Estelionato
'Sentimento de injustiça': casal de Criciúma perde mais de R$ 10 mil em golpe pelo Whatsapp
Conversas mostram negociação entre vítima e criminoso

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Um casal de Criciúma perdeu R$ 11 mil após cair no golpe do falso intermediador. O caso ocorreu na última semana durante a compra de um carro Chevrolet Celta pelo Whatsapp. Usando foto e nome falsos, o golpista se passou pelo cunhado do vendedor para intermediar a negociação e receber um pagamento via Pix.
Segundo a moradora Larissa Pedroso, tudo começou quando o marido encontrou o anúncio do carro e entrou em contato com o suposto vendedor. “Ele combinou de ver o carro presencialmente no dia seguinte. No local, o meu marido encontrou o verdadeiro vendedor e avaliou o Celta”, relatou.
O marido de Larissa gostou do veículo e o casal decidiu realizar a transferência. O problema é que o dinheiro foi enviado para o Pix errado. O golpista se passou pelo cunhado do vendedor, responsável pela negociação.
“Enquanto ele estava lá fiz o pagamento de casa. Íamos fazer um Pix de 15 mil, mas o banco não aceitou e fizemos de 10 mil. Eu já havia pago há cerca de 20 minutos quando meu marido disse que ainda estava esperando o pagamento. Na hora virou uma chave e me liguei que caímos em um golpe", detalhou.
Confira algumas das mensagens trocadas entre o marido de Larissa e o golpista:





Golpista para de responder e vítimas registram boletim de ocorrência
De acordo com Larissa, no momento em que percebeu o golpe, enviou mais mensagens ao autor, que parou de responder. Com isso, o casal foi à delegacia para registrar um boletim de ocorrência. “Chegando lá, uma policial nos disse: vocês caíram no golpe do falso intermediador. Ela nos contou que fomos o terceiro caso da semana na região. Dos outros dois, um perdeu R$ 28 mil e o outro R$ 32 mil”, destacou.
Ela ainda afirmou que, segundo a polícia, provavelmente o dinheiro não seria recuperado. “Ela nos disse que o homem provavelmente usou uma foto de outra pessoa e um pix “laranja”. Ou seja, ao cair o pix ele começa a distribuir o valor entre várias contas e não dá mais para saber onde está o dinheiro”, explicou.
Larissa salientou o transtorno do casal após perder um valor importante. “É um sentimento de injustiça. Tínhamos vendido um carro e estávamos comprando esse para nossa empresa. Nos sentimos muito imponentes pois vimos que é muito fácil fazer isso. Não fomos só nós, várias pessoas caíram”, lamentou.
Delegado explica investigação dos casos e repassa orientações
O delegado regional da Polícia Civil (PC), André Milanese, explicou que esse golpe é um crime de estelionato muito comum, que exige cuidado e atenção redobrada dos compradores. “Orientamos que as pessoas estejam sempre alertas e façam o Pix diretamente ao proprietário do carro. Também estejam sempre em contato com o proprietário, pois muitos veem um anúncio, entram em contato e acabam comprando um carro que pertence a outra pessoa”, observou.
Milanese ressaltou que a PC realiza diversas operações para prender estelionatários em Criciúma e em todo Brasil. “O que dificulta, muitas vezes, é que os golpistas, mesmo em contato com uma vítima daqui, estão do outro lado do Brasil, no Norte ou Nordeste, por exemplo”, pontuou.
Ele orientou que as vítimas acionem um instrumento do Pix, disponibilizado pelo Banco Central, para bloquear a transferência do dinheiro para outras contas. “Devem procurar o gerente do banco para tentar fazer esse bloqueio. Isso ajuda a encontrar os responsáveis com mais facilidade”, acrescentou.
Confira dicas da Polícia Civil para evitar o golpe:
Mantenha sempre um diálogo aberto com o vendedor ou comprador;
Vá pessoalmente ver o bem, marcando encontro em local público e movimentado (se possível, vá acompanhado);
Confirme se a conta informada pertence ao vendedor ou a um familiar próximo (filho, esposa, pai…)
Desconfie de bens com valores muito abaixo de suas tabelas. Geralmente, é golpe!



