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Criciúma Construções

VÍDEO: Gestor judicial faz balanço sobre atual situação

Risco de falência é mínimo, avalia Zanoni Elias

Por Redação Engeplus

7 min de leitura

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Zanoni dos Santos Elias está prestes a completar seis meses a frente da Criciúma Construções. Eleito gestor judicial da empresa no final do mês de maio, o administrador faz um balanço sobre a atual situação da Criciúma Construções e diz que o risco de falência é mínimo.

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O futuro da Criciúma Construções será definido em assembleia geral dos credores no dia 22 de março de 2016, uma terça-feira, às 14 horas, na Acic, em primeira chamada. A segunda chamada acontecerá uma semana depois, no dia 29 de março, no mesmo horário e local.

“O juiz Pedro Aujor acolheu o plano de recuperação judicial. Na assembleia será decidido se haverá a aprovação, rejeição ou modificação do plano. Essa é a audiência principal, havendo a rejeição será decretada a falência. Mas pagando os trabalhadores e entregando as obras, vejo a chance de falência muito pouco provável, não chega a um 1%. A votação será realizada pelos credores cadastrados”, informa Zanoni Elias.

“Este dia, acredito que será um marco para a Criciúma Construções, caso a gente tenha sucesso na aprovação do plano, que é o que todos esperam inclusive os trabalhadores, os clientes e nós mesmos. Vamos achar maneiras para o que o plano possa ser adequado e atender a demanda dos credores da Criciúma Construções”, completa o gestor judicial.

Confira abaixo os tópicos da entrevista concedida por Zanoni Elias:

Situação da empresa no início da sua gestão judicial

“Era um bicho de sete cabeças. Encontrei a empresa em uma situação bem crítica, principalmente do ponto de vista financeiro. Desacreditada até pelos próprios funcionários. Muitos acreditavam que não tinha jeito, que eu não conseguiria reverter à situação e que a empresa quebraria na semana seguinte. Por sorte, alguns acreditaram e hoje estão contentes, com os salários em dia. Consegui ajustar o caixa da empresa, temos um valor bom para nos mantermos por quase um ano. Agora, estamos arrumando a contabilidade, que estava meio bagunçada. As funções dos funcionários estavam meio truncadas, e hoje todos têm a sua função bem definida. Muitas situações era só uma questão de organização”

"Era um bicho de sete cabeças", Zanoni Elias.

Redução no custo da folha salarial

“Fiz algumas demissões, sendo a maior parte na área administrativa, para adequar ao nosso custo fixo. Foram mais de 30 rescisões feitas por mim e todas pagas. Tínhamos uma folha de cerca de R$ 200 mil de custo mensal. Hoje gira em torno de R$ 50 mil, sendo passível de ser mantida com a receita das obras que já foram entregues e os clientes continuam pagando”

Primeiras medidas após a aprovação do plano de recuperação judicial

“Após a aprovação, a ideia dorsal do plano é pagar os trabalhadores, conforme a lei, em até 12 meses. Repassar os empreendimentos, possíveis de serem repassados. E os demais credores serão pagos com um prazo um pouco mais esticado, com uma redução de cerca de 20% nos valores. Muitos fornecedores pequenos quebraram e também são prioridade”

Trabalhadores

“A empresa firmou um acordo com aproximadamente 400 trabalhadores, mas foi paga apenas a primeira parcela pela Criciúma Construções. Os trabalhadores têm certo privilégio no plano de recuperação. Eles são prioridade número zero. Eles saíram da empresa sem receber ao menos a sua verba rescisória. Os trabalhadores terão novidades, em breve. Posso garantir que as verbas rescisórias da Criciúma Construções serão satisfeitas no decorrer do próximo ano. Não tenho dúvida disso. Mas não podemos esquecer que existem funcionários de obras em outras cidades que ainda precisamos conciliar os débitos trabalhistas com os outros sindicatos, não é só Criciúma. Todos os trabalhadores são prioridade, nossa meta é deixar a Criciúma Construções sem dívida trabalhista”

Obras inacabadas

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“Das 94 obras que a Criciúma Construções tinha em curso, estão inseridas no plano de recuperação aproximadamente 20 obras. Sendo que mais oito pertencem a empresas de sociedade de proposta especifica, totalizando 28 obras em curso. Estamos trabalhando para encontrar uma resolução para as demais obras, que não estão inseridas no plano por serem vinculadas a outras empresas. Existem quatro empresas mães, uma é Criciúma, outra é a RCF e duas Cizeskis, uma construções e outra incorporadora”

