Famílias serranas são assistidas
Doações de Criciúma e cidades vizinhas chegam a moradores carentes através de ação voluntária
Por Mariana Noronha - mariana.noronha@engeplus.com.br
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Por volta das 7 horas de sábado, os primeiros voluntários já estavam chegando ao galpão de triagem da Cruz Vermelha, para a segunda entrega de agasalhos arrecadados pela equipe multi-institucional. O caminhão carregado de donativos com cerca de 40 mil peças de roupas e calçados partiu com o comboio da solidariedade de Criciúma com destino a Urubici, na região serrana.
Contrariando a previsão, que apontava tempo nublado com possibilidade de chuva, o sol foi acompanhando os carros das instituições participantes pelo caminho sinuoso. No trajeto, o coordenador da Cruz Vermelha de Criciúma, o policial civil Almir Fernandes de Souza, contava a expectativa de encontrar o ginásio da cidade cheio para receber as doações. “É nessa hora que o coração bate mais forte”, declarou.
Passava das 11 horas, quando a comitiva criciumense encontrou com os anfitriões na entrada da cidade. Com o apoio da Polícia Militar, os carros percorreram as principais vias do município com as sirenes ligadas e no megafone o anúncio da hora e o local da entrega. Nas ruas a recepção da população era acompanhada por palmas e sinais de positivo. As crianças, de bicicletas ou a pé, acompanhavam o cortejo.
A entrega estava marcada para as 14 horas, mas Márcia Cabral dos Reis, 36 anos, chegou uma hora antes. Ela, a sogra e a cunhada foram ao ginásio buscar peças quentes, roupas de cama e cobertores. “O frio na nossa região castiga muito. Estamos precisando de cobertas, principalmente para os meus filhos”, relatou a mulher, grávida de dois meses e mãe de quatro crianças.
Márcia e o marido estão desempregados. Condição desde o final da safra de maçã. “Nós viemos de São Joaquim e agora que conseguimos nossa casinha, vamos mudar para Lages, tentar um novo emprego”, contou ela, que levou algumas peças de roupas e lençóis. “Vamos tentar cobertas com a assistência social do município”, repassou Márcia, sobre as orientações dos voluntários sobre a entrega das mantas. Os cobertores, segundo Fernandes, foram repassados diretamente para os municípios que farão a entrega das peças.
Além de Urubici, a Defesa Civil de Bom Retiro ficou responsável pela distribuição. “Os 90 cobertores serão de bastante utilidade para o município que conta com muitas pessoas carentes. Muitos vêm de outros estados para trabalhar nos pomares de maçãs e acabam residindo no nosso município em condições bem precárias, muitas dessas famílias com um número elevado de crianças”, falou o coordenador da Defesa Civil de Bom Retiro, Cristiano Menegaz.
Crianças ajudam nas escolhas - Quase 900 pessoas participaram da distribuição, muitas delas crianças que foram ajudar os pais nas escolhas dos agasalhos. Todas ganharam, além de peças mais quentes, um brinquedo. A distribuição foi feita com a ajuda do mascote da campanha, o Zé Quentinho. “Elas gostaram bastante dos brinquedos, porque é uma coisa que não podemos oferecer sempre. Queria dar aos meus netos roupas, sapatos e brinquedos bons, mas não temos condições”, disse a agricultora Márcia Rúbia Padilha, 37 anos. A família saiu cedinho da comunidade de Santo Antônio, próximo ao Morro da Igreja, um dos locais mais frios da Serra, para a entrega dos agasalhos. “Na agricultura não está muito fácil, mas vamos dando conta para comer. As outras coisas, como as roupas, temos que agradecer a boa vontade das pessoas que nos ajudaram”, reconheceu.
O coordenador da Cruz Vermelha acredita que nos próximos dias, essas e outras doações que estão nos postos de coleta possam ajudar famílias do município. Participação de todos para dar certo A mobilização de agasalhos, triagem e entrega é de responsabilidade da equipe milti-institucional, coordenada pelos voluntários da Cruz Vermelha, Polícia Civil e Defesa Civil e participação de diversas instituições públicas e civis. Quando a entrega ocorre fora de Criciúma, além da logística, o grupo precisa da contrapartida do município. O primeiro passo para a organização do evento é a realização de uma reunião com as entidades do município beneficiado. A divulgação do evento e a mobilização para que as pessoas participem do ato social é uma incumbência local, atribuída ao Poder Público.
“Estamos na 13ª edição da campanha do agasalho e ela entrou na credibilidade da população pela seriedade e transparência das instituições que em conjunto conosco desenvolvem esse trabalho. O evento não envolve política, mas nós precisamos do apoio das prefeituras, principalmente para o transporte das pessoas mais distantes da sede”, enfatizou o delegado Adauto de Souza, fundador da Cruz Vermelha de Criciúma.
Em Urubici, a mobilização ocorreu nas escolas e através das agentes de saúde. “Visitamos várias comunidades repassando para as famílias sobre o evento. Por meio de uma parceria com a secretaria de Educação, ônibus foram disponibilizados para as comunidades mais distantes, cerca de 20 a 25 quilômetros do centro do município”, lembrou a presidente da Associação Ana Guedes, vinculada à secretaria de Assistência Social, Iolanda da Rosa Costa. Serra tem prioridade As entregas de agasalhos nos municípios serranos iniciaram em 2011, quando a cidade de Urubici foi castigada pelas fortes chuvas. O frio foi o principal desafio para as pessoas que já tinham perdido tudo com os alagamentos. De imediato, a Cruz Vermelha de Criciúma foi acionada pela Defesa Civil estadual para angariar donativos.
Desde então, além de Urubici, outras cidades recebem a comitiva solidária. Nesse ano, São Joaquim e Bom Jardim da Serra receberam as doações. Ao todo, contando com as entregas em Criciúma, mais de 80 mil peças de roupas; 8,5 mil calçados e 385 cobertores foram entregues a aproximadamente 4 mil famílias, somando 16,2 mil pessoas beneficiadas. “Estamos dando prioridade para os municípios da Serra. Nessas localidades há muitas pessoas carentes e que precisam dos agasalhos”, frisou Fernandes. “Nossa região também conta com municípios carentes. Criciúma mesmo tem bairros que necessitam de ajuda, mas entendemos que lá as coisas são mais difíceis, inclusive pelo frio que faz”, complementou o coordenador.
Colaboração: Morgana Rosso / Jornal da Manhã
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