Projeto de circulação estadual promove apresentação teatral gratuita em Imbituba
Sessões passam por Santa Catarina entre os meses de maio e junho

Por Redação Engeplus
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Imbituba é o terceiro município a receber a circulação estadual do espetáculo 'O Espectador Condenado à Morte', do grupo Quinta Não Dá. Na sexta-feira, dia 29 de maio, às 19h30, no Teatro Usina, a companhia teatral criada em Florianópolis leva ao público uma montagem inspirada no Teatro do Absurdo, marcada pelo humor ácido, crítica social e interação direta com a plateia.
Depois da estreia no Norte catarinense, o espetáculo foi para Balneário Camboriú e, agora, chega no Litoral para, depois, seguir até Lages, dia 30, e Chapecó, dia 6 de junho, finalizando a turnê em Florianópolis, dia 28 de junho. Todas as apresentações serão gratuitas, com retirada de ingressos uma hora antes, na bilheteria dos teatros. A classificação indicativa é de 14 anos.
Inspirado na obra do dramaturgo romeno, o espetáculo ancora-se na linguagem do Teatro do Absurdo para construir uma experiência que tensiona os limites entre palco e plateia. Mais do que assistir, o público é convidado a perceber seu próprio papel dentro da encenação. O diretor da peça, Leonardo Cesar, explicou que é uma crítica direta à passividade social. “O espectador acaba sendo condenado por calar-se diante das injustiças e dos absurdos do sistema”, contou.
Caracterizado por situações ilógicas, repetições e diálogos que desafiam a linearidade, o Teatro do Absurdo surge no pós-guerra como resposta a um mundo em crise de sentido. Em ‘O Espectador Condenado à Morte’, esses elementos ganham forma em uma encenação que aproxima a ficção da realidade contemporânea, marcada por julgamentos constantes, disputas de narrativa e exposição pública.
Ao longo da peça, o pacto tradicional entre quem assiste e quem atua é colocado em xeque. O espectador deixa de ocupar um lugar passivo e passa a ser implicado no jogo cênico, em uma dinâmica que provoca reflexão e participação. “A obra não oferece respostas fáceis. Ao contrário, convida o público a lidar com as ambiguidades de um cenário onde a verdade pode ser tão instável quanto a própria encenação”, observou o diretor.
De acordo com ele, ninguém do público é obrigado a participar. A encenação envolve as cadeiras da plateia, para colocar o público no centro do julgamento, transformando-o em parte da engrenagem. “A experiência de fazer a peça, de certa forma, junto com os atores pode ser transformadora”, refletiu. Ainda mais em uma sociedade que está cada vez mais se distanciando do presencial, das interações humanas e, ao mesmo tempo, produzindo uma realidade que beira o absurdo. Não por acaso, a peça sugere reflexões acerca do cotidiano das pessoas, dos líderes políticos que se apresentam e tantas outras questões.
Ainda segundo Cesar, o teatro pode trazer esse tipo de reflexão e, também por isso, é preciso cada vez mais ampliar o acesso à produção teatral contemporânea e chegar a outras cidades, para além da capital do estado. A circulação contempla cinco regiões de Santa Catarina, sendo que todas as apresentações terão tradução em Libras, e Florianópolis contará, também, com audiodescrição, reforçando o compromisso do projeto com a inclusão de diferentes públicos.


































