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Economia

Carbonífera Criciúma

Sem perspectiva, mineiros pedem auxílio a comunidade

Cerca de 700 trabalhadores estão enfrentando dificuldades, até para comer

Por Redação Engeplus

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Foto: Marcelo de Bona

Sem qualquer perspectiva de receber os valores devidos pela empresa, trabalhadores da Carbonífera Criciúma estão enfrentando dificuldades até para suprir as necessidades mais básicas, como a alimentação. Para sensibilizar a comunidade sobre a situação crítica enfrentada pelos mineiros, e tentar angariar cestas básicas para minimizar o sofrimento das famílias, um ponto de coleta de doações de alimentos foi montado no Centro de Criciúma.

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“Nossa situação está complicada. Estamos fazendo essa mobilização para ver se a comunidade nos dá uma força. Muita gente não tem dinheiro para comprar comida, e para pagar a conta de água e luz. Vamos permanecer com o ponto de arrecadação no Centro até o sábado. Sempre no mesmo horário do comércio. Hoje arrecadamos umas 25 cestas básicas” comenta o tesoureiro do Sindicato dos Mineiros de Forquilhinha, André Sávio Ghisleri.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Mineiros de Forquilhinha, Fernando Maurício Nunes, cerca de 700 trabalhadores estão aguardando para receber salários atrasados, FGTS, ou rescisões, entre outros direitos trabalhistas. Deste total, 300 foram demitidos e não receberam as rescisões, outros 400 estão sem receber salários há dois meses.

“Não temos nenhuma perspectiva para resolver essa situação. Já não acreditamos mais no que a empresa nos passa. Eles prometem uma coisa e não cumprem. Os trabalhadores estão desacreditados. Não temos mais para quem recorrer. Cabe agora a justiça cumprir o seu papel. Estamos cada vez mais caminhando para o buraco. É uma situação lamentável, ainda mais no final de ano, que era para ser uma época festiva”, lamenta Nunes.

Audiência no Ministério do Trabalho

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Na tarde desta quarta-feira, cerca de 150 mineiros participaram de uma assembleia no Sindicato dos Ceramistas, na Rua João Pessoa, e decidiram procurar a Justiça do Trabalho para solicitar providências e proteção aos seus direitos.

Os trabalhadores foram recebidos pelo juiz da 4ª Vara, Erno Blume. O magistrado justificou que, como a carbonífera havia iniciado processo de recuperação judicial não tinha competência jurisdicional para determinar arresto de bens e receitas da empresa. Por isto, na última sexta-feira, o juiz que lhe substituía negou liminar para impedir que a Carbonífera Criciúma recebesse cerca de R$ 3 milhões pela venda de finos de carvão, um subproduto acumulado em bacias de decantação.

Na Justiça do Trabalho, os mineiros acabaram apurando que a sentença foi prolatada na comarca de Butiá (RS), onde a carbonífera ingressou com a ação requerendo a recuperação judicial, negou o requerimento, já que todos os credores são da região de Criciúma. “Tecnicamente, a Carbonífera Criciúma não está em recuperação judicial e, desta forma, seus bens e receitas podem ser arrestados pela justiça do trabalho e é neste sentido que nossos advogados vão atuar”, explica, Genoir do Santos, presidente da Federação dos Mineiros do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e Paraná.

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