Engeplus
Opinião

Revitalização indust

Revitalização industrial de Criciúma: caminhos possíveis

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

Compartilhar:

Ademar José Fabre*

A retomada do crescimento econômico de Criciúma deve passar, necessariamente, pela revitalização do seu setor industrial, que ora apresenta índices menos favoráveis de desempenho, afetando diretamente o retorno de tributos e suas conhecidas repercussões negativas.

A perda de dinamismo dos ramos tradicionalmente fortes, como cerâmica, plásticos, vestuário e químicos não tem permitido repetir o desempenho setorial de décadas anteriores, em virtude de causas diversas, entre as quais os fatores exógenos, como concorrência interna e externa, alto custo dos insumos, falta de uma política setorial específica e redução do poder aquisitivo do consumidor, além de insuficiência de investimentos em inovação e um certo grau de acomodação de alguns sub-setores.

No entanto, essa revitalização industrial deverá ser criteriosamente planejada, eis que a conjuntura econômica mundial mudou radicalmente, depois do período fordista de forte crescimento de setores-chave da economia. As condições criadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela globalização da economia impuseram novos padrões de uso do espaço, em escala não apenas mundial, mas também regional e local.

O novo paradigma de industrialização, que adotou o método flexível de produzir, vem substituindo os gigantes industriais de produção massiva por empresas de menor porte, ancoradas em fatores endógenos de recursos e habilidades locais para a industrialização.

Trazendo a análise para a conjuntura municipal, observa-se que a concentração industrial em Criciúma já redunda em diversos problemas sociais, como desemprego, marginalidade, invasão de terrenos urbanos, além de uma sobrecarga em sua infra-estrutura social e econômica. Isto vale dizer, as deseconomias ou desvantagens aglomerativas já estão superando as vantagens locacionais existentes para os principais ramos industriais do município.

Apresentado à região carbonífera, em 1997, o Plano Básico de Desenvolvimento, da AMREC, já apontava essas externalidades negativas, decorrentes da concentração industrial e, dadas as condicionantes detectadas, preconizava um reordenamento industrial, baseado em indústrias de alto valor agregado e baixa absorção de mão-de-obra, a fim de superar as desvantagens aglomerativas apontadas.

Sugeria, ainda, uma política de descentralização industrial, via re-localização, ampliação e novos assentamentos em áreas de menor custo de implantação. O PBDEE recomendava, também, a revisão urgente do plano diretor urbano, com ênfase na problemática da localização industrial.

Diante da conjuntura industrial ligeiramente diagnosticada, parece de todo racional supor que uma revitalização industrial minuciosamente planejada deva buscar, em primeiro lugar, a solução definitiva das carências infra-estruturais, como duplicação da BR-101 e conclusão do anel de contorno viário (em execução), retomada das linhas aéreas (esperada para ocorrer em breve), novo acesso à BR-101(em projeto), além de medidas outras, de caráter legal-administrativo, sugeridas a seguir, para obter a pretendida revitalização industrial:

1. Inventariar/reavaliar todos os locais/áreas passíveis de receber plantas industriais, a começar pela área nobre que margeia os 6 km da BR-101 no município e seus dois acessos intra-municipais, com a necessária compatibilização às disposições de novo plano diretor urbano;

2. Adotar, no âmbito do poder público, uma política firme, atual e moderna para atrair investimentos industriais, consistindo na concessão de incentivos fiscais e econômicos a possíveis investidores no território municipal, observadas as condicionantes retro referidas; criar uma estrutura administrativa dinâmica e atuante para implementar a nova política de industrialização municipal;

3. Estimular o adensamento das cadeias produtivas existentes, facilitando a implantação/re-localização de aglomerados industriais, do tipo áreas, clusters, colméias, etc., a fim de racionalizar os custos de implantação e melhor aproveitar a infra-estrutura disponível;

4. Criar incentivos especiais para atrair empreendimentos industriais de alta tecnologia (com produtos de alto valor agregado) apoiando, concomitantemente, as iniciativas que redundem em empreendimentos da espécie, como a Incubadora Tecnológica Empresarial-Midisul, do Senai; estimular a Unesc a criar e implementar empreendimento da espécie;

5.Tendo por modelo a experiência da Terceira Itália e outras similares, criar incentivos para a implantação de pequenas e médias empresas de setores preferencialmente dinâmicos, com estrutura desverticalizada (desintegrada), mas com interligação intersetorial, via consórcios de produção, de sorte a tirar o maior proveito das potencialidades industriais da região.

6. No âmbito do poder público municipal, buscar parcerias e/ou consórcios com prefeituras/municípios limítrofes (da microrregião ou não), para criar áreas/conglomerados industriais em conjunto, em pontos locacionais adequados, oferecendo o know-how (e a grife) de Criciúma, a fim de somar as potencialidades/experiências de cada unidade municipal.

* Economista / MSC em Desenvolvimento Regional

Compartilhar:
Leia a seguirIndústria ou serviços: o falso dilema em Criciúma
Publicidade