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Nova Veneza

Revolta da Polenta discute os gastos públicos

Movimento surgiu no Facebook e se mobiliza para pedir redução de salários de vereadores

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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Foto: Rafaela Trombin / Rádio Eldorado

Com o debate dos gastos públicos em alta, um grupo se reuniu em Nova Veneza e criou o Movimento Revolta da Polenta. Em poucas semanas, ganhou repercussão e já conta com 15 coordenadores e 677 membros no Facebook. Na pauta cotidiana, levantamentos de gastos, discussões acaloradas e mais um tempero na já agitada vida política da cidade. Assinaturas estão sendo coletadas para um projeto de lei de origem popular que visa reduzir os salários dos vereadores.

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“Somos um grupo apartidário, apolítico”, garante Davi Ghislandi, um dos coordenadores. “Nosso objetivo é controlar gastos públicos, e alertar para abusos desnecessários”, detalha outro componente, Daniel Dal Sasso.

Coordenador da página na rede social, Jadson Barbosa cita o que considera “números alarmantes” dos gastos públicos em Nova Veneza. “Um professor que trabalha 20 horas ganha R$ 1,3 mil. Um vereador, R$ 4,6 mil. É justo?”, indaga. Esses dados pautaram um dos posts mais repercutidos até agora.

Os super salários
da Câmara

Ainda com foco na Câmara, os integrantes do movimento lembram que o Legislativo conta com “super salários”. “O contador da Câmara ganha R$ 10,1 mil. Só ganha menos que o prefeito, que recebe R$ 15,5 mil. O diretor da Câmara, que nem tem muita função, recebe R$ 5,3 mil”, pondera Davi. “Eles usam a legalidade para praticar a imoralidade. O salário não é ilegal, mas é imoral”, menciona Davi.

“Tem cargos de comissão que podem ser reduzidos ou até cortados, e podem baixar salários de prefeito, vice, secretários”, adiciona Daniel. Em outra postagem, o Revolta da Polenta cita que a Câmara gastou R$ 142 mil em janeiro, mesmo em recesso, “sendo que para manter a coleta de lixo Nova Veneza gasta R$ 162 mil ano ano”, completa Jadson.

O grupo questiona, também, o tempo das sessões. “A Câmara fez sessões de 31, 26, 21 e até uma de seis minutos em agosto do ano passado”, denuncia Davi. O movimento calcula que, somente em 2016, Nova Veneza gastou R$ 309,8 mil com seis cargos de confiança. “Se os políticos da cidade reduzirem seus vencimentos para um salário mínimo, vão sobrar R$ 463 mil, o suficiente para manter o Hospital São Marcos por quatro meses”, conclui Davi.

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Salários deveriam
ser até maiores

Em resposta, o diretor da Câmara, Laércio Gava, fez uma correção. “Meu salário é de R$ 8,1 mil. Eu abasteço diariamente o Portal da Transparência e por isso ganhei um aditivo de 25%, por orientação do Tribunal de Contas”, observa.

No entendimento de Gava, o salário do vereador deveria ser até maior que os R$ 4,6 mil reclamados pelo movimento. “Sou funcionário mais antigo aqui, e nossa Câmara é um exemplo. No ano passado, devolvemos 30% do orçamento”, explica. E vai além. “O nosso vereador não embolsa o salário, ele ajuda as pessoas que vem aqui pedir dinheiro para receita médica, para time de futebol, para entidades. O salário não é recebido, é repassado, e devia ser até maior”, conclui.

Abaixo assinado
nas ruas

Cerca de mil assinaturas já foram coletadas pelo grupo para o abaixo assinado do projeto de lei dos salários dos vereadores. No sábado, o movimento fará uma caminhada em São Bento Baixo, e no dia 4 de março no Caravaggio. No dia 11, um ato ocorrerá na Praça Humberto Bortoluzzi para apanhar as últimas assinaturas, já que o Revolta da Polenta registrará o abaixo assinado em cartório e, no dia 13, entregará o projeto para o presidente da Câmara, vereador Eloir Minatto (PSD).

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