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Sobre Sistemas e Processos
Sistemas e Processos
Por Redação Engeplus
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Que a conjuntura atual do mercado, via concorrência, novas tecnologias, novas formas de fazer negócio e consumidores mais exigentes e menos fiéis à marcas exigem uma nova forma de fazer negócios, todos nós já sabemos, é consenso, e há muito é alardeado. Some-se a isso custos maiores, mais demandas legais e fiscais, além de trabalhistas. Mas a pergunta que se faz é como este novo contexto se aplica ao profissional de TI, notadamente o desenvolvedor de sistemas? Qual seu papel neste mercado sensível, dinâmico e ávido por novidades que se obsoletam em poucos anos, exigindo reinvenções a cada ciclo de anos?
A primeira – e talvez maior – consequência disto, é que o desenvolvedor precisará adotar uma postura muito além da coleta de requisitos, cessidades e melhorias em estruturas de TI, incluído aí, e principalmente sistemas aplicativos, ERP, etc. Em primeiro lugar é preciso compreender que o escopo do trabalho extrapola os limites das soluções de sistemas. É preciso compreender o processo. Por processo, bem entendido, quero dizer a operação como um todo, desde quando inicia, com a demanda do cliente até quando termina, mais uma vez no cliente, seja através de produtos ou serviços.
Neste meio termo é importantíssimo compreender que é muito comum qualquer processo passar por várias áreas de negócio de uma empresa, como por exemplo, vendas, produção, logística, etc, e neste “trajeto”, cada um destes setores dependem visceralmente um do outro, ou seja, o fluxo de trabalho dentro de um setor tanto depende do que o antecessor produz e precisa gerar as informações e insumos para que o setor seguinte possa exercer seu trabalho sem paralizações, dificuldades ou gargalos. Não há mais espaço para que cada setor haja isoladamente. No planejamento de processos eficazes, um dos principais desafios é “orquestrar” o trabalho interfuncional e intrafuncional, isto é, fazer com que todo o processo ocorra de forma ordenada, promovendo o resultado no tempo desejado.
Como disse, o trabalho não está mais limitado à tarefa de modificar ou melhorar um sistema (diagnóstico, coleta de requisito, modelagens, desenvolvimento), mas sim o envolvimento com o processo como um todo: o processo em si, regras, cliente, questões regulatórias, cultura da empresa, legados, passando por questões como governança, melhores práticas, benchmarking e muitos outros. São questões que transcendem a esfera técnica do trabalho tradicional do desenvolvedor, exigindo destes competências inéditas até então, como empatia, negociação, liderança e capacidade de compreender e lidar com pessoas, tanto quanto com códigos e modelos.
É óbvio que, numa empreitada dessas, o profissional desenvolvedor não deve estar sozinho. Em primeiro lugar, é preciso trazer as áreas envolvidas para participar do projeto, definindo o escopo do projeto a se desenvolver, as regras envolvidas, as ações junto a colaboradores e outros setores, sem falar que normalmente projetos de maior porte que envolvem a estratégia da empresa deve ter sempre o aval da direção da empresa. Se fossemos nos balizar pela teoria, estas competências estão a cargo e sob a responsabilidade do Analista de Negócios, mas em tempo de escassez de mão de obra, principalmente na área de TI, esta necessidade pode e deve ser encarada como uma oportunidade para o profissional desenvolvedor, de ampliar seus horizontes, promover upgrade na própria carreira e atender às novas necessidades das empresas e do mercado, estando apto a enfrentar o mercado e seus novos desafios.
Ronald José Gomes
ronald@ntisc.com.br



