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Opinião

O Balé

O Balé Mazowsze e a Etnia Polonesa

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

Eis que o sonho está virando realidade. O grande Balé Nacional da Polônia, o Mazowsze, está prestes a plantar a sua primeira e única sucursal fora de sua sede, em nossa cidade.

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O Mazowsze será um verdadeiro presente para Criciúma, que tanto carece de projetos culturais de expressão. Além de sua tradição como grupo de dança folclórica, ele poderá tornar-se uma referência cultural que, se bem aproveitada, será capaz de levar o nome da cidade país afora, virar verdadeira atração turística.

Trata-se de um dos maiores e mais bem conceituados grupos de dança folclórica do mundo, integrado por coral, solistas, orquestra e balé de alto nível, cujos números impressionam: são mais de 5.300 apresentações para 16 milhões de expectadores, em 50 países que suscitam, em cada espetáculo, entusiasmo delirante do público, graças ao seu dinamismo, precisão e lirismo.

No entanto, a grandiosidade do balé polonês a instalar-se na cidade deve levar-nos a algumas reflexões/questionamentos, do tipo:

Será que o município reúne condições financeiras para arcar com os custos do empreendimento, que não gera receitas e sim despesas, uma vez que o ensino será totalmente gratuito?

Faz-se oportuno lembrar que o empresariado da cidade não tem sido pródigo em patrocínios tipicamente culturais como esse e as fontes oficiais para custear eventos da espécie são lentas e burocráticas.

Outra questão a ponderar refere-se ao endereço da escola. Desde que se noticiou a vinda do balé, imaginava-se localizá-lo em Linha Batista, o habitat predominante da etnia polonesa no município. A colônia teria sido a causa determinante para trazer a escola, ou seja, o fator locacional.

Agora, ao concretizar-se as negociações com a direção do grupo, a Fundação Cultural resolve localizar o balé no Pio Correa, adquirindo, inclusive, sede própria, em prédio escolar já existente, alegando urgência para celebração do convênio com os poloneses e a pressa de adaptar o prédio para abrigar a escola, a funcionar em 2009.

O outro questionamento que cabe: por que essa pressa em adquirir uma sede própria, se a escola nem começou a funcionar. A menos que haja alguma condição contratual por parte dos poloneses, quanto à localização e sede própria, em princípio não haveria razão ponderável para justificar a pressa na aquisição do imóvel.

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Não seria mais lógico e racional a escola funcionar em prédio alugado - e o do Pio Correa, nesse caso, parece suficiente - e só mais tarde pensar numa sede própria? Não foi isto que fez o Balé Bolshoi em Joinville, que até hoje ainda não tem uma sede definitiva?

Nessa hipótese, após um período mínimo de funcionamento e consolidação da escola, a sucursal criciumense do Mazowsze projetaria sua sede própria, em instalações amplas e funcionais, compatíveis com as necessidades de espaço, em terreno adequado e local melhor estudado.

Além do fator locacional já mencionado – a presença da colônia polonesa – Linha Batista oferece outras facilidades para um futuro projeto do Mazowsze: pequena distância do centro urbano, fácil acesso, boa oferta de terrenos e preços ainda bastante acessíveis. Lá seria possível adquirir um terreno amplo, capaz de comportar as instalações da escola, estacionamento, áreas de esporte e lazer e outros usos.

Os menos entusiastas do turismo costumam alegar que Criciúma não desenvolve o setor porque é desprovida de atrativos. Ora, não seria um balé dessa categoria uma atração turística, a ser visitada até por estrangeiros, desde que o local tenha a infra-estrutura mínima necessária?

Além disso, a presença do balé naquela localidade poderia ser aproveitada no aspecto cultural (música, dança, teatro, artesanato polonês, muito desenvolvido), na culinária (restaurantes e venda de pratos típicos) e em intercâmbio econômico com empresários poloneses para algum tipo de indústria (vodca, confecção de trajes típicos e outros mais).

Infelizmente, como a aquisição da sede própria já foi consumada, resta apenas lamentar que a colônia polonesa não tenha sido contemplada e deixar em aberto a possibilidade de o assunto ser rediscutido, se, no futuro, o local escolhido não se mostrar adequado para a consolidação do projeto do grande balé polonês.

Cabe lembrar, finalmente, que o projeto merece atenção e acompanhamento, pois, mesmo sendo constituído na forma de um instituto privado, propõe-se contar com recursos públicos das esferas federal, estadual e municipal para o seu funcionamento.

* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional / ajfabre@gmail.com

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