Crescimento vertical
Um novo jeito de olhar para Criciúma
O setor de construção civil se destaca no cenário econômico da cidade
Por Redação Engeplus
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É só olhar do alto para perceber que Criciúma está se tornando uma cidade vertical. Uma vida moderna, com mais atribuições e trabalho, tem convencido as pessoas a fazerem a mala para trocar sua casa por um apartamento. O novo cenário favoreceu o aumento considerável de edifícios na área central da cidade. Em contrapartida, essas novas escolhas da população influenciam diretamente o crescimento do setor de construção civil.
Em outubro de 2012, o número de edifícios registrados no setor de Divisão de Planejamento Físico e Territorial, em Criciúma, era de 769. Em 2016 este número deu um salto: agora são 1104 prédios cadastrados no mesmo setor, em uma cidade que possui uma população de 209.153 pessoas, segundo o IBGE. Dados como estes demonstram a imponência do setor na economia municipal.
O sócio e diretor administrativo da construtora Locks, Ademir Locks, afirma que Criciúma não fica para trás em comparação a outras cidades de Santa Catarina. Ele diz que os municípios com população acima de 100 mil pessoas apresentam, nos últimos anos, a característica de centralização, e Criciúma segue a mesma linha.
Ele avalia que desde julho deste ano o mercado vem retomando o crescimento e expansão. “O setor ia muito bem até o fim de 2014, e a partir de 2015 enfrentamos alguma retração. Agora, estamos começando a recuperar este mercado”, ressalta.
Arte: Marcelo Rossi Longo

Os números do infográfico acima não assustam as imobiliárias. Pelo contrário: o mercado é considerado ótimo pelo segmento. De acordo com o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) Sul, Juarez da Silva Sabino, praticamente todos os imóveis construídos são vendidos atualmente. “Um imóvel sempre foi um bom negócio. Além da rentabilidade que o proprietário pode ter através de um aluguel, existe a valorização imobiliária ao longo dos anos.”
Por ser a cidade polo do Sul de Santa Catarina, Criciúma tem recebido pessoas de cidades vizinhas. Sabino afirma que famílias inteiras têm procurado um apartamento para morar por razões diversas. “Eles têm saído das casas para morar em um apartamento, pois buscam a segurança que um edifício pode oferecer, além da economia de morar em um local menor e com manutenção mais barata”, destaca.
Matéria-prima garante giro da economia
A construção civil é um dos setores que desenvolve uma grande cadeia de fornecedores. Construir um prédio envolve a compra e venda de produtos como ferro, tijolo, areia, cimento e muitos outros. O setor também engloba a mão de obra através da contratação de engenheiros, serventes e pedreiros, por exemplo.
“Essa movimentação garante que mesmo diante de um cenário de crise econômica - em que algumas empresas caíram um pouco -, a construção civil tenha segurado a peteca. Ela não esteve em alta no último ano, mas também não foi ao fundo do poço como outros setores”, garante o presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), César Smielevski.
O presidente da Acic vê a centralização da cidade como uma das características de Criciúma. “Como não existem muitos terrenos disponíveis na área central, as construtoras optam por utilizar o espaço aéreo.”

Possibilidade de crescimento vertical
De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Jader Westrup, a construção civil movimenta cerca de 30% da economia municipal. Este número pode subir nos próximos anos em razão da lei da Outorga Onerosa.
Em dezembro de 2015 foi sancionada em Criciúma a lei complementar nº 164. Ela permite, em alguns casos, a construção acima do limite estabelecido no Plano Diretor Participativo e abaixo do limite máximo da região. O beneficiário deverá, no entanto, dar ao município uma contrapartida financeira, que deverá ser investida obrigatoriamente em melhorias no entorno de onde o benefício aconteceu.
“Caso a área já esteja devidamente atendida, o dinheiro será utilizado em outras áreas da cidade. Isso ajuda a melhorar o município e traz benfeitorias para todos os bairros”, diz Westrup.
Segmento do varejo também é aposta
Uma rachadura na parede, uma infiltração no teto ou uma troca de pisos: diversos são motivos para que um apartamento passe por reforma. Quem tira proveito da situação é o segmento de varejo de materiais de construção. Atualmente, a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) e a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) juntas possuem 480 estabelecimentos que comercializam material de construção.
Segundo o diretor executivo Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac) do Sul, Júlio João Pereira, muitos proprietários estão optando por reformar seus imóveis. “As pessoas estão mais preocupadas com sua casa hoje em dia. Eles querem produtos de melhor valor agregado. Está acontecendo uma mudança de conceitos.”

Por outro lado, o varejo também vem se preparando para atender cada vez melhor os clientes. “Temos passado por treinamentos de vendas, gestão e campanhas. A redução de empregos neste setor foi menor. Este é um mercado que tem sofrido menos com o impacto da situação econômica do Brasil”, afirma Pereira.



