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Feira da Moda: hora e vez de consolidar o setor vestuarista

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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Ademar José Fabre* ( ajfabre@gmail.com )

A Feira da Moda Verão, ora mostrada no recém-inaugurado Pavilhão de Exposições da municipalidade, vem em boa hora para consolidar o setor confeccionista da região sul, nucleado em Criciúma, hoje contando com mais de 600 empresas, que empregam quase 10.000 trabalhadores.

Tendo como primeiro propósito mostrar as tendências que estarão em alta no próximo verão, cabe também à feira o papel de aproximar produtores e compradores/consumidores, exibir o potencial confeccionista do sul para além fronteiras.

Em recente mesa redonda com jornal local, alguns empresários do setor reconhecem que estão superando uma fase de individualismo, passando a trocar informações, discutir problemas setoriais e que precisam deixar de apenas copiar modelagem de fora e passar a criar moda própria na região.

A propósito, o design e a modelagem própria são alguns dos fatores determinantes para ter-se, na região, não apenas uma concentração de empresas confeccionistas, mas um aglomerado na forma de cluster industrial. A clusterização (clustering) do setor pressupõe, além do agrupamento, a existência de alguns pré-requisitos tais como: cooperação, relações técnico-produtivas das empresas, entre si e com fornecedores e compradores, interação entre seus agentes e coesão de interesses, além de ações e serviços coletivos comuns a vários produtores, para obter ganhos de produtividade.

São indispensáveis, igualmente, disponibilidade de instituições de apoio, como centros de capacitação profissional e assistência técnico-gerencial; numa fase mais avançada, os clusters costumam dispor de especialização das empresas por etapas de produção (integração vertical, para frente e para trás) e pesquisa tecnológica para suporte de processo/produto. Esses fatores somados, quando eficientes, proporcionam vantagens ou externalidades positivas, resultantes da aglomeração.

Sem uma análise mais aprofundada, observa-se que a região já possui alguns desses pré-requisitos, tais como: mão-de-obra qualificada, insumos e serviços técnicos de apoio (máquinas e equipamentos, lavanderias industriais, assistência técnica, comércio especializado), órgãos de treinamento e assistência técnico-gerencial (Senai, Sebrae, escolas de nível técnico e superior).

No entanto, como reconhecem os empresários, falta-lhes mais união, esforço concentrado, divulgação do setor, melhor qualificação da mão-de-obra, cultura e arrojo empresarial, liderança e comando para ousar, modificar a situação atual e criar modelagem para ter um produto próprio da região.

Ao que consta, a maior carência enfrentada pelo setor está ligada à falta de pesquisa tecnológica, residindo seu maior gargalo na dependência de inovações externas (máquinas, softwares para design/modelagem de tecidos), cuja ausência impede-lhes de buscar caminhos próprios, especialmente em criação e modelagem, área em que apenas cerca de 10% dos produtores usam modernos softers computadorizados.

Contudo, a experiência e tradição do setor confeccionista do sul estaria necessitando de uma espécie de up-grade, capaz de elevar seu nível de qualidade/produtividade, enfrentar a concorrência e buscar novos nichos de mercado, no país ou no exterior.

Na área de marketing, o setor precisa vender a região (ou o pólo) como um todo, para além fronteiras estaduais. As vendas diretas ao consumidor (via out-lets e lojas especializadas), estão muito aquém do potencial produtivo do setor, cabendo ações/medidas eficazes a respeito, explorando o chamado turismo de negócios, com vantagens para toda a economia da região.

Antes disso, porém, parece oportuno sugerir aos líderes empresariais, através de seu sindicado patronal, a contratação de um diagnóstico completo e detalhado do setor, capaz de apontar os seus problemas, suas carências e o seu potencial, de sorte a indicar os rumos a seguir, pois, a região espera que o setor vestuarista de Criciúma e região sul, com um passado de lutas e conquistas, galgue novos horizontes, em prol do desenvolvimento regional.

* Economista / MSC em Desenvolvimento Regional

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