Negociação com clientes

“Nós estamos tratando cada caso específico desses clientes que adquiriram empreendimentos das 94 obras que ainda não foram entregues. Porque elas têm a sua particularidade, algumas obras estavam quase prontas, e a própria associação que foi montada concluiu o empreendimento. Estamos fazendo um acordo para verificar o que eles gastaram para concluir. Estou fazendo auditoria externa em cada um desses empreendimentos para ver o que a Criciúma ou a associação tem de recebíveis na obra. Por exemplo, já encontramos na auditoria de dois prédios que a associação acabou, e já homologamos as escrituras, que a associação gastou, em média, R$ 200 mil para cada um desses dois, e a auditoria apurou que tinha R$ 350 mil para cada um. Então, além de compensar esse desembolso de R$ 200 mil para a associação, ainda entrou R$ 150 mil para o caixa da empresa. Por isso, é importante o agrupamento dos clientes, seja por associação ou condomínio. Essas duas nós já livramos daquelas 94 da Criciúma. Outras estão quase prontas, algumas associações estão acabando elas com recurso próprio e nós estamos fazendo auditoria para depois fazer o acordo. Tem umas três ou quatro nesse encaminhamento. Outras são obras negativas, e são um pouco mais complexas. Estamos fazendo uma minuta para fazer um acordo. Dessas, 12 obras são com o Bradesco e duas com a Caixa. Não temos uma posição muito clara sobre esses empreendimentos. Nosso papel agora é atacar nessas negativas também, fazendo um levantamento do orçamento para terminar a obra, conhecendo a regularidade da associação ou o compromisso para se formar um condomínio, conhecendo o valor que se tem para receber desse empreendimento e conhecendo as unidades que têm em estoque, que são passiveis de gerar receita para acabar o empreendimento”

Imóveis pagos à vista, mas que o edifício não saiu do chão

“Tem situações e situações. Essa é a mais gritante. Mas estou mais preocupado com aquele empreendimento que ainda não saiu do chão e, que por ventura, ainda está alienado a algum banco. Esse caso ainda não conseguimos esclarecer bem como vamos tratar, se vamos chamar o banco junto. Até porque, existe uma súmula no STF que diz que o banco ou está junto ou não poderia estar ali. Existem algumas dúvidas nessa penhora. Mas o mais importante é saber o quanto ele tem para receber e o quanto vai se gastar. Porque às vezes o empreendimento não saiu do chão, mas também foi pouco vendido. Então, o mais preocupante é saber o que tem para receber, o que vai se gastar, e o que tem em estoque para vender. Se a gente ver que existe uma diferença muita grande, será uma situação que nos preocupará. Mas existe também uma situação que nos conforta bastante. Os imóveis foram vendidos, até pela situação de mercado e da empresa, por um valor bem subsidiado. Posso dizer com segurança que a maioria vai passar por um rateio para concluir a obra. Contudo, fiz uma analise de uns 50 empreendimentos. Se pegar a média que foi vendido cada um desses apartamentos e acrescentar uma projeção de rateio, o valor do apartamento hoje é muito maior. Vai valer a pena”

Escrituras

“Muitos clientes compraram seus imóveis e nunca escrituraram. Seja por um motivo, ou outro. Teve cliente que comprou imóvel em 2001 e não fez a escritura. E não conseguia fazer em função da destituição do antigo administrador. Com a minha chegada, eu outorgo a escritura para cada um deles. Desde que chegue aqui e comprove que comprou o produto e está pago. Não me furto de ir ao cartório e fazer a transferência do imóvel na hora. Presto contas mensalmente ao juiz, ao Ministério Público, e ao administrador judicial"

Dívida da Criciúma Construções

“Isso já está no plano de recuperação. Se não me falha a memória, o valor é em torno de R$ 700 milhões”

Rogério Cizeski

“Nunca conversamos. Pelo processo criminal, onde ele conseguiu liberdade lá em Brasília, o Rogério Cizeski não pode vir na empresa, a não ser para buscar alguma documentação para sua defesa. Mas então, ele esbarra na decisão do juiz judicial, que proibiu ele de ir à empresa para qualquer assunto”

No vídeo, Zanoni Elias passa orientações sobre a necessidade dos clientes permanecerem quitando os seus débitos com a construtora:

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