Moisés sobre envolvimento na compra dos respiradores: 'São ilações. Não há nenhum fato concreto'
Governador se defendeu sobre acusações de seu envolvimento no esquema


O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, dia 22, na Casa d’Agronômica. Moisés se posicionou sobre a decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) encaminhar o processo que investiga a compra de 200 respiradores no Estado pelo valor de R$ 33 milhões para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ). A decisão do TJSC foi tomada após as investigações apontarem a suspeita da participação do governador do esquema.
Conforme as autoridades que investigam o caso, ao proceder à análise de algumas evidências digitais identificadas no laudo pericial elaborado pelo Instituto Geral de Perícias, referente ao aparelho celular utilizado por um dos investigados, e diante de novos interrogatórios realizados, constatou-se que Moisés tinha ciência e possível participação nos fatos delituosos em apuração.
O chefe do Executivo catarinense se defendeu e afirmou que não teve participação no processo de compras dos equipamentos. “O que vem à tona hoje são falas de terceiros que remetem a alguém, sem citar sequer o nome do governador. Pessoas desconhecidas do Estado que vendem para todo o Brasil”, destacou.
“Neste caso [da compra dos respiradores] não houve sequer abordagem ao governador. São ilações. Não há nenhum fato concreto. Há mensagens dizendo que ‘estou na linha’, ‘que falei’, ‘que ele pediu’. São situações absolutamente irrelevantes, na minha avaliação, enquanto gestão da crise. O catarinense sabe o que governador que tem e o que estamos fazendo diante da crise da Covid-19”, afirmou Moisés.
Para se defender, o governador citou os ganhos obtidos pelo Governo de Santa Catarina na gestão de recursos da Saúde. “Imagina se a gente enfrentasse a pandemia com R$ 750 milhões de déficit a pagar na Saúde. Saímos de uma dívida de R$ 1,2 bilhão e fechamos 2019 com R$ 166 milhões de superávit. São frutos das nossas economias, do trabalho diário que estamos fazendo para a gestão de Santa Catarina”, disse o governador
Pedido de celeridade
Moisés disse estar tranquilo com a decisão do TJSC de encaminhar o processo para o STJ. “É uma ação necessária, em função de decisões jurisprudenciais para se remeter ao processo para outro foro, que não aqui no Estado, por conta da prerrogativa de foro que tem um governador”, respondeu.
Ele apontou ainda que vai solicitar celeridade no julgamento do processo para que as informações que supostamente envolvem a sua participação na compra de respiradores sejam esclarecidas. “Não vamos permitir que maculem ou tentem macular a minha história, com ilações de quem quer que seja”, pontuou. “Não é uma preocupação somente do governador de Santa Catarina, mas do cidadão Carlos Moisés da Silva, que quer o mais rápido possível que isso seja esclarecido”, reforçou.
Moisés voltou a falar que desde que tomou conhecimento da dificuldade da entrega dos respiradores, passou a tomar medidas para evitar que houvesse prejuízo ao Estado. “No dia 20 de abril, eu fiquei sabendo que havia a dificuldade de entrega dos respiradores, por meio do secretário Helton (Zeferino, ex-secretário de Saúde), eu determinei que ele procurasse a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Ele procurou, e foi orientado a abrir duas sindicâncias. E pedi para ele seguir o que a PGE determinasse”, disse.
“Vamos tomar todas as medidas necessárias para recuperar o erário público. Penso que os R$ 33 milhões é muito valor para Santa Catarina, mas os nosso resultados eles são muito melhores. Essa tentativa de acreditar que alguém enviou a mensagem para alguém que disse que falou com alguém, é irrelevante diante dos resultados que temos aqui. Tem que ser esclarecido, por isso vou pedir celeridade para que os processos sejam instaurados com agilidade”, salientou.
































