Ascensão
Passagem livre para o desenvolvimento
Na corrida contra o tempo, ponte de Laguna se torna aliada do crescimento do Sul de SC
Por Redação Engeplus
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Construída para ser a principal conexão entre o Sul e o Norte de Santa Catarina, a ponte Anita Garibaldi representa mais do que um cartão postal, e traz a esperança de maior crescimento econômico à população. O Sul se prepara para despontar no cenário estadual como uma região em pleno desenvolvimento. A obra, entregue no dia 4 de julho deste ano, já começa a refletir positivamente em, pelo menos, três segmentos: indústria, transporte e turismo.

A antiga ponte, no Canal de Laranjeiras, em Laguna, era considerada o maior gargalo da BR-101 no Sul de Santa Catarina. Mesmo com outros pontos não duplicados na rodovia, este era o que apresentava maior problema em dias de intenso tráfego.
De problema à solução, aliada à conclusão da duplicação, e ao início do funcionamento do Aeroporto Regional de Jaguaruna, agora a ponte Anita Garibaldi é vista como uma janela que se abre para o desenvolvimento da região Sul. A afirmação é do presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), César Smielevski. "Esperamos ainda a liberação da Via Rápida para o fim do próximo ano. Desta forma, as soluções estruturantes chegarão ao fim. Este conjunto de ações, sendo a principal delas a conclusão da ponte, trará o necessário para que o Sul do Estado desperte."
Smielevski acredita, no entanto, que o início do crescimento não será imediato. Ele afirma que o Brasil passa, atualmente, por um período de depressão econômica. "A partir do momento em que a economia do país apresentar melhoras, não tenho dúvidas de que novas empresas decidirão por se instalar na região."
Entre os investimentos necessários para o próximo ano, Smielevski destaca a área da educação. Com sete instituições de ensino superior, e quase 30 mil estudantes universitários, o Sul de Santa Catarina se sobressai como um forte gerador de mão de obra qualificada. "Uma empresa precisa disso. Se tivermos o investimento necessário, vamos atrair empresários de fora para o Sul, e também vamos incentivar a instalação de novas empresas na região."
O secretário de desenvolvimento regional no Sul, João Rosa Filho Fabris, lembra que a proximidade da região com o Mercosul será um dos fatores avaliados por indústrias que estudam o Sul como uma nova possibilidade. "Grandes empresas, tanto nacionais quanto internacionais, são esperadas por aqui. O Governo do Estado já está em busca de empresários que escolham nossa região. Com a duplicação deste trecho da BR-101 concluída e a proximidade com o porto de Imbituba, o ritmo de escoação será facilitado, o que é um grande atrativo industrial."

Transporte sem obstáculos
O trecho que liga Passo de Torres, último município de Santa Catarina, à capital, tem 271 quilômetros e pode ser feito em pouco mais de três horas na velocidade permitida para o trecho. Em épocas de feriado, esse trajeto costumava ser feito com o dobro ou até o triplo do tempo, por causa, principalmente, do engarrafamento na ponte de Laguna.
Por este motivo, o secretário de desenvolvimento de Criciúma, Jader Westrup, acredita que esse caminho costumava ser evitado pelas pessoas. "Isso fazia com que muita gente deixasse de vir a Criciúma e o município perdia visitantes, o que, por consequência, afetava tanto o desenvolvimento quanto a economia local. O mesmo acontecia com os municípios vizinhos", avalia.
Para o vice-presidente Regional Sul da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Diomício Vidal, a partir de agora as cidades do Sul do Estado ganharão mais visibilidade nas cidades do Norte. “As pessoas não terão mais problemas em chegar no horário em um compromisso nas cidades ligadas pela ponte. O tempo extra das filas, que era preciso ser somado às viagens, deixa de existir”, pondera.

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, de Cargas e Passageiros de Criciúma (Sintracril), Celeir Formentin Cândido, quando um problema de mobilidade urbana passa a afetar diretamente cidadãos comuns, este problema causa um grande estrago para as economias empresarial e pública.
"Isso aconteceu com a ponte Anita Garibaldi. Além do atraso financeiro, que tornava lenta a importação e exportação de produtos, havia também o atraso na vida das pessoas. O cotidiano de visitantes, sejam eles estudantes, turistas ou empresários, era diretamente afetado."
Segundo Cândido, não há dúvidas de que, tanto para os transportes de cargas quanto para os de pessoas, existirá, a partir de agora, uma melhor organização na logística de chegadas e partidas dos veículos. "O transporte de pessoas, principalmente o ônibus, poderá manter um padrão fixo de horários. O mesmo acontece com o de carga, que poderá trabalhar com uma estimativa de lucro mais certeira, já que as filas serão inexistentes."
O gerente comercial da empresa União Transportes, Marcelo Goulart Fernandes, confirma o sucesso da obra após sua inauguração. “A melhoria na área do transporte foi de 100%. Hoje não registramos mais problemas com as filas naquela região. Os ônibus chegam dentro do previsto aos destinos. Isso nos abre, inclusive, a possibilidade de colocar mais horários de partidas disponíveis. Como o percurso é feito em menor tempo, abrem-se mais horários em nosso calendário”, celebra.

