Os ônibus em Berlim são amarelinhos como os nossos!

Por Texto/fotos: Lene De Costa - lenedecosta@engeplus.com.br

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O calor que eu esperava a viagem inteira se concentrou na Alemanha e às 8 da manhã, quando saio do hotel, já dá pra sentir que depois de passar frio em Londres vou derreter em Berlim. O primeiro destino do dia já está decidido. Turista que se preze tem que subir num ponto turístico de onde se possa avistar a cidade, e é por isso que vamos ao Reichstag Building, a sede do parlamento alemão.

Por uma fração de segundo me sinto em Criciúma: os ônibus em Berlim são... amarelinhos! Não sei porquê os ônibus de Londres são tão famosos e os de Berlim não, se seguem o mesmo modelo, dois andares, banquinhos confortáveis. Só muda a cor. E os amarelinhos me pareceram mais conservados. Como vamos rodar o dia todo, a melhor pedida é comprar o tageskarte, um passe de 6,10 Euros que vale para todos os veículos durante 24 horas.

Seguindo a organização tradicional no país, o ponto de ônibus tem um painel digital informando as linhas que passam naquela rota e em quantos minutos o ônibus estará ali. E funciona, no horário marcado ele realmente está ali. Mesmo com os coletivos precisos e o metrô, muita gente usa bicicleta como meio de transporte em Berlim – mas nada comparado a Amsterdam, claro.

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Como chegamos bem antes das portas do Reichstag Building serem abertas, a fila na entrada ainda é pequena, pouco mais de cem pessoas. Para um ponto turístico europeu está praticamente vazio, ainda mais se considerarmos que a entrada é gratuita. Um posto próximo da porta mantém folders explicativos do local em vários idiomas (não, em português não tem), com legendas da vista panorâmica contemplada do alto da cúpula de vidro.

Quando se cruza a porta, funcionários impecavelmente vestidos em ternos e taiers fazem uma revista completa no turista, com detector de metal e mochilas e pochetes escaneadas, igual aos aeroportos. Não podem ser tiradas fotos dali. Os desarmados têm acesso, então, ao elevador, um elevador para umas 50 pessoas, e dois andares acima são liberados para subir a rampa. Apreciando a vista, calculo uns 10 minutos de subida, talvez mais. Turista perde um pouco a noção do tempo. Na minha rampa as pessoas só vão, abaixo vejo a outra rampa onde as pessoas voltam, bem organização de alemão mesmo, nada de bagunça.

No centro do domo de vidro há um banco arredondado, e não consegui descobrir porquê, mas a reação de todo mundo é a mesma ao chegar lá, deitar no banco. Como se a subida tivesse levado dias. Incrível, é chegar no banco e se esticar, sem esquecer de posar para foto deitado. Na dúvida, segui o fluxo e fiz o mesmo. E confesso que o tal banquinho não é nada mau.

Além de avistar a cidade, lá de cima dá pra ver os parlamentares trabalhando no térreo. Pela movimentação, parecem realmente trabalhando. No parapeito do último andar há inscrições e fotografias, mas as consoantes são tantas que desisto de tentar entender do que se trata.

O Reichstag Building tem quatro torres, e a bandeira da Alemanha está erguida em cada uma delas. Do alto da cúpula dá pra ver a Torre da Televisão, o ponto mais alto de Berlim, com 368 metros de altura. O turista pode ir até o café, a 207 metros. Por falta de tempo, vi a torre só de longe mesmo. A Catedral de Berlim fica pequenininha lá de cima, assim como o Phillarmonic Hall. A Praça da República, em frente ao Parlamento, abriga um extenso jardim, muito bem aparado, limpíssimo. Pra variar, fotografo tudo meio de longe. Meu medo da mistura vidro + altura continua vivo. A visita encerra com um passeio pelo terraço, onde é possível sentir o vento e fotografar a cúpula por fora. Registrei, inclusive, o momento em que os vidros eram limpos e até em matéria de andaime pode-se dizer que os alemães sabem como impressionar.

