Investigação
Erro de digitação coloca criciumense na lista de milionários do Universidade Gratuita, diz delegado
Ao acrescentar zeros, estudante declarou patrimônio de R$ 300 milhões em seu cadastro
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O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, informou nesta quinta-feira, dia 31, que um estudante de Criciúma contemplado pelo programa Universidade Gratuita do Governo de Santa Catarina apareceu na lista de investigados por um erro de digitação em seu cadastro. O aluno foi identificado como milionário ao declarar um patrimônio de R$ 300 milhões. Ele tentava preencher o formulário com bens avaliados em R$ 300 mil.
A PCSC vem apurando um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC), que apontou 18 mil inconsistências nos benefícios concedidos pelo programa Universidade Gratuita. Com o avanço das investigações, o Governo de Santa Catarina afirma que os números apresentados pelo tribunal reduziram para 130 milionários investigados.
Conforme o delegado, o criciumense cursa Sistema da Informação e é filho de mãe padeira e confeiteira. Os dois moram em “um simples apartamento”, avaliado em R$ 240 mil. O aluno declarou dois veículos usados, que, somados, custam R$ 60 mil. A mãe recebe R$ 2,4 mil mensais e ele R$ 2,6 mil.
“Eis a importância de um trabalho de investigação. Esse é um jovem de Criciúma beneficiado pelo Universidade Gratuita. Ele declarou patrimônio errado ao preencher a inscrição. Ou seja, não tem um patrimônio de R$ 300 milhões, mas a família tem registrado apenas dois carros, um com 15 anos de uso e outro com 16”, disse o delegado-geral.
De acordo com Gabriel, após finalizado o cadastro não é possível alterar os dados. O estudante de Criciúma conseguiu comprovar, por meio de documentos, o erro no formulário. “Foram inseridos zeros a mais na declaração”, pontuou o delegado.
As investigações da PCSC indicaram as 130 pessoas com patrimônios comprovadamente milionários. Há ainda outros 128 investigados que não moram em Santa Catarina por um período de mais de cinco anos, conforme determinam as regras do programa. E, por fim, um grupo de 700 estudantes que apresentaram inconsistências nos cadastros.
Governador alfineta TCE-SC
O Universidade Gratuita é um dos principais programas do governo de Jorginho Mello. Durante suas agendas pelo estado, o governador vem fazendo declarações em tom de crítica ao relatório apresentado pelo TCE-SC. Em visita recente ao Sul de Santa Catarina, ele questionou os dados.
“[O TCE] não tinha nem lista. Mandamos a polícia e o Ministério Público ir pra cima [das irregularidades]. Dos 18 mil, sobraram 700. Desse número, um mentiu o endereço, outro era de outro estado, outro errou o preenchimento. E chegou em 130. De 18 mil para 130?”, indagou. “Nós vamos punir esses alunos, processar e acabou. O programa tem 53 mil estudantes. É o maior programa de transformação. Vai mudar a vida de muita gente”, defendeu Mello.

O diretor-geral de Controle Externo do TCE-SC, Sidney Antônio Tavares Júnior, defende que a concessão das bolsas, mesmo com os erros de digitação, mostra que “não há um controle por parte da Secretaria de Estado da Educação”.
“Isso nos mostra que o tribunal está em um caminho de melhorar o programa para aquele que efetivamente necessita. Se foi um caso de erro, como está sendo divulgado, que essa pessoa tivesse sido chamada e corrigida para ter acesso à bolsa. E não que se crie um sistema onde a pessoa declara ter mais de R$ 800 milhões de patrimônio, como foi um dos casos, e acabe recebendo, ainda assim, a bolsa”, rebateu.
Júnior frisou que a Controladoria Geral do Estado (CGE), que integra o Governo de Santa Catarina, já havia apontado em 2024 “milhares de inconsistências” envolvendo os bolsistas do Universidade Gratuita e que não foram tomadas providências.
“A CGE que é um órgão de apoio ao gestor fez o seu trabalho e apontou milhares de indícios e que não sabemos quais as providências foram tomadas desde então. Agora que o tribunal traz esses novos indícios em 2025, parece que houve uma surpresa por parte do Executivo, mas que nos parece que já tinha conhecimento de muitos deles em 2024”, completou o diretor-geral de Controle Externo do TCE-SC.



