Por Denis Luciano - denis.luciano@engeplus.com.br
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Mais de 4 milhões de pessoas fizeram de Carandiru um sucesso de bilheteria. A crítica o consagrou, como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. E Luiz Carlos Vasconcelos estava lá. E o mesmo Luiz Carlos, com a sua simplicidade paraibana de 63 anos, está por Criciúma nesses dias, dando o seu recado no Festival Nacional de Teatro Revirado, evento que exalta os 20 anos do Cirquinho do Revirado.
“O teatro nasceu em minha vida aos seis anos, quando fui declamar uma poesia do colégio. E dali em diante não saiu mais de mim”, conta Luiz Carlos, o ator protagonista de Carandiru encarnando o médico Dráuzio Varela. Antes de filmar, ele passou semanas dentro da antiga casa de detenção paulistana convivendo na pele com as agruras que fizeram parte da rotina de Varela nos anos em que ele atendeu detentos em um trabalho de prevenção à AIDS. “Nunca vi um ambiente tão insalubre. Certo dia, uma revoada de baratas impediu a gravação. Outro dia, um grupo de ratazanas atacou o nosso café da manhã”, recorda.

E com essa bagagem, que vai dos palquinhos infantis na sua Paraíba até as telas do cinema e as novelas que estrelou, Luiz Carlos toma parte de uma mesa especial de debates na noite desta terça na programação do Festival Revirado. Ele compartilhará opiniões sobre o tema Comicidade com Geraldo Passos, o palhaço Biriba, e Marcelo Perna, integrante do Cirque du Soleil. “Trago o meu palhaço Xuxu que está na minha essência, do patinho feio, que tem todas as deformidades nele, do qual as pessoas riem, é a minha maior peça melodramática”, resume, citando o seu personagem trazido para os palcos do festival na região de Criciúma.

Mas Luiz Carlos já está de partida. Ele volta para São Paulo onde se integra ao elenco que, nas próximas semanas, inicia as gravações de “Marighella”, o longa-metragem que vai marcar a estreia de Wagner Moura como diretor e contará a trajetória do guerrilheiro de esquerda Carlos Marighella. “Será um filme de ação sobre um homem que não aceitava injustiças e perseguido como o Partido Comunista. Caiu numa emboscada quando foi assassinado. Vem aí um belo filme”, conta o ator, que estará na pele do próprio Marighella.
Com base em sua trajetória de sucesso, Luiz Carlos deixou um conselho aos jovens que pensam em atuar nas artes e na cultura. “O Brasil está em um afundamento cultural, e a diferença se dá no engajamento, nas guerrilhas culturais como faz o Festival Revirado. E conheça a si mesmo”, finaliza.
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