Rodovia Interpraias:
Rodovia Interpraias: redenção turística do Sul?
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre* (ajfabre@gmail.com)
Sonho de mais de duas décadas dos entusiastas do turismo, como a Sulcatur, que efetuou mais de 20 eventos a respeito; pauta de inúmeros encontros, reuniões, seminários de conscientização, sessões e audiências públicas, reivindicações comunitárias; anseio de moradores do litoral e veranistas, objeto de campanhas políticas, de promessas não cumpridas, de decepções, descréditos e até revoltas de eleitores ludibriados e, nos últimos tempos, com projeto engavetado, eis que ressurge a Rodovia Interpraias, cujos primeiros trechos, a partir de Laguna e Passo de Torres, o governo estadual promete implantar/asfaltar a partir de agosto de 2006.
A rodovia federal BR-101, quando entregue ao tráfego, nos primeiros anos da década de setenta, do século passado, foi chamada de “espinha dorsal” do sistema de transportes rodoviários do sul, de “pista de corrida” do progresso (pela falta de ligações com o interior da zona), enfim, caracterizou-se como rodovia de passagem pelo sul; pouco tempo depois, ficou saturada e, pelo descaso dos poderes públicos, mal conservada, abandonada, perigosa, criminosa, virou a “rodovia da morte” ao ceifar, anualmente, centenas de vidas humanas.
Ainda nos anos 70 (século 20), o interior da zona sul ganhou dois anéis viários, interligados entre si, o primeiro ligando Tubarão a Criciúma, via alto vale e, da sede da Amrec ao extremo-sul do vale do Araranguá: tal conexão foi chamada por alguns de “eixo do interior” ou “eixo longitudinal do interior”, com a função de integrar os pequenos/médios municípios dos dois vales aos pólos microrregionais de Tubarão e Criciúma.
A Rodovia Interpraias formará o “eixo longitudinal do litoral sul,” ao ligar, entre si, todas as praias da costa litorânea, integrar os municípios respectivos, formando um grande e aprazível corredor turístico e de lazer. Esta será sua primeira função.
Terá, também, o papel de eixo de desenvolvimento da região litorânea, ao facilitar o escoamento da produção agrícola e pesqueira das pequenas comunidades do litoral sul.
Proverá, igualmente, a infra-estrutura viária para atrair investimentos produtivos nos setores de comércio e serviços: hotéis, pousadas, restaurantes, bares, points, etc., com isto, fará crescer nossas praias, atraindo turistas e visitantes do sul do país e até do Cone Sul.
Servirá, ainda, para mostrar aos visitantes e turistas a beleza das praias, lagos, lagoas, além da cultura e dos costumes de nossos habitantes do litoral sul.
Prestar-se-á como alternativa rodoviária para o tráfego leve de carros de passeio, que deixarão o estresse da BR-101, povoada de pesados caminhões, para apreciar e curtir a paisagem, contemplar a natureza de nossa costa atlântica, sem pressa de chegar ao destino.
A rodovia interpraias, quando totalmente implantada e asfaltada, além de impulsionar o turismo, de diversas formas, vai trazer sensível valorização das propriedades circundantes.
Vai viabilizar, igualmente, a ampliação das opções turísticas de Santa Catarina, atrair investimentos privados e justificar as reivindicações junto aos poderes públicos para projetos de desenvolvimento do litoral sul, quebrando os grilhões do monopólio do turismo oficial de nosso estado, que hoje privilegia a Capital e o litoral norte.
Será, enfim, a estrada da redenção turística do sul, ou a nova fronteira do turismo de Santa Catarina.
É preciso torcer para que, desta vez, o projeto se concretize. Se isto não ocorrer, a decepção vai ser muito grande.
* Economista / Msc.em Desenvolvimento Regional
