“Valor da comida dobrou nos últimos meses”, relata venezuelana
Grupo de venezuelanos está em Criciúma buscando um futuro melhor
Por Rafaela Custódio -
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Um grupo de 17 venezuelanos chegou a Criciúma na quinta-feira, dia 17, em busca de um futuro melhor. Eles estão divididos, sendo que 14 pessoas estão morando em uma residência na área central da cidade e outras três estão morando na casa de conhecidos.
Os venezuelanos chegaram a Criciúma após um grupo humanitário de cerca de 50 pessoas se unir e reformar uma casa cedida por uma conhecida. Eles também doaram as passagens para a vinda dos estrangeiros ao Sul do Estado. “Queremos ajudar e buscar um futuro melhor para eles”, afirma Márcio Andrei Tizato, um dos organizadores do grupo.
Recepção
Cinco deles já chegaram à cidade no dia 5 de maio, e os outros 12 pisaram em solo catarinense na quinta-feira. O grupo foi recebido com a casa reformada, alimentos, roupas de cama e, principalmente, muito amor.
“Foi impressionante. Não sabíamos que seríamos recepcionados dessa maneira. Resumindo: foi espetacular”, comenta Luis Carrillo, de 50 anos, que chegou a Criciúma com sua esposa.

Carrillo conta que trabalhava como contador em uma universidade, mas que as dificuldades foram aumentando há um ano e que estava difícil viver no país. “Os hospitais não possuem mais medicamentos. Os alimentos estão caros. Não conseguimos mais nos alimentar direito, estava impossível viver lá”, relata.
“Perdi 20 quilos em seis meses”, lamenta. Carrillo lembra que os venezuelanos estão emagrecendo e adoecendo. “Vamos aos hospitais e os médicos nos afirmam que não possuem medicamentos, não podem nos ajudar. Os alimentos estão absurdamente caros, é complicado. Temos pena de quem ficou”, comenta.
O venezuelano ainda explica que em Criciúma eles buscam trabalhar, conseguir uma vida melhor e lembra que deixaram tudo para trás. “Nós largamos tudo. Estamos buscando tudo novo, tudo. Queremos trabalhar, ganhar dinheiro para também ajudar quem ficou lá e precisa de ajuda”, afirma.
“Fiquei impressionada ao ver maçã na fruteira”, expressa Karen Sumen, de 31 anos, que veio para Santa Catarina com os pais. “Uma maçã na Venezuela custa 500 Bolívares (moeda do país). 500 Bolívares são muita coisa. Têm famílias que vivem com 1.500 Bolívares. Vocês têm noção disso? Como compraríamos? Impossível”, lamenta.
Karen vendia sorvete e doces nas lagoas, mas comenta que nos últimos meses ninguém mais comprava, estavam difíceis. “A crise afasta as pessoas das compras e isso me prejudicava”, relata.
A vendedora diz que deixou dois irmãos na Venezuela. “Um irmão pretende ir para o Peru com sua família. Não dá mais para viver no país, está muito difícil”, alega.
Grupo recepciona
No sábado, dia 19, o grupo humanitário se reuniu e cada família levou um prato de comida, recepcionando todos venezuelanos com um vídeo, onde mostravam a casa em que eles moram sendo reformada. Além disso, cada estrangeiro recebeu um presente em forma de dar boas-vindas.
“Fizemos de todo o nosso coração, buscando fazer o melhor para vocês e esperamos que tudo dê certo”, explica Márcio Andrei Tizato, um dos organizadores do grupo.

Valor dos alimentos duplica
A venezuelana Karen Sumen conta que um pacote de frango de um quilo está custando 1.500 Bolívares. “Valor da comida dobrou nos últimos meses. Queria entender como que vamos comprar um quilo de frango com 1.500 Bolívares se muita gente ganha isso ou menos. Queria entender também como vamos comprar o restante da comida. O arroz, as verduras, o restante como fica?”, lamenta.
Os 17 venezuelanos buscam empregos para conseguirem se manter na cidade. “Precisamos arrumar um trabalho para poder nos sustentar aqui e também ajudar nossos familiares e amigos na Venezuela”, finaliza o venezuelano Luis Carrillo.

































