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Ocupação do

Ocupação do espaço urbano: algumas reflexões, novos conceitos

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

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Ademar José Fabre *

No momento em que o novo plano diretor urbano acha-se em vias de ser discutido e votado, obras viárias estruturais são concluídas, projetadas ou previstas, Criciúma precisa pensar na ocupação do seu espaço urbano com visão futurista, sob pena de limitar a qualidade de vida de seus futuros habitantes.

Urge raciocinar em termos abrangentes e de longo prazo, tendo presente a nova realidade hoje existente, como as limitações territoriais do município, o porte da cidade e seu novo papel como principal aglomerado urbano sul catarinense. Nesses termos, não cabem mais as soluções transitórias e paliativas, como alargar e ampliar ruas, implantar passarelas.

Hoje a cidade já tem cara de 200 mil habitantes. É o momento oportuno de planejar um centro urbano regional de 300 mil, ou mesmo 400 mil habitantes, se for considerado o crescimento conjunto de Içara e sua inevitável conurbação.

Razões ligadas à história econômica (localização das minas, vilas operárias, traçado da ferrovia e estradas estaduais), fizeram por configurar uma cidade de formato linear, no sentido leste-oeste. A Avenida Centenário, utilizando o leito da estrada-de-ferro, veio consolidar essa distribuição linear e, com isso, ocasionou excessiva concentração de tráfego no eixo Pinheirinho-Centro-Próspera.

O afunilamento do tráfego no Pinheirinho é hoje o ponto mais crítico da avenida e isto tende a agravar-se, com a revitalização da Rodovia Jorge Lacerda, o retorno dos vôos regulares ao aeroporto e o grande crescimento dos estabelecimentos de ensino do bairro, especialmente a UNESC e a SATC.

Soluções urgentes precisam ser encontradas para o trânsito do local, tais como: convencer a ferrovia a retirar dali o seu páteo de manobras e, em futuro próximo, deslocar também os trilhos do bairro.

Na outra ponta da avenida, o bairro Próspera caminha, também, para uma situação de grande concentração de trânsito, ao localizar o terminal fechado do sistema integrado de transportes, comércio e serviços em franca evolução, além de atuar como centro de passagem do tráfego pesado das avenidas Centenário e Imigrantes Poloneses.


Com a definição/implantação do projeto da Via Rápida, prevista para desaguar no Jardim Maristela, o bairro sofrerá impacto semelhante ao Pinheirinho e deverá merecer cuidadoso estudo no que tange aos novos fluxos gerados e a serem distribuídos, considerando, ainda, suas limitações territoriais, em face da proximidade da fronteira de Içara.

O centro da cidade acha-se excessivamente concentrado, com localização de número expressivo de lojas, grandes colégios, terminal urbano central, estação rodoviária, hospital, diversos ginásios de esportes e o Estádio Heriberto Hülse, além de um grande contingente de edifícios residenciais nas imediações (Comerciário). Tudo isto faz multiplicar os fluxos rodoviários na avenida e vias centrais, provocando congestionamentos.

O projeto do anel de contorno externo, ora em implantação, é de grande significado para redirecionar o tráfego pesado do entorno de Criciúma, evitando congestionar o centro da cidade, daí a urgência de sua conclusão.

Diante do congestionamento nos bairros citados e da concentração de equipamentos no centro urbano, urge projetar-se soluções de longo alcance para equacionar os problemas citados, tais como:

a) alargar a Avenida Santos Dumont (bairro São Luiz), para concretizar o velho projeto de desviar o tráfego pesado do Pinheirinho para Próspera, aliviando a Centenário.

b) Estudar uma terceira hipótese de ligação do Pinheirinho à Próspera, traçando uma avenida contígua ao traçado da ferrovia, nos fundos (sul) do bairro São Luiz, ligando a vila Milanese à Avenida Miguel Patrício de Souza, no Bosque do Repouso.

c) Definir um novo vetor de crescimento econômico, urbano e demográfico, que permita redirecionar a expansão da cidade, hoje concentrada no eixo da Avenida Centenário.
Como a cidade caminha para a BR-101 e, dadas as limitações físico-topográficas de outras saídas da cidade, o vetor natural, com amplas possibilidades de tornar-se um futuro eixo de desenvolvimento é o traçado da Rodovia Luiz Rosso, a partir da concretização do anel de contorno viário externo, com interseção na Primeira Linha.

Com a conclusão do anel viário, a localidade de Primeira Linha vai desempenhar o papel de entroncamento rodoviário intra-urbano, formado pela confluência da Rodovia Luiz Rosso com o segmento ali concluído da referida via de contorno, recebendo fluxos de veículos dos quatro pontos cardeais.

Pela sua localização relativamente próxima do centro, o segmento do acesso centro, compreendido entre Primeira e Segunda Linha e suas vias transversais, presta-se perfeitamente para sediar equipamentos urbanos de relevância, como a extensão da linha troncal e novo terminal fechado, estação rodoviária, estádios esportivos, empresas industriais, comerciais e de serviços, além de condomínios residenciais. Em alguns anos, essa área deverá tornar-se uma extensão do bairro São Luiz e uma continuidade do centro urbano.

Concluindo-se, é oportuno observar que essa ocupação ao longo da Luiz Rosso, em direção à BR-101, será decisiva para alterar a linearidade histórica comentada e, com isso, a cidade se distribuirá, no futuro, não mais em linha, como hoje ocorre, mas em forma de “T” acompanhando a conformação do território municipal.

* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional E-mail: ajfabre@gmail.com
Consultor da Câmara Municipal para o projeto de recuperação econômica de Criciúma

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