Uma paradinha na Bélgica, terra do flamengo

Por Texto/fotos: Lene De Costa - lenedecosta@engeplus.com.br

Em

De Londres, meu roteiro segue para a Bélgica, país que eu não sabia muito a respeito mas que acabou se tornando uma agradável surpresa. A primeira parada em território belga é em Bruges, uma cidade pequena, cerca de 120 mil habitantes, com estilo medieval.

Está nublado e frio e, antes de visitar qualquer ponto, queremos matar a fome. Depois de meio dia dividido entre ferry e ônibus, nem penso em aceitar a sugestão de Mônica, a guia que nos acompanha desde Paris, de provar um típico guisado de mexilhões acompanhado por cachaça. Escolho o local, uma imitação de Mc Donalds, na esperança de ser mais fácil fazer o pedido. Pura ilusão. Em Bruges se fala flamengo, uma língua derivada do holandês e que eu nem sabia que existia. E o menu na parede não exibe números, só foto e nome naquele idioma impronunciável. Pedir um sanduíche em lugares assim acaba se tornando uma tarefa não tão fácil, e o jeito é sair apontando.

Nossa parada em Bruges é curta, apenas quatro horas. Parece um bom tempo, mas quando se precisa dividir o período entre almoçar, ir à caça de um banheiro e rastrear a cidade, considerando fila para tudo, passa voando. Em nome do restante da viagem, ainda sacrifico parte do passeio para entrar numa porta que de turística não tem nada, e que já conheço muito bem: Zara. Turista no exterior pela primeira vez, baseei minha mala na primavera brasileira e me dei mal. As poucas mangas que foram pra “eventuais friozinhos” já estavam tão batidas que entre tirar fotos e comprar lã, me vi obrigada a ficar com a segunda opção. Até encontrar algo no meu tamanho entre os GGs europeus, perco mais de meia hora. É por isso que quando alguém falar nos canais de Bruges, vou responder: que canais? Não tive tempo para chegar até eles.

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Devidamente aquecida, começo a circular pelo centro histórico observando as fachadas coloridas. As ruas são estreitas, de lajotas, e a todo momento passam charretes levando turistas para um pequeno passeio. A cidade é bastante limpa e uma simples mas eficiente faixa de lona instalada na charrete impede que os cavalos perturbem essa limpeza. Mas o cheiro dos animais é bastante forte em alguns locais e pra quem, como eu, se incomoda com odores expressivos, a cidade acaba não sendo tão atrativa.

O SANTO SANGUE
Há muitas bandeiras hasteadas pelas praças, algumas construções antigas, uma imensa catedral. A cidade atrai ainda muitos turistas por abrigar em uma das praças a Igreja do Santo Sangue, venerada por conter o que se acredita ser uma amostra do sangue de Cristo. Como a visitação à relíquia encerra às quatro da tarde e faltam menos de cinco minutos, não há ninguém na porta da igreja além de uma funcionária do local.

Gentilmente ela nos convida a entrar, passo pelo subsolo e pego uma pequena fila que sobe a escadaria até um elevado onde está um representante da igreja, sentado atrás de uma mesa. Sob a mesa está a ampola, observada rapidamente por cada turista. Não são permitidas fotos, mas quando já estou do outro lado da igreja cometo o pecado de desobedecer a recomendação e clicar, sem muito foco para ser rápida, a raridade. Não podia deixar de mostrar aquilo pra minha mãe.

Comprovando que na Europa todo dia e hora é um bom dia e hora para casar, encontramos mais um feliz casal de noivos posando para fotos em praça pública no meio da tarde. Impossível não olhar a cena e se perguntar, em meio a tantos belos cenários, porquê alguém tiraria foto para o álbum de casamento abraçado no poste da praça. Gente estranha. A visita a Bruges encerra com uma parada num dos cafés da praça central, aproveitando os tímidos raios de sol que resolvem aparecer. Agora que tenho blusas, pode ver que vai ficar calor.

A MAIOR PARTÍCULA DA BÉLGICA
Mais algumas horas de estrada e chegamos a Bruxelas, capital da Bélgica. Na entrada norte da cidade fica o maior símbolo da região, o Atomium, uma molécula gigante. O monumento simboliza a importância da Bélgica na produção de aço, pesa 2.400 toneladas e mede 102 metros. As esferas representam as províncias belgas. E como até as coisas mais recentes da Europa já acumulam alguns anos, em 2008 a molécula está completando meio século.

Pra variar, na correria, nada de subir no Atomium. Só fotos pelo jardim. A área em frente abriga uma exposição, que também não foi possível ver. Ao lado do estacionamento, uma curiosa construção de caixas de cerveja entra pra lista das coisas que voltei sem saber o que eram. Sim, algumas partes dos roteiros no exterior são feitas com tanta pressa que se transformam num cansativo entra e sai do ônibus. Turista sofre.

Já passa das sete da noite quando chegamos ao hotel. Será nossa única noite em Bruxelas, melhor aproveitar as galerias. Ah, as galerias... falo delas e das flores antes de ir pra Amsterdam.


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