Engeplus
Opinião

Uma crítica

Uma crítica ao estado atual da avenida Centenário

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

Compartilhar:

"A avenida Centenário, principal via no sentido Leste-Oeste em parte de sua extensão, faz o tráfego diário de milhares de cidadãos juntamente com a Santos Dumont e a Luiz Lazarin, mas o que diferencia ela das suas paralelas é o fato de ter maior extensão, centralidade e importância histórica.

Via arterial na cidade, essência no fluxo do transporte coletivo entre os terminais, a avenida Centenário surgiu a partir da retirada dos trilhos da ferrovia Tereza Cristina, que gerou um espaço de 30 metros de largura, e com mais ou menos nove quilômetros de extensão, possibilitando a implantação da avenida.

Com uma caixa de rodagem em cada direção, cada uma com três pistas sendo uma exclusiva do transporte coletivo interterminais e um canteiro central, inicialmente concebido para ser uma ciclovia, além os passeios laterais, a avenida esta com sua estrutura em uma fase decadente, infelizmente por falta de projetos, desenhos, detalhamentos, investimento ou mesmo manutenção, a avenida Centenário está em um estado que não condiz com o porte e a atual fase de desenvolvimento que nossa cidade vem tendo na ultima década.

Abordando o sistema fundiário acerca da avenida, os trilhos eram os fundos (geralmente com desenhos irregulares) das edificações/lotes que por sua vez tinham suas frentes viradas para outras vias que na época possuíam maior importância, dessa forma o espaço onde hoje está implantada a avenida teve seu início de forma orgânica e já subutilizada formando hoje a via expressa que corta a cidade. A poluição sonora e a insalubridade que é gerada inibe a construção de grandes edifícios comerciais (não falo de revendas de carros e lojas de autopeças) que seriam uma possível solução para grande parte dos problemas ali gerados, oferecendo atrativos para pedestres e iniciativas para revitalização e manutenção da mesma, porém pela extensão da avenida em comparação ao porte de nossa cidade isso se torna inviável, então continuamos com o problema da falta de “usos” na avenida, não há pontos referenciais importantes, tornando a assim um simples espaço de passagem.

Em minha opinião, a ideia da ciclovia no canteiro central acabou se perdendo, tanto que é possível observar muitos pedestres percorrendo o espaço a pé, pois também, os passeios laterais não possuem nenhuma padronização, e nem manutenção adequada por parte dos proprietários, que por fim não recebem (assim penso) fiscalização e cobrança por parte da prefeitura.

Outro fato que prejudicou a vida dos transeuntes ao longo da avenida foi o abandono no plano massa, plano esse que tinha o intuito de criar uma passagem coberta ao longo de toda a avenida baseado na padronização das marquises dos próprios estabelecimentos, referenciado nas antigas estoas gregas, possibilitando assim um passeio tranquilo ao longo de toda a extensão da avenida, o motivo do abandono do plano para mim é desconhecido, talvez por interesses políticos ou por afrouxamento nos critérios das aprovações dos edifícios, é uma pena.

Por fim, na caixa de rodagem da avenida Centenário é possível observar também problemas climáticos como a intensa aridez e calor em certos trechos, o que geram muita poeira e sujeira acumulada às margens da avenida e no canteiro central, além da nuvem de calor, talvez a implantação de vegetações mais densas ao invés da palmeira poderiam facilmente solucionar isso.

Vários projetos já foram elaborados, e vários ainda podem ser, para a revitalização da avenida, mas o problema como em todas as instâncias urbanísticas das cidades, é a falta de interesse/dinheiro do poder público com o próprio espaço público, em parte corrompidos pelas políticas partidaristas, e em parte pela especulação imobiliária, é necessário uma nova visão e conscientização de que a casa e o carro, não são nosso espaço, mas que o mundo é o nosso espaço e devemos vivenciar ele, e exigir qualidade dele, deixemos o provinciano de lado, e sejamos mais cosmopolitas”.

Rafael Bianchini Hipólito - Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo - Unesc / Sistema de Infraestrutura Urbana – Prof. Luís Cezar de Castro

Compartilhar:
Leia a seguirPlanejamento Estratégico
Publicidade