Subsídios para
Subsídios para o planejamento de Criciúma: 40 anos depois
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre *
Em dezembro/1968, a Sociedade Amigos de Criciúma, em fase de reestruturação divulgou, como parte das comemorações da Primeira Semana do Município, uma pauta de ações/projetos a serem reivindicados pela sociedade criciumense, nos anos futuros. Tal listagem, organizada pelo autor, foi divulgada em a Tribuna Criciumense, ed. de 25.01.1969.
Pela identidade e coincidência daqueles projeções/ações com os pleitos de hoje, quarenta anos passados, relembram-se as reivindicações mais relevantes então listadas.
Na área de infra-estrutura e urbanismo, era sugerida a ampliação do perímetro urbano até o distrito de Rio Maina, bem como apontada a necessidade de transferir o pequeno Aeroporto Leoberto Leal (então funcionando no espaço hoje ocupado pelo Parque Centenário) para a zona suburbana, com sua ampliação e reaparelhamento.
Recomendava-se ao poder público municipal (executivo e legislativo) a planificação sistemática da futura Avenida Leste-Sudoeste (atual Centenário), a ocupar o leito da ferrovia, procedendo-se, inclusive, à revisão do código de posturas, para melhor situar a importante via, a ser integrada ao sistema viário existente.
Era previsto o traçado de uma (nova) avenida, usando o leito da rua existente, para ligar o bairro São Luiz (zona do Movisa) ao Pinheirinho. Sugeria-se, já então, a implantação de uma avenida perimetral, circundando a cidade (nos moldes do anel viário, hoje em construção).
Eram tidas como oportunas novas rodovias entre a cidade e Forquilhinha (então distrito) e Nova Veneza, inclusive uma ligação dessa com o planalto serrano. Priorizava-se, também, a modernização e fiscalização dos transportes coletivos, a integração do centro com os bairros e distritos e sua urbanização, com amplas ruas e avenidas, equipamentos urbanos (praças, passeios públicos, monumentos), iluminação pública, redes de água e esgotos, então precárias.
Alertava-se para a necessidade de solução dos depósitos de resíduos piritosos na área urbana, da precária situação residencial dos mineiros, da necessidade de ocupar terrenos baldios, calçar ruas, fazer muros e calçadas.
Na área de saneamento e saúde pública, dava-se como prioridade a urgente implantação da rede de esgotos e do novo sistema de abastecimento de água (fora criado o Samae). Sugeria-se a criação do Hospital dos Tuberculosos, de um Centro Cirúrgico Regional e de um Hospital de Clínicas na cidade para atender à região sul.
Em termos de obras públicas, pleiteava-se a construção de moderna estação rodoviária (planejada para as décadas futuras) e do novo presídio municipal; dava-se como inadiável o funcionamento imediato do Centro Municipal de Compras, junto ao novo paço municipal, edificado na Rua São José.
Na segurança pública, requeria-se a fixação, na cidade, de uma Companhia da PM-SC, o funcionamento do Corpo de Bombeiros, já criado, o reaparelhamento da Guarda Urbana e da Guarda Mirim (de trânsito), já existentes.
Na economia, priorizava-se a elevação das cotas de produção de carvão, a mecanização das minas, a implantação, no município, da Siderúrgica Sul Catarinense - SIDESC (sucedida pelo projeto da ICC, que seria instalada em Imbituba) e a fixação, na cidade, da sede da CEPCAN (cfe. decreto do ex-Presidente Jânio Quadros).
Solicitava-se ao poder público apoio aos empreendimentos FRISULCA (frigorífico de Forquilhinha) e MOVISA (fábrica de rações, no bairro São Luiz); incentivo à diversificação industrial e ao crescimento / modernização do comércio local, de sorte a transformá-lo num verdadeiro empório regional. Era tida como importante, também, a organização de exposições e amostras sobre o carvão, indústrias (em geral) e comércio do município.
Entre itens de educação e cultura, propugnava-se pela criação de ginásio e colégio agrícola, de um curso clássico e mais cursos científicos. No âmbito do ensino universitário, pleiteava-se a breve instalação da primeira faculdade (a Fucri já fora criada em lei).
Previa-se a implantação da Universidade da Região Carbonífera ou do Sul, sugerindo à prefeitura reservar área ampla na periferia da cidade destinada ao futuro campus universitário.
Entre os equipamentos culturais, era sugerida a criação de um instituto histórico e geográfico, de um museu histórico municipal, do museu nacional do carvão (em convênio com a CEPCAN), de um teatro municipal e a ampliação/melhoria da biblioteca pública municipal.
Nas comunicações, tinha-se como conveniente a ampliação da potência de transmissão das duas rádios AM existentes (na época com 0,5 a 1 Kw), a conclusão e funcionamento do novo prédio dos Correios, a ser equipado com cabine pública de telex.
Pleiteava-se a melhoria dos serviços de captação de sinais de TV, com novos canais, a criação de jornal de maior vulto (futuro diário), publicações para divulgar a cidade (guias, folhetos, livros de história, de geografia urbana, coletânea com leis municipais). Sugeria-se a criação de uma agência noticiosa municipal
Como se vê, decorridos 40 anos diversos pleitos foram concretizados, alguns deixaram de ser prioridade, uns estão em fase de materialização (como o anel viário) e outros, ainda, não estavam na lista e foram realizados.
Note-se que não foram reivindicações futuristas (para os próximos 40 anos), mas sim pleitos já em 1968 tidos como necessários a curto, médio e longo prazos, dado o porte da cidade e suas perspectivas futuras.
Em tempos de choque de gestão, não está na hora de fazer o planejamento estratégico, listando as ações e projetos para os próximos 40 anos da cidade?
Com a palavra os novos administradores a serem empossados.
* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional / ajfabre@gmail.com
