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Morro Estevão

Morro Estevão comemora até hoje

Por Redação Engeplus

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A agricultora Ivonete Castagnete Dagostin guarda na memória a noite de terror de 12 de novembro de 1996, no centro de Criciúma, quando a Câmara de Vereadores não revogou a lei que criou a área de proteção ambiental do Morro Estevão.

Mineiros indignados com a inviabilização da mina da Carbonífera Nova Próspera partiram para confronto com policiais militares à frente do Palácio do Estado. Restou aos agricultores presenciar as cenas de pancadaria e depredação do Fórum da cidade.

Passados quase doze anos, ela resume em poucas palavras a luta em favor da proteção de Morro Estevão. “Vivemos momentos de terror, mas valeu a pena. Aprendemos a cuidar do que é nosso. O ato mudou radicalmente a cabeça dos agricultores”, diz orgulhosa.

Hoje, as quase 800 famílias que vivem da agricultura no local podem ser consideradas as guardiãs da área de proteção. Cerca de 150 vivem dentro da área e quase 300 utilizam água das nascentes do Morro da Bananeira.

Desde que a área passou a ser de proteção, mais de 17 mil mudas de árvores foram plantadas no entorno das nascentes. Ao invés de receber agrotóxicos, como antigamente, o morro é roçado. “Hoje utilizamos muito menos agrotóxicos que há 10 anos”, conta Ivonete.

No Morro Estevão, é a banana que puxa a economia. A área de proteção ambiental equivale a quase 41 mil campos de futebol. Já o plantio de bananas tem a dimensão de cerca de 560 campos entre os bairros Morro Estevão e Morro Albino produzindo cerca de 30 toneladas da fruta por mês.

O agricultor João Dagostin abastece toda a região de Santa Maria (RS). “O povo se uniu pela preservação da água e mantivemos a agricultura com o plantio de bananas”, salienta ele, ao lembrar que a cana-de-açúcar predominou no local até a década de 40.

ÁREA DE PROTEÇÃO
Em outubro do ano passado, o Ministério Público de Santa Catarina, representado pelo promotor Luciano Naschenweng, emitiu termo de compromisso e ajustamento de condutas referente à área. O documento baseou-se na Lei Municipal 2.459/90, alterada pela Lei 3.179/95, que criou a "Área de Proteção Ambiental nos Morros Albino, Estevão e adjacências”, com o objetivo principal de impedir a extração mineral nas localidades.

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