O fantasma
O fantasma da desindustrialização: tema para debate
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre *
A perda de dinamismo do setor secundário de Criciúma, nos últimos anos, coincide com o fim da fase áurea dos setores de carvão e cerâmica, tidos como verdadeiros carros-chefe na condução do crescimento industrial do município, nas décadas de setenta e oitenta, do século passado.
Esta constatação faz supor que o desenvolvimento industrial de Criciúma estava atrelado aos excedentes econômicos gerados na própria região sul, ou, dito de outra forma, que o município não tem atraído investimentos de fora para o seu parque industrial, salvo algumas exceções, como os direcionados aos insumos/equipamentos para a cerâmica de revestimentos.
Entre as causas da falta de atração de investimentos de porte, para o setor industrial, registre-se que Criciúma não tem uma localização privilegiada, em termos nacionais, levando-se em conta o grande mercado consumidor do sudeste brasileiro.
Em Santa Catarina, os grandes investimentos de fora têm privilegiado os municípios do litoral norte, vale do Itajaí e grande Florianópolis, levando em conta a melhor localização em relação ao já citado mercado do sudeste do país e a oferta de infra-estrutura, sobretudo em transportes (BR-101 duplicada, portos e aeroportos).
Em âmbito local, o município tem carência de maiores espaços para oferecer a eventuais investidores industriais, locais ou de fora, pelas já conhecidas restrições espaciais, seja pela escassez de terrenos, seja por já serem urbanizados/habitados, ou, ainda, por terem o seu subsolo minerado.
Afora isso, as economias externas e/ou de aglomeração, construídas em torno de Criciúma , muito importantes para concretizar o pólo e alguns clusters industriais em formação, passaram a constituir-se em vantagens locacionais regionalizadas, partilhadas pelos municípios vizinhos, ora pela proximidade da cidade-pólo, ora pela localização privilegiada em relação à BR-101, como é o caso de Içara.
Isto vale dizer, a região carbonífera oferece atrativos para a expansão de alguns ramos industriais já consolidados, mas os novos empreendimentos têm sido implantados nas unidades municipais que oferecem vantagens pontuais, tais como: maior disponibilidade de terrenos, menor custo de localização, incentivos econômicos diretos, de infra-estrutura e fiscais, menor custo de mão-de-obra, pouca burocracia no exame dos pleitos, além de outros.
Criciúma, em contrapartida, além das já apontadas dificuldades de oferecer espaços para investidores industriais, depara-se com as chamadas deseconomias de aglomeração: traçado da cidade, ruas estreitas, congestionamento urbano (gerando demora e estresse nos deslocamentos), além de fatores outros como desemprego, marginalidade social, violência urbana, sindicalismo exacerbado, restrições ambientais e outros. Nem a chamada “griffe Criciúma”, outrora mencionada por alguns empresários, consegue manter a preferência pelo território criciumense.
Além das restrições/dificuldades apontadas, Criciúma carece de uma legislação moderna de incentivos econômico-fiscais, tem seu plano diretor desatualizado, o que gera, não raro, contestações em termos de localização (como ocorre com a área industrial do Verdinho), sofre os efeitos da burocracia interna, além das dificuldades intrínsecas classificáveis como deseconomias de aglomeração, já mencionadas.
Em face do exposto, não é exagerado afirmar-se que o fantasma da desindustrialização ronda o município de Criciúma, pois, não se vê no horizonte próximo perspectivas de novas conjunturas favoráveis que possam alterar substancialmente o quadro que ora se apresenta.
De outro modo, a duplicação da BR-101 e a oferta regular de vôos comerciais para a região contribuem para melhorar a infra-estrutura de transportes do sul do estado, mas parecem insuficientes para deflagrar um novo processo de crescimento industrial no município.
Diante do quadro negativo ligeiramente diagnosticado, cabe ao poder público municipal (executivo e legislativo), em consonância com as novas disposições do plano diretor e, ouvidos os órgãos empresariais, a adoção de uma política firme, atual e moderna para atrair investimentos industriais para o município, mediante a criação/concessão de incentivos econômico-fiscais e outras facilidades. Para tanto, é imperioso contar com uma estrutura dinâmica e atuante para operacionalizar essa política de retomada do crescimento industrial. O atual momento de estagnação do setor exige essas providências.
* Economista / MSC em Desenvolvimento Regional / E-mail: ajfabre@gmail.com
