Morador de Criciúma é preso em megaoperação contra fabricação e venda clandestina de anabolizantes
Ação aconteceu em diferentes estados do país e tinha ramificação no exterior

Por Leonardo de Souza - leonardo.minatto@engeplus.com.br
Em
Um homem de 43 anos, morador de bairro Brasília, em Criciúma, foi preso em uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) com apoio de policiais civis de Santa Catarina. A ação aconteceu na manhã desta quarta-feira, dia 12. Ele é suspeito de integrar um grupo dedicado à fabricação clandestina, distribuição, marketing e escoamento de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diversos estados do país.
Durante a ação, o celular do alvo em Criciúma também foi apreendido. Segundo a Polícia Civil, a operação, batizada de Narciso, buscou cumprir 45 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão, além de bloquear R$ 32 milhões dos investigados.
As medidas cautelares abrangeram ainda a suspensão de atividades econômicas e o lacramento de 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação envolvidos no esquema, a quebra de sigilo bancário e telemático dos investigados, e a determinação de exclusão e bloqueio imediato de 22 perfis em redes sociais utilizados para a divulgação dos produtos e a captação de clientes.
Participação de designers, nutricionistas e treinadores
De acordo com a apuração policial da PCDF, o grupo produzia de forma caseira e precária substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes, em residências e depósitos improvisados, sem qualquer controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária. Para dar aparência de legitimidade aos produtos, as embalagens e os rótulos traziam nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países, simulando importações de laboratórios inexistentes ou reproduzindo marcas já consolidadas no mercado.
A engrenagem contava com a participação de profissionais de diferentes áreas: designers responsáveis pela identidade visual das marcas clandestinas, nutricionistas e treinadores que recomendavam e davam respaldo ao consumo das substâncias, médicos veterinários que emitiam receitas falsas para viabilizar a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários, e uma gráfica que imprimia rótulos e embalagens sob encomenda, adotando a prática de apagar os arquivos de impressão das máquinas para dificultar a identificação da origem do material pela polícia.
Atuação dentro e fora do país
A organização também estruturou um esquema de lavagem de dinheiro em múltiplos níveis para dissimular a movimentação financeira e ocultar o proveito das atividades ilícitas. O fluxo de recursos entre o núcleo liderado pelo investigado central e sua principal fornecedora, localizada em região de fronteira, contava com o auxílio de doleiros profissionais, que indicavam contas bancárias de terceiros e de empresas de fachada no Brasil para pulverizar os depósitos recebidos.
Outros integrantes utilizavam chaves pix e contas bancárias de parentes próximos para receber pagamentos de clientes finais, enquanto outra ramificação do esquema utilizava uma empresa específica para movimentar recursos entre estados. Além do uso de "laranjas" e contas de passagem, os investigados recorriam de forma estruturada a contas em casas de apostas virtuais e plataformas de jogos de quota fixa, ambiente utilizado para conversão, fracionamento e transferência rápida dos valores ilícitos, dificultando o rastreamento por parte dos órgãos de inteligência financeira.
As diligências, os mandados e as prisões alcançaram múltiplos estados da federação, evidenciando o caráter interestadual e transnacional do esquema. No Distrito Federal, estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens. Em Goiás, as ações da polícia se voltaram ao recebimento de insumos em depósitos na divisa com o Distrito Federal, ao funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e à movimentação financeira do grupo.
Na Paraíba, na cidade de João Pessoa, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e da residência de alto padrão à beira-mar de um dos líderes, que contava com apoio de familiares e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por via postal. No Paraná, as ações se concentraram em Foz do Iguaçu, de onde a fornecedora de fronteira e seu cônjuge coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias. A rede se estendia ainda a cidades do Acre, como Rio Branco, e de Minas Gerais, como Uberlândia, municípios utilizados tanto para o escoamento contínuo dos produtos quanto para a localização de patrimônio dos investigados.
Leia mais sobre:


































