Estiagem causa mais de R$ 10 milhões em prejuízos na região da Amrec

Por Amanda Garcia Ludwig - amanda.garcia@engeplus.com.br

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Estiagem causa mais de R$ 10 milhões em prejuízos na região da Amrec
Foto: Fotos: João Manoel Neto

A estiagem que atinge a região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) já causou danos e prejuízos inestimáveis para a agricultura, pecuária e às famílias. Até o momento, Criciúma, Içara, Forquilhinha e Siderópolis decretaram situação de emergência, e a Defesa Civil de cada cidade passou a distribuir água para a população.

Em Criciúma, a situação de emergência foi decretada no dia 27 de março, e caminhões pipa abastecem a população com água para as necessidades essenciais como banho e o preparo de alimentos. Os poços artesianos estão secando, o que faz com que muitas residências fiquem sem água. A área urbana ainda recebe o abastecimento da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), e quem mais sofre os efeitos da estiagem prolongada são os moradores da área rural. "Toda a agricultura está comprometida pela falta de chuva. Com o decreto de emergência, os agricultores conseguem financiamentos com juros mais baixos. O município está ajudando como pode. Estamos tentando conseguir água em novos açudes, para distribuir ao gado leiteiro, que está sofrendo sem o pasto", afirmou Angela Mello, coordenadora da Defesa Civil de Criciúma. Angela confirma que, no município, já foram mais de R$ 7 milhões em prejuízos.

No bairro Quarta Linha existem 43 famílias precisando da ajuda da subprefeitura. "Estamos passando com o caminhão pipa, e olhamos também a precariedade de água para higiene pessoal, principalmente das crianças que precisam ir à escola. As pessoas estão tendo dificuldades em conseguir comprar água mineral para o consumo", explicou Gabriel Guizzo Neto, responsável pela subprefeitura do bairro. Segundo Neto, a água está sendo direcionada também aos aviários da região. "O gado está morrendo. A lavoura de milho está 100% destruída, e a de feijão e hortaliças teve um prejuízo de 80%", diz.

Em Forquilhinha, os prejuízos ultrapassam R$ 3 milhões e cerca de 600 famílias precisam ser atendidas pelo caminhão pipa. "Solicitamos para a Defesa Civil Estadual água mineral para o consumo humano. A situação só piora, já que não há previsão para chuva no momento", comenta Edson Szymanski, coordenador da Defesa Civil do município. O gado precisa ser alimentado com ração, uma vez que o pasto secou completamente.

Em Siderópolis, a situação de emergência foi decretada na semana passada, e um caminhão pipa abastece periodicamente a caixa d'água da Associação de Moradores do Alto Rio Maina. "Estávamos sem uma gota d'água desde que o poço secou, há dez dias. Todos estão informados para gastarem o mínimo possível. Até a higiene pessoal está comprometida", afirmou Osvaldo Marcelo, morador do município. O prefeito, Douglas Warmling, comentou que são muitos os pedidos de abastecimento, mas a prefeitura tem priorizado o coletivo. "O último pedido veio da comunidade de Rio Jordão Médio, que tem festa no final de semana e não tem uma gota de água", afirmou.

Outras estiagens - De acordo com Márcio Sônego, climatologista da Epagri de Urussanga, a região da Amrec já sofreu com a estiagem em anos anteriores, como em 2003 e 1999. Ele afirma que o normal da região é que chova uma quantia considerável durante todos os meses do ano, mas em alguns anos a estiagem segue até o mês de setembro.
"Essa falta de chuva não pode ser atribuída a atividades do ser humano, ou às mudanças climáticas. O histórico mostra que a região tem estiagem prolongada em alguns anos. O que pode ser atribuído ao ser humano é o desmatamento e o maior consumo de água, o que faz com a população sofra com a falta de água", afirma Sônego.
O climatologista espera que durante o mês de junho chova normalmente. "O Inverno será um pouco menos frio do que no ano de 2011, e por isso esperamos que as chuvas fiquem normalizadas neste período", confirma.




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