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Norte x Sul: o complexo intermodal radicaliza as diferenças

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

“Tudo o que um homem é capaz de imaginar, outro homem é capaz de fazer” (Júlio Verne)

Em artigo de 2006, publicado na imprensa local, o autor contestava o ponto de vista de reportagem da Revista Exame (edição 860, de 01.02.06), que atribuía à não duplicação da BR-101 as diferenças de desempenho econômico entre as regiões norte e sul de SC.

Destacava-se, na oportunidade, que a região norte já contava, há muito, com obras infraestruturais de peso, não encontradas no sul, como três portos e um quarto em construção, dois aeroportos, privilegiadas condições infra-estruturais e logísticas, além de importantes vantagens locacionais, economias externas e de aglomeração.

Pois essas pré-condições amplamente favoráveis ao crescimento do norte catarinense tendem a multiplicar-se exponencialmente quando concretizado, a médio/longo prazo, o projeto denominado COMPLEXO INTERMODAL CATARINENSE, a ser implantado no município de Araquari, em área de 26 milhões de m2, meticulosamente estudada para trazer amplos benefícios diretamente às regiões norte/nordeste e vale do Itajaí e, indiretamente, a todo o estado catarinense.

Tal projeto será dotado de acesso rodoviário privilegiado, complexo logístico para armazenagem de cargas, terminais ferroviário e marítimo, com ligação aos portos da região, aeroporto regional para passageiros e cargas, Zona de Processamento de Exportação (ZPE), condomínio ou distrito industrial, além de outras obras de infra-estrutrura.

O Projeto de Lei 64/10, de autoria do Governo do Estado cria o complexo, a ser implantado pela SC Parcerias, que, segundo consta, já disporia de R$ 12 milhões para dar início às primeiras desapropriações. O complexo tem localização estratégica, nas proximidades das BRs 101 e 280 e da futura ferrovia litorânea.

Nas primeiras discussões na Assembléia, foi proposta uma emenda ao projeto pedindo ao Governo do Estado estudo de projetos similares em cada região catarinense.
Com essa abertura criada pela Assembléia, poderá o Sul pensar no seu complexo intermodal, partindo de pré-condições hoje existentes ou potencialmente realizáveis.

Na mesorregião sul, pode-se apontar duas áreas com pré-condições de receber empreendimento da espécie: a cidade/região de Imbituba, às margens da BR-101, com porto em ampliação, linha-tronco da Ferrovia Tereza Cristina e ponto inicial da futura ferrovia litorânea, além de ZPE há muito criada e já autorizada a funcionar.Tem como fator negativo a inexistência de um aeroporto e de um centro urbano significativo.

Outra alternativa seria a área litorânea de Hercílio Luz, distrito de Araranguá, próxima à foz do grande rio que ali deságua, onde se projeta um futuro terminal portuário, tomando-se como base estudos prévios de viabilidade técnica e econômica. Essa área, ampla e pouco utilizada, faz divisa com os municípios de Içara, Criciúma e Maracajá.

Um complexo intermodal nesse sítio poderia ser composto de: terminal de cargas e turístico, Aeroporto Regional (de Jaguaruna, a 50 Km), BR-101 já duplicada, Ferrovia Litorânea em projeto (com ramal até o porto), podendo estender-se, futuramente, até Porto Alegre. A área apontada poderia contar, ainda, com condomínio ou distrito industrial, Zona de Processamento de Exportação (ZPE), além de projetos turísticos ao longo do litoral, até o Balneário Rincão.

O complexo teria como suporte urbano as cidades de Araranguá, Criciúma e Içara, cujos municípios já somam mais de 310 mil habitantes.

Destaque-se a localização privilegiada de Criciúma, cujo centro urbano ficaria a apenas 25 Km do porto, a ser acessado via rodoviária, continuando a Rodovia Luiz Rosso, a partir do trevo de Quarta Linha, na BR-101.

Um complexo intermodal no local referido justifica-se, entre outras, pelas seguintes razões: reforça a idéia do Porto de Araranguá, com projeto cogitado, mas ainda não definido, da extensão da ferrovia litorânea até Porto Alegre e, dada a pequena distância, torna o complexo plenamente utilizável pelo estado gaúcho, especialmente pelas suas regiões leste e nordeste.

Para o sul de nosso estado, o complexo intermodal seria um fator de real perspectiva de retomada do desenvolvimento econômico e social.

* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional e Urbano e-mail: ajfabre@gmail.com

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