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Opinião - Os italianos e a diversidade das pequenas fábricas artesanais em Nova Belluno/Siderópolis

Por Redação Engeplus

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“Os italianos e os alemães foram de vital importância

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para a economia catarinense, pelo seu envolvimento

com o comércio e a futura indústria. Portadores de

conhecimentos técnicos e empresariais trazidos da

Europa, redefiniram a nova posição econômica de

Santa Catarina, dentro do modelo tradicional de

desenvolvimento”.

Ondina Pereira Bossle. 1988. p. 22.

Na última década do século XIX, os primeiros imigrantes europeus que formaram os núcleos coloniais da Colônia de Nova Veneza, criaram uma diversidade de pequenas fábricas artesanais de constituição familiar. A criatividade surgiu da necessidade de produzir alimentos para a família, numa época em que a Mata Atlântica ainda era soberana. Quando aqui chegaram e se fixaram nas colônias, era premente a preocupação com a alimentação familiar.

Por meio das atafonas movidas, na sua grande maioria, por rodas d’água, nossos primeiros colonos italianos se especializaram no preparo da farinha de milho para fazer “la bella polenta”, e por meio de diversos engenhos movidos por tração animal, se especializaram, também, em produzir o açúcar mascavo (açúcar grosso) e o melado, para adoçar um pouco a vida dos nossos “nonnos”, além de alambiques para a produção de cachaça. Em Nova Belluno (Siderópolis, SC), ouvindo pessoas mais velhas, pode-se constatar o elevado número de pequenos meios de subsistências desenvolvidos pelas comunidades do Alto Rio Maina, Santa Luzia, São Martinho Alto e São Martinho Baixo. Do Alto Rio Maina, do engenho de cana-de-açúcar, engenho de farinha de mandioca, atafona, serraria movidas a roda d’água e posteriormente por uma caldeira a lenha e o alambique, de Carlo Peterle, não restaram vestígio algum. É curioso saber que, durante um bom tempo, a água existente no Alto Rio Maina, em torno da atual Igreja Católica, tinha força suficiente para mover as pequenas indústrias dos Peterle.

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Depois da catástrofe da mineraçãodo carvão mineral e o desmatamento total da área, restou uma quantidade ínfima de água que corre poluída até cair num grande abismo, num local mágico, onde outrora fora instalada uma enorme roda d’água. As atividades das indústrias de Carlo Peterle findaram no final da década de 1960. Ainda, no Alto Rio Maina, existiu por mais de 20 anos, até o final da década de 1970, a atafona, o descascador de arroz e de café de Hilário Comin, movidas inicialmente a óleo diesel e posteriormente a energia elétrica. Passando pelo alto da estrada que acessa a comunidade pode-se observar o casario, todo escuro e envelhecido, que abrigou a atafona do Comin, um lugar recomendado para visitação.

Hilário vendeu a atafona e os descascadores a Valdir Rossa. Existiu também o engenho de cana-de-açúcar de Isaias Comin, movida por tração animal, enquanto José Fabris, bisavô de Everaldo Fabris, beneficiava palha de milho para o cigarro de fumo de corda, e possuía, também, um engenho de farinha de mandioca e uma olaria de tijolos com tração animal. No São Martinho Alto, existiram muitos engenhos de cana-de-açúcar movidos por tração animal, alambiquese outras atividades.
A produção de açúcar e cachaça provinha dos engenhos de: Antonio De Nez – Engenho de cana-de-açúcar e alambique; Arcangelo Rossa, avô de Noemia Rossa Dassi – Engenho de cana-de-açúcar, atafona e alambique; Brunoni De Mattia – Engenho de cana-de-açúcar; Constante de Mattia – Engenho de cana-de-açúcar; Francisco Pasetto – Engenho de cana-de-açúcar; Giacomo Rossa – Ferraria; Humberto De Mattia – Engenho de cana-de-açúcar; João Damiani – Engenho de cana-de-açúcar; José Feltrin, pai de Caetano Feltrin – Engenho de cana-de-açúcar e alambique, posteriormente vendidos a Giocondo De Bona; Luiz Scariot – Engenho de cana-de-açúcar; Pedro De Nez – Engenho de cana-de-açúcar e alambique e Rico De Mattia – Engenho de cana-de-açúcar.

