandas também", declarou.
Criação da Nuclear Plant
Após tentar emplacar diversos projetos de bandas que acabavam não saindo do papel, o cenário mudou no início de 2025. Foi nesse período que o artista conheceu diversas bandas independentes e se aproximou de nomes como a Circo Elétrico e a Lei de Day.
"Participei da abertura do CPM 22 no Ventuno com a Circo Elétrico. Teve também o show do Raimundos, que vi pela primeira vez depois de mais de dez anos tentando ver os caras. A Lei de Day me proporcionou ver isso e me senti lisonjeado de poder cantar lá em cima no palco fazendo participação. Também teve a abertura do Charlie Brown no Hangar 737, em Tubarão, que foi um dos shows mais emocionantes da minha vida", compartilhou.
No dia 16 de junho de 2025, após uma participação no show da Circo Elétrico cantando músicas do Motörhead (Ace of Spades) e do Metallica (Enter Sandman), Ernane conheceu um dos seus melhores amigos, Kened Martins, que o viu tocar e gostou da apresentação. Uma semana depois, os dois começaram a conversar sobre montar uma banda.

"Foi graças a essa conversa e reunião de shows de rock entre amigos que a Nuclear Plant surgiu. Ficamos três meses em ensaio para pegar entrosamento. Nosso pensamento quando montamos a banda foi o seguinte: queríamos sair dessa área da mesmice de querer sempre tocar as mais estouradas, fugir bastante do clichê e tocar tudo o que a gente gosta."
A banda Nuclear Plant já teve três formações, sendo a atual composta por:
Ernane Medeiros: Baixista e vocalista
Jhon Kucera: Guitarrista
Victor Cesconetto: Baterista
* Kened Martins permaneceu até a segunda formação, saindo da banda após se tornar pai. Segundo Medeiros, há possibilidades de ele ingressar novamente na Nuclear Plant.
"Um dos pontos mais marcantes foi o nosso primeiro show na sede dos Abutres, em Içara, na inauguração da sede do motoclube. Estava completamente lotado de gente e rendeu muito bem, casa lotada", apontou.
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Música transporta mensagens em forma de arte
Medeiros continua no gênero do rock, transitando entre estilos clássicos e punk, como CPM 22, Raimundos, Raul Seixas, Alice in Chains, Soundgarden, Audioslave, Nenhum de Nós e Sepultura. Para ele, a música é uma maneira de transportar uma mensagem em formato de arte.
"Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padece de solidão. Acredito bastante nisso. A música tem o poder de levar ótimas energias para todos e transportar um sorriso na vida da pessoa que te faz expressar todos os teus sentimentos", descreveu.