Acesso facilitará negociações entre regiões
A desobstrução do principal gargalo da BR-101 Sul também terá influência positiva em negociações entre as diversas regiões do Estado e, principalmente, entre o Sul e Florianópolis. O presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), João Réus Rossi, lembra que empresários tinham transtornos quando precisavam cumprir agenda na capital. "Era preciso um dia inteiro para ir a Florianópolis e, muitas vezes, por causa dos atrasos na ponte, quando se chegava lá não havia tempo hábil para fazer muitas coisas."
Com o trânsito favorável, Rossi acredita que o potencial de crescimento é cada vez maior na Amrec. "Precisamos pensar em um ciclo. O empresário trará investimentos, precisará da mão de obra qualificada e isso vai gerar, quase automaticamente, mais empregos para o povo do Sul. Isso se encaixa na facilidade entre negociações econômicas e políticas entre a Amrec e a capital", confirma.

Para o presidente da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), Antônio João de Fáveri, o término das obras atinge diretamente o Vale do Araranguá, uma vez que a BR-101 é considerada um corredor entre o Mercosul e Santa Catarina, passando pelo Rio Grande do Sul. "Agora estamos servidos de pelo menos três maneiras tanto para o turismo, quanto para o transporte de cargas: temos os aeroportos, o porto de Imbituba e, agora, a ponte concluída na BR-101. Toda a região terá um salto qualitativo em produção, importação e exportação."
Fáveri chama a atenção para a questão turística do Vale do Araranguá. "Nossa região recebe muitos gaúchos e argentinos durante o Verão. Os paulistas e paranaenses, por exemplo, preferiam passar as férias no Norte do Estado. Com a liberação do gargalo, estamos nos preparando para um maior fluxo de turistas nas próximas férias.”
Setor de turismo será afetado positivamente
O setor de turismo da região também deve entrar em expansão no próximo ano. O presidente da Acic, César Smielevski,cita como exemplo a criação da Via Gastronômica de Criciúma, lançada no último dia 4 de agosto. Na ocasião, empresários do setor gastronômico se reuniram para juntar forças e tornar este ramo mais forte e preparado para receber turistas do todo o país.
"A intenção é que, a exemplo do Norte de Santa Catarina, a associação consiga criar um ciclo gastronômico para atrair mais pessoas à região. Isso acontecerá a partir da união entre as cidades vizinhas de Criciúma. Precisamos levar em conta que nosso maior acesso é justamente a BR-101", alega.

O coordenador do curso técnico em Guia de Turismo Nacional da Satc, Ari Azambuja, considera que a própria engenharia da ponte pode atrair turistas de outras partes do Brasil para a região. "Ela é um atrativo por si só, principalmente durante a noite. É encantador. Pessoas se deslocarão do Norte ao Sul apenas para cruzá-la. Com isso, teremos muitos turistas chegando à região."
Confiante, Azambuja destaca que o crescente fluxo de pessoas ajuda a abrir oportunidades. "Se considerarmos a Via Gastronômica, todo o Sul catarinense será uma via de alimentação e roteiros. Temos um contexto histórico muito grande na região. É o caso da Mina Modelo, de Criciúma. A conclusão da ponte trará reflexos em todas as áreas do turismo." A expectativa positiva se estende, ainda, para áreas já consideradas turísticas. É o caso, segundo Azambuja, da Serra do Rio do Rastro, em Lauro Müller, da região dos Cânions, em Jacinto Machado, e das praias da região de Araranguá. "Teremos uma possibilidade grande de incremento na área turística nos próximos anos."
Durante o período de construção da ponte Anita Garibaldi, uma câmera instalada pelo Portal Engeplus na cabeceira Sul registrou o passo a passo da obra. Confira o resultado final do timelapse, montado por Rodrigo Zilli.
Artes: Marcelo Rossi Longo