Em frente ao jardim paro ainda para fotografar um monumento formado por placas de pedra. Coisa estranha. Outra coisa que aproveito para clicar ali é o telefone público, cor-de-rosa. Um mimo, estão espalhados por toda parte. Não sei se sempre foram assim ou se tem a ver com Ângela Merkel, a primeira mulher a chefiar o governo alemão. Parece coisa da Barbie. Quem diria que na terra que já foi chefiada por Hitler os telefones públicos seriam rosa...

Como nos demais países pelos quais passei, parque na Alemanha é uma festa. Todo mundo estendido na grama sem se preocupar, comendo, lendo, curtindo o sol. É este o clima no parque da Ilha dos Museus, onde paramos para um breve passeio depois da visita ao Parlamento. Com o calor de quase 30 graus, a vontade é pular na fonte em frente ao Altes Museum, o Antigo Museu de Berlim, maior e mais importante no campo das artes.

Em Berlim descobri que a fama de honesto dos alemães não é só fama, porque há estações de metrô em que não é necessário apresentar o passe para pegar a linha. Na volta da Ilha dos Museus entro numa estação sem catracas, olho em volta procurando alguém que esteja ao menos cuidando, nada. Deduzo que a catraca deve estar na descida. Nova estação, nada de catracas. Totalmente aberto para o usuário sair sem mostrar que pagou em algum ponto. Colegas do grupo que já conheciam a Alemanha disseram que há uma fiscalização que pode abordar o usuário em uma das paradas e, aí sim, pedir o ticket. Mas que isso pode nunca acontecer, só que como é da cultura deles pagar mesmo sem ser fiscalizado, eles pagam. Bela exemplo, mas acho que não funcionaria muito bem no Brasil.

As estações de metrô, aliás, merecem destaque. Parecem galerias de arte, muito bem decoradas, iluminadas, silenciosas. Um espetáculo. O metrô, em alguns momentos, roda por cima da terra, e dá pra conhecer mais alguns locais, além de, claro, observar o dia-a-dia dos alemães. Um comentário à parte, que alemães! Nada de loiríssimos de pele avermelhada como imaginei. Homens altos, bonitos, bem-vestidos. Para não dizer que não falei das mulheres, seguem o mesmo padrão dos homens, mas óbvio que não fiquei prestando tanta atenção nelas. Ah, e os metrôs também são amarelos. Como gostam de amarelo os alemães.

Nosso roteiro ainda inclui uma visita à Sony Center Potsdamer Platz, uma futurística praça coberta por vidro (como gostam de coberturas de vidro aqui, não?), com telões pra todo lado, shopping center, cafés, cinemas, lojas. É minha última esperança de comprar acessório pra câmera, mas na Sony Style ninguém fala espanhol também. Fica para a próxima.

O restante da tarde é dedicado às compras, e para não me perder do grupo faço a maratona sem muito interesse, afinal, jornalista traz muitas fotos, mas poucas compras. Diria que o melhor da tarde foi saborear um sorvete com cobertura de morango observando o sol em uma pequena praça de Berlim, tendo como companhia o vai-e-vem do comércio. Da rua onde estou ainda consigo ver uma igreja destruída pela guerra, e o que sobrou é mantido assim para simbolizar novos tempos.

Na volta para o hotel, clico uma torre com um anjo que me parece familiar. Tenho quase certeza que estou diante da torre em que Bono Vox gravou o clipe de Stay que assisti há alguns anos quando ainda nem sonhava em conhecer Berlim. O anjo é a estátua alada dourada no Tiergarten Siegessaeule, um bairro da parte ocidental da cidade. E era mesmo o cenário do clipe do U2. Pouco fã.

À noite, minha última noite na Europa, já tenho destino certo: primeiro o chope do Schleusenkrugs. Depois, hora de arrumar as malas e deixar tudo pronto para a volta ao Brasil. Ainda terei uma manhã em Berlim, com um último passeio, e será o bicho!

Na próxima semana, o tour pela Europa se despede.

RELEMBRE COMO COMEÇOU O TOUR
Voilà! A criciumense está em Paris

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