Nesta comunidade ainda estão na ativa o engenhos com alambiques de Mario De Nez, construído por seu avô Antonio De Nez, e o engenho de Primo Rosalino De Nez, ambos produzindo açúcar mascavo e uma ótima cachaça. Em Nova Belluno (Siderópolis, SC), em São Martinho Alto, a tradição ainda persiste. Solir Antonio De Mattia, bisneto de Rico De Mattia, construiu, recentemente, dois alambiques e vem produzindo uma cachaça de boa qualidade. Vale destacar, também, que Modesto De Mattia está construindo um engenho de cana-de-açúcar, utilizando-se de algumas peças em madeira que eram do engenho do seu bisavô Rico De Mattia, tendo como objetivo preservar a memória da pequena indústria artesanal criada pela primeira geração de imigrantes italianos e oferecer aos visitantes uma bela atração turística.

Na localidade de São Martinho Baixo, com abundância de água, existiu a atafona de Julio Luiz Mazzorana, que vendeu posteriormente suas terras e a atafona para Pedro Vitali, bisavô de João Carlos Vitali; o engenho de cana de açúcar e o alambique de Cisto Fretta e seu filho Afonso Fretta; a serraria, atafona e um descascador de arroz dos irmãos Domingo e Guerino Savaris, que posteriormente venderam a Hereditário Venturini; engenho de farinha de mandioca de Hereditário Venturini; engenho de cana-de-açúcar e alambique de Giacomo de Bona em atividade; a atafona construída em 1898, a serraria, a ferraria e o engenho de cana-de-açúcar de Francisco De Bona, pai de Angelo e Valentino De Bona (Tino Palota). Ainda hoje se encontram vestígios das construções onde funcionaram os pequenos empreendimentos dos Savaris, dos Palota e dos Fretta.

Em Santa Luzia encontramos: Ângelo Savaris, pai de Ângela Savaris Rossa, com um engenho de cana-de-açúcar que fora construído na encosta do morro do túnel, aproveitando as águas das nascentes do rio Sangão para girar a roda d’água, do qual ainda se pode visualizaros vestígios da antiga construção; Luiz Olivo com engenho de cana-de-açúcar e alambique e Vitório Olivo com engenho de cana-de-açúcar, ambos movidos por tração animal.

Que lição de vida podemos aprender com nossos antepassados? Mesmo diante de grandes obstáculos e dificuldades, é possível construir um modo de vida sustentável movidos pela vontade, criatividade e sabedoria para usufruir de todos os recursos que a natureza nos oferece. Nossos“nonnos” aprenderam a lidar com a terra no “Novo Mundo”; conseguiram produzir o sustento para os seus filhos e ainda gerar um pequeno excedente de produtos para a economia local. Com um modo de vida simples e muita criatividade, construíram os primeiros alicerces de Nova Belluno.

Nilso Dassi - Licenciado e Bacharel em História pela Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC – Criciúma – SC. Turma 2006/2.

- Com as sugestões importantes de Carlos Renato Carola: Professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Mestre em História pela UFSC e Doutor em História pela USP.

BOSSLE, Ondina Pereira. História da Industrialização Catarinense: das origens à integração no desenvolvimento brasileiro. Ondina Pereira Bossle. Florianópolis: 2. ed. CNI/FIESC, 1988. 155p.

Observação: texto elaborado depois de muita conversa com Antonio Olivo, Caetano Feltrin, Dozolina De Nez, Giacomo Trombim, Gian Carlo Peterle, Honorato Martins De Mattia, Hilário Comin, Ignese Peterle Comin, João Dilnei Peterle, João Lazzaris Neto, João Olivo, Luiz Olivo, Modesto de Mattia, Noemia Rossa Dassi, Pedro De Mattia, Primo Rosalino De Nez, Valdir Rossa e Valentino De Bona (Tino Palota).

Curiosidade: existe no Bar Luiz Possoli, em Siderópolis, duas garrafas de cachaça, com mais de 50 anos, produzidas e engarrafadas por Afonso Fretta, duas raridades muito bem guardadas por Dirce Possoli.